quarta-feira, 30 de abril de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

Meu poema, minha verdade




Não é que a culpe por ter me deixado triste
a ponto de cortar os pulsos em vão
não

Não é que te telefonar com alegria e entusiasmo
acarrete nas palavras de desestímulo de sempre
nada disso

Da vez que me entupi de barbitúricos
quando não encontrava saída para a dor
infligida na alma e fui parar numa UTI
não teve nenhuma ajuda de tua parte
a tal fim, uma vez que falas apenas a verdade

Não mesmo

A coerência social nos ensina veemente que a escolha
e responsabilidade é única e exclusivamente
de quem escolhe. ser solitário
de morte e nascimento. ninguém é responsável

Muito menos tu que conheço desde meu nascimento
embalando o berço emprestado de alguém
és um anjo que da boca só saem flores,
incentivo, motivação, conforto, solidariedade...

Da vez que o monóxido de carbono apenas me trouxe mazelas
não foram tuas palavras justas e amáveis que me afetaram
já tenho a própria vontade inata de partir
a mim é cabido a responsabilidade, já fora dito

Não é que não saibas escutar e apenas falar
tua fala sem ouvidos levaram-me para todo lado
mazelado
somente o ser que escolhe há de ser responsabilizado

Tiro
A minha própria vida
Tiro

Sou quem escolhe, não é? pois não há do que choramingar
reze ao teu deus misericordioso, reclame
faça o que sabes fazer de melhor, fale, fale, fale, fale...
até cair a língua quando o meu pó já fora varrido a eras

Pedir-te clemência já não há mais sentido
por isso as letras nestes versos 
impelido que fui a escrever
meu último espaço verdadeiro

Meu silêncio é a minha verdade 
as letras o corpo
a inspiração respira...

E, no meu poema
a tua fala é a mentira
transmutada em fumaça inerte
apenas não tem mais poder

Foi ilusão pensar que poderia escapar
de minha sina
um sonho quase tangível
desmanchado por tua porca mente

Neste espaço, sou quem determina as regras
as palavras, a verdade e a mentira
o desconforto e o confronto
da dor que me foi talhada décadas a fio

Aqui eu posso escrever que a mentira é a verdade

Verdade
Mentira

Ilusão que não faz mais sentido algum neste impasse
não desejo algo mais da vida
a verdade é a mentira

Morto não tem sina e a verdade que te anima
o dinheiro
será teu pior pesadelo
quando ficares rica com a minha morte. 



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Falsa amizade





Adaga furtiva enterrada
peito aberto sem receio
surpresa!

Ora, como duvidar
de tão bela amizade
confiança construída a cada tijolo...

Pregos
Cimento
Fiança

Criança indefesa pela gentil maneira de ser
ingenuidade paga com a ferida
mortal!

Olhos arregalados, surpreso.
questionava mais que morria
doía mais na alma que na carne
desfalecido!

Hora das aves de rapina gozarem seu banquete
daquela carne traída.
semivivo sentia cada bicada, mais dor
menos dolorido, como para estender a dor até o infinito
inferno!
era o que aquilo era, o inferno.

Ninguém para afastar abutres e urubus,
tampouco vingar a morte do crente moribundo
nascemos e morremos sós
mas a dor que sentimos fica registrada em nossa alma por eras
haveria de ser um santo, iluminado ou anjo
para estar ali após o bote.

Do corte
Do abate...

Traição não é perdoável.

Trair a confiança é o pior traço da besta,
manifesto pela maçã ofertada.
serpente disfarçada de gente.

Suspiro...

O último suspiro.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Não à paz



Uma guerra existe quando não se tem conhecimento de quando iniciou. confusão. raiva. medo. espanto. incoerência. deslealdade. traição. injustiça. amoralidade. rancor ________ torcidas destorcidas



o amor fenece feito água parada em uma poça. possa. nossa _______________________________ troça à desgraça alheia



fosse bicho o homem haveria paz entre humanos. pais. fraternidade. carinho.oposto é o que se tem de fato


fato. fato. fato. fatal __________________________________ surdez a quem ainda sobrevive ao movimento de massas falidas. morte a eles. mudez pode te salvar da sorte. vivo por mentir. omitir. esvair a verdade


há sim à guerra quando não se reconhece mais seu amigo como o é. é. triste realidade de quem vive na humanidade ou seria desumanidade? cidade


ilusão
tudo
a mais pura ilusão ____________________________________ não.








sábado, 12 de abril de 2014

---




Nas quatro estações
Sangue quente esfria ___________
A saúde vem e vai




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cigarros





Apaga a brasa do cigarro
Paga
Pega
Ideias soltas
Pontilhados etéreos
Vida cinzenta
Sem alma enquanto
Por quanto
Entretanto
Fume
Acenda a vida
A morte vem junto
Inseparáveis
Fato da afiada lâmina
Foice querida
Por si
Não apaga
Traga mais
Fumo
Tanto só
Apagado
Obrigado!



quarta-feira, 9 de abril de 2014

---




Demorada chuva
Encharca a todos os bichos ___________
Brilha a pele seca




Licença poética




Quando a licença poética é compreendida pelo leitor
Como que escrito para si, é porque ele se identificou;
Viu-se lá, por entre as linhas labirínticas de um poema livre.

Um poema tem vida própria e várias inspirações
Há de se ter asas para imaginar com as letras
Isso vem desde as musas sussurrando aos seus eleitos.

Dar-se tanta importância por pensar que versos são escritos para si
É uma armadilha fantasiosa, sem jaulas nem paredes...
Só a imaginação. Fértil, do próprio leitor.

Para poetas, esta identificação é importante e atraente!
Cheia de significados e enriquecedor. Talvez o ar de quem verseje.
Versos são livres, não possuem donos, nem mesmo o Poeta.

Quanto mais um leitor pegar para si, tal contenda.
Que a liberdade poética não seja tolhida por quem se vê demais.
Por quem é demais em tudo, que se considera até o dono do poema.


Liberdade às letras!



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...