terça-feira, 22 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO


É com grande prazer que anuncio o lançamento de meu livro que, por enquanto, está disponível no site da editora e, em breve, será lançado em algumas cidades pelo Brasil. Façam o seu pedido pelo site da editora ou aguardem a venda por aqui ou ainda em sua cidade.
Link:

Abraços
Cristiano Melo

sábado, 21 de novembro de 2009

Sétimo andar

Há algo de estranho,

Sim, há algo de estranho!

Virar a cabeça e não conseguir ver nada

Aguçar o ouvido e não ouvir patavina.


Os sentidos embriagados por barbitúricos e álcool,

Álcool e mais barbitúricos,

Há algo de estranho quando tenta se aliviar com cortes

Navalha afiada, pele desfiada.


Há alivio na dor do profundo?

Os sentidos desaparecem,

A brasa do cigarro já queimou a face

Relance de uma cicatriz, marca ao mundo.


Há algo de estranho,

Não, não há, ou há?

Álcool, mais álcool, mais cortes

Mais cicatrizes futuras.


Defunto ainda vivo com urubus ao ar,

A foto do porta-retrato rasgada,

A janela escancarada do sétimo andar

Ninguém para telefonar.


Sim, algo perece junto aos sentidos,

Não se ouve, vê, sente, degusta ou cheira

Só a cor do sangue pisado, coagulado

Dos cortes e das queimaduras.


Ninguém para lhe ouvir, tudo quieto,

Os gatos com comida para meses

E as reses vão para o abate, sem sentir

Há algo de estranho em que se joga do sétimo andar?



Cristiano Melo, 21 de Novembro de 2009.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Encontro

Um frio na barriga aponta a ansiedade

A saudade de conversar e te olhar

Não afugenta o medo da impotência

De te ter uns minutos ao meu lado, na minha frente


O tempo passa lento nessas horas

Esperar não é pra todos algo sem importância

A ânsia come pelos pés, e tu não chegas

Ao contar dos segundos, pra te ver defronte.


Um remédio poderia ajudar, respirar, meditar...

Mas o Tempo, os segundos, o tempo, tic tac

Cada martelada no meu estar ali sentado

Tomando café enquanto não chegas.


O atraso já passa dos sete segundos

Ao badalar dos sete minutos irei embora

Não vens neste tempo de angústia

Vou-me com a boca do estômago a doer.


Não, não sou ansioso, as pessoas que atrasam

O tempo amarga o fel de ser

E o meu relógio interno é bruto

Vou pra luta de luto, adeus!



Cristiano Melo, 17 de Novembro de 2009.

sábado, 14 de novembro de 2009

Ser e Existir

O eu de meu ser

É o mim de mim

Ou o eu de eu?


Ser o meu eu

É ser mim mesmo?


Se o meu eu é o mim

Mim ser eu

Eu ser mim...


Eu é mim

Mim é eu

Verbo ser que identifica!


Quem sou eu além de mim mesmo?!


Existir...

Sim, existo em relação

Só posso ser eu com o ti.


Sou eu contigo

Não existo sem ti

Tu não existe sem mim...


Verbo existir que identifica!

Tu existe em mim

Eu existo em ti.


Quem existe em ti além de mim?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Já é tarde

Lembre-me mais tarde

De que o Sol já se pôs.


Lembre-me mais tarde

De que o agora já foi.


Lembre-me mais tarde

De que não me amas mais.


Lembre-me mais tarde

De que já não sou jovem.


Lembre-me mais tarde

Só mais tarde.

De que a tarde já é tarde.


Cristiano Melo, 07 de Novembro de 2009.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Border

Arquear a brasa acesa do cigarro

Pendente ao calo que murcha.

Espancar a parede, simulacro de tua cara

Ausente no presente, presente no passado.


Estacar farpas embaixo da unha

Conspira a dor de tua alcunha.

Esfolar a pele, pedaço por pedaço,

Da pira ardente do poço demente.


Não chega a apontar caminho...

Sim, talvez possa

Não, não pode!

Caminhos, bem-vindos, são quimeras.


A era de ser compreendido

Joga a pura certa certeza, fodido!

Olhos trocados na dupla visão

Ao cerco fechado a mão.



Cristiano Melo, 30 de Outubro de 2009.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Canção da repetição

A repetição, a repetição...

