quarta-feira, 3 de maio de 2017

Já não sei




Ela me disse
com aquele ar
de quem está
cheirando imundice

E, cada palavra,
cortava-me fundo,
sangue brotando
e a poça aumentava.

Não economizou
nas ditas linhas
e me fez chorar
além de corar.

A faca tem dois gumes
e, eu não sabia mais
se chorava por mim,
ou por ela.

Só sei que dói
doeu e doerá
toda vez
que me lembrar.

Teu sorriso era tão
verdadeiro e radiante...
Que se desfaz em
alegoria disforme.

Terrível sorriso
esgarçado
filme de terror
em palavras.

Poderia pedir
que parasse,
mas me ofereci
à guilhotina.

Não espero 
mais nada
só quero ir
embora.

De mim
e de ti.
nós fomos,
agora mortos.




sábado, 8 de abril de 2017

Feridas



Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e carrego estas máculas diariamente
de um canto para o outro, pois que
nada nos deixa muito tempo sãos.

Já te disse que ele entra na minha mente
ele deseja que a ferida não seja curada
e vamos, nas feridas, escrever vários
temas de pessoas, muito estranhamente.

Porque de cá, dói o machucado,
mas há alívio em conhecer de fato,
que a loucura existe por dentro
e um tanto assim de um brocado.

Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e nenhuma ideia de onde isso vai dar.
Quero apenas continuar com meus irmãos.


quarta-feira, 22 de março de 2017

A casa

O que sinto,
é que a calha
da casa velha
está oxidada
mais por dentro
que por fora.
O que acontece
de fato
é que
tudo está
enferrujado.
Desde a maçaneta
da porta
até a senhora
a se embalar
na cadeira
de balanço.


quarta-feira, 1 de março de 2017



Tenho o mar como parceiro
livre como vento, é romanceiro,
traz cartas jogadas à ele.
Busco a razão na minha pele.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017



Não, eu não escrevo
Eu soluço.
Soluço paisagens,
De onde queria estar
Conhecer,
Amar e voltar.
Gostaria
Que estes soluços
Fossem reais
E desse vida
Às minha palavras.


sábado, 21 de janeiro de 2017

Preso




Hermético
fico assim
fechado em mim
ninguém mais entra
nas minhas palavras...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Fina linha

Linha tênue que separa
o novo do velho,
o vivo do morto,
e o espírito da alma.

Linha grossa encontra um verso
ou o verso encontra uma linha grossa
não importa! O que é importante
Está guardado, aguardando.

E eu me resto aqui sonolento,
quase indo para minha choupana,
onde não entra ninguém,
nem o galo pra acordar o dia.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ventos





E isso de ficar rolando
Na areia, como criança
Já deu, afugentando
O infante sem esperança.



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Soneto de Julho

Não venho falar de coisas bonitas
A minha tentativa inata é pensar
Para além das palavras benditas
Rimas que poderão te fazer corar
                                                                     
Eu venho falar de duras verdades
Guardadas no silêncio maldito
Em que se esconde nossa Sociedade
Sem espaço para o amor distinto

Fala mansa não trará luz alguma
Por isto tenho por sonho te falar
Palavras de porrete na testa tua

Nua, lânguida solta pela cama
Tua sofrência de realidade
Virá com a idade e com a dor que clama


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

...

O que iremos dizer
não importa.
Mais vale abrir a porta
do nosso ser.

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