quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Soneto de Julho

Não venho falar de coisas bonitas
A minha tentativa inata é pensar
Para além das palavras benditas
Rimas que poderão te fazer corar
                                                                     
Eu venho falar de duras verdades
Guardadas no silêncio maldito
Em que se esconde nossa Sociedade
Sem espaço para o amor distinto

Fala mansa não trará luz alguma
Por isto tenho por sonho te falar
Palavras de porrete na testa tua

Nua, lânguida solta pela cama
Tua sofrência de realidade
Virá com a idade e com a dor que clama


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

...

O que iremos dizer
não importa.
Mais vale abrir a porta
do nosso ser.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Clamor

Tenho ido cada vez menos
talvez eu devesse voltar mais
tudo cheira a antiguidade
com o farfalhar num cortejo.
Aquele banco era nosso,
a praça, os sons, os cheiros...
tudo nosso, até que a vida
te levou, jogando-me na
solidão dos costumes.
Aquele banco que era nosso
guarda agora outros casais
mas eu o visito de quando em vez,
em uma lista de umas dezenas.
Foi o que restou, e não reclamo!
Apenas cuido dos lugares
de onde fui feliz ao lado de que
eu amei, e ainda amo.
Clamo!






segunda-feira, 18 de julho de 2016




A solidão veio me visitar e ficou.
Aderiu às paredes, 
Teceu meus lençóis,
E tatuou seu nome em mim.




segunda-feira, 4 de julho de 2016

Um casal



Uma luz trêmula e fraca,
Dava ar sombrio ao beco
Onde passeava um casal.

Sem maiores originalidades,
Um vulto surge, e depois mais um
E outro, enfim um grupo.

O casal para e tenta voltar
Mas o beco os fechava.
Sabe Sina!? Covardia.

Muitos socos e pontapés
Nos apaixonados,
Agora ensanguentados.

Em meio ao sangue derramado
Os dois, antes de partir,
Ainda conseguem ouvir:
Morre, seu viado!



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sobre ti





Se eu te escrevo
arranco-te do meu peito
sem salva-vidas.
Tomo um espumante
como remédio
o que não se remedia.
Vou deixar-te
fora daqui,
é uma decisão sábia.
As bolhas na taça
parecem contigo
sobe, estoura e pronto.
Quero minha alforria
bebo mais um gole
deixo-te à própria sorte.



sexta-feira, 22 de abril de 2016




O que qualquer um quer
é ser eternizado
na memória do outro.



sábado, 12 de março de 2016

Ai de nós



De seu corpo saem
véus, finos
mais que a seda 
mais fina.
Afaga minha pele
plebe, que sou
a sorte me
sorriu.
E sorriu com
dentes claros
nada arregaçados
e sim alvos
como marfim.
Ai de mim.
Não percebi
o tecido carmim
o que saiu
de mim
em direção a ti
sim, a ti.
Saíram véus
de ambos
escarlates
entrelaçando
dois caçadores
cansados.
Ai de ti.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Bombardeio árabe


Bombas na Síria
por que
mesmo?
Corpos
jogados à pira
silencia
num grito
de poucos.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015




Queria sua mão
agarrada a minha,
como quem se aninha
com medo de avião.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015





A letra
que nasceu
de tempos imemoriais
morreu
junto com a fumaça
da ignorância.


domingo, 8 de novembro de 2015

Era uma vez um coração...


Ainda há de brotar
A sombra de um perdão
Que hoje não tem não.
Há apenas a criança
Que de porrete arrancaste,
Lampejo de qualquer confiança.
Até este dia chegar
Onde outrora batia um coração,
Tenho olhos fechados com uma mão.
Pois de que é tudo muito feio,
O que fizeste perecer,
Todo um mundo de centeio.
Semeio com paz e gotas de paciência!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015




Na minha vida
não há espaço 
para não 

haver poesia.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...