Ativa negação,

Passiva relação e tantos “ãos”

Faz nascer esta canção.


Não, eu não quero seu peito

Sem leite para chupar veneno.


Não, eu não quero seu colo

Com espinhos para furar meu lenho.


Não, eu não quero sua culpa

Disfarçada de remorso cristão.


Repete anda repete

Caminha repele caminha


Choca o ovo da serpente

Aduba a erva daninha.


Acredita, é verdade, de tanto repetir

Que a realidade não vai lhe tocar.


Sim, as escolhas foram feitas

No chapisco do muro de cimento.


Sim, a cama foi desfeita

No momento da brecha pela fechadura.


Repete anda repete

Sem caminho anda e repete


Repete, anda!

E acredita na sua verdade.

Louca e demente realidade,

A mentira é a verdade.


Pura e simples,

Dura e simples.


Duelo da canção

Quem tem razão?

Realidade ou verdade?!

Acredite no que lhe couber.


Cristiano Melo, 28 de Outubro de 2009.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Poema desperto

Curvas ciliares apertam os olhos do escritor

A nicotina e a cafeína dão o contraponto

Sono que vem com peso desmedido

Palavras soltas na sonolência indolente.


Qual soldado desperto no fronte

Não se subjuga ao sono desperto

Escreve mais uma linha sem sentido

Um poema sai neste estupor.


“Quero a rosa mais bonita”,

“O amor é uma coisa doce”,

“A Lua sobe no horizonte”,

“Não posso viver sem você”.


Quando irá despertar desta soniloquencia?

Ó poeta da masmorra em chamas?

O fogo sobe rápido sem árbitro

E você num débil sono profundo.


Acorde!


Cristiano Melo, 22 de Outubro de 2009.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Surto

Surto,

Surtas,

Surtimos?


Surtir,

Surto,

Sorte?


Surtado!


Cristiano Melo, Outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Revista Cultural Novitas 2


Já está disponível a segunda edição da Revista Cultural Novitas.



Participam dessa edição:

David Nóbrega - opinião - A cultura do paliativo
Daliana Cascudo Roberti Leite - ensaio - Luís da Câmara Cascudo: Um provinciano incurável
Banda Back - música - História da banda por Thiago
- Poesia -
Leonardo Schabbaci - Humanidade
Cezarina Caruso - Último ato
José Fernando - Vadia
Alexandre Câmara - Um gosto de ânsia na boca
Anna Ribeiro - Noite
Rosemari - Cálice Derramado
David Nobrega - Só
Marcos de Andrade - Porque é natal
Eduardo Manciolli - Desespero
Joe Brazuca - Acróstico do boi premonitório
Hercília Fernandes - Falácias de amor

Douglas Zimmermann - cartoon & cia
Matheus Costa - na tela - Os "intelectuais querem a crise na televisão e teledramaturgia
- Contos, Prosas e Crônicas -
Ricardo Porto - O auto do padre Antônio
Tatiana Cavalcanti - Eu queria mais uma chance
Flávia Brito - (A) Parte
Madalena Barranco - O mirante dos aviões
Alex Sens - HI-FI
Cristiano Melo - Teodora
Lú Cavuchioli - De cimento e sangue

- Entrevistas -

- Bartolomeu Campos de Queirós
- Grace Olsson

- No twitter da editora -

@mariliamonteiro , @microcontoscos , @CharlesHenrique , @lipevivas , @matesca , @manciolli , @VeraLuciaDutra
@carolzita_eu , @zeroig , @denisonmendes , @Peagalves , @gustavocarmo , @caiocito , @bia_martinss , @vanluchi
@janlamour , @christianoMJ , @gloriadioge , @eryroberto , @prosapolitica

Isiara Caruso - viagem - Um Passeio em Buenos Aires

sábado, 17 de outubro de 2009

No Mural do Escritor do Empório Literário


É com imensa alegria que a divulgação de meu livro começa a aparecer.
A Lu e a Rosi, gentilmente me colocaram em seu espaço "MURAL DO ESCRITOR", do blog "Empório do Café Literário", espaço cada vez mais consolidado onde se trocam informações e conteúdos de escritores.

Muito obrigado!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saudade

Morder o lábio cor de rubi

Com o perolado dos dentes

Na hora em que você partia...


Leve dor que divide

A alegria da incerta saudade.


Sorrir por entre selos

De sorriso apertado e amarelo

Na hora em que você partiu...


Alegre calor que invade

A dor da certa saudade.



Cristiano Melo, 15 de Outubro de 2009.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

BRAÇOS ABERTOS - EM BREVE






É com grande alegria que mostro o primeiro layout do meu primeiro livro em versos e prosas que publico sozinho. Compartilho com vocês meus amigos, leitores e inimigos (claro que não me esqueço de ninguém)...rs. É para e por todos vocês que minha inspiração me faz escrever e então um MUITO OBRIGADO a todos.
O livro estará pronto em breve e, tão logo me organize, farei lançamentos em algumas cidades, desde já digo as que pretendo, fora outras que ainda posso receber convites...hehe. Brasília-DF, São Paulo-SP, Eunápolis-BA, Alto Paraíso-GO, Goiânia-GO, Belo Horizonte-MG e talvez Porto Alegre-RS.

Um agradecimento todo especial à paciencia de meus editores David e Tita da Editora Novitas e a Bea, minha amiga que me deu a honra de escrever a contracapa, a vocês meu MUITO OBRIGADO especial....

A BRAÇOS ABERTOS

Lançamento da II Coletânea SCRIPTUS


A Editora Novitas lança ainda neste mês, ou no começo de Novembro de 2009, a sua segunda coletânea em verso e prosa de quinze autores, da qual tenho a honra de participar, vejam mais sobre o livro no site da editora e logo logo estarão à venda para os leitores.

Obrigado

Cristiano Melo

Tecidos da vida

Para o dia das crianças

Tecido carmim,

Linho engomado,

Sonho engolfado.


Boneca quebrada arranha

A aranha do vil cetim

Guardada na recordação.


Cama abandonada, desfalecida

Viva e morta

A criança chora.



Cristiano Melo, 12 de Outubro de 2009.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sparkles

Did you ever see the light?

the same sparkle that came of your eyes

when i look at them right?!


L'amour explain these keyes

or simply destroy real truth

that love is not a simple game.


Look in the mirror and sees his face?

then watch closer, what do you see?

some glimpses from your soul child, blinking...


The world is bigger then that skill

is true in this, my litlle child?

you tell me, and i can create a shield.


Love is nothing, hate so little.

only reality is esteem built.

by yourself, mire the mirror and see...

glimpse sparkles at light.


It's you, no one else,

just you light's eyes.

Cansaço

Primeira tentativa de um poema em outra língua

I'm tired
grass gray
what capped.

Path through thorns
released by elves
do not stop his ways.

Yes, tired, very tired
man and woman patient
does not think the other side.

Hikers wander down the same path
there is no plan for a world
without realizing the weed
that springs from his innermost fund.

I'm tired
and only!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pensamentos


―Estive pensando...

―No gerúndio?

―Não seu crítico chato!

―Desculpa, diga.

―Não consigo parar de pensar...

―Lá vem...

―Eu queria tanto parar de pensar.

―Então para, ué?!

―Mas não consigo, o pensamento fica aqui, girando, girando...

―Gerundiando?

―Humpf!

―Desculpa, desculpa, continue...

―Se eu parasse de pensar, se pelo menos não ficasse circular assim.

―Seu problema é que você pensa muito.

―Mas não é disto que estamos falando?

―...

―E não me corte com essa de gerúndio...

―Ok, ficarei escutando!

―Pois sim, seu chato, fico aqui rodando o pensamento e não chego a lugar algum.

―Não disse que você pensa muito?

―Entenda, não é pensar muito, é pensar a mesma coisa...

―Ah!

―Assim eu poderia retomar a minha vida, sabe?!

―Sei.

―Poderia voltar a fazer as coisas que gosto e não ficar aqui paralisado conversando com...

―Com quem?

―Comigo mesmo.

―Mas não somos a melhor companhia?!

―E há jeito?

―Não, só se você parasse de pensar um pouquinho...

―Tá vendo!

―O quê?

―Preciso parar pra continuar.

―Mas se parar, não para?

―Não, se eu parar de pensar, eu vou pra onde quiser.

―Quer tentar?

―Quero.

―Então comece!

...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Teodora

REPUBLICAÇÃO

Afugentava demônios da cabeça, como quem espanta mosquitos de uma ferida. Há algum tempo, desde que Teodora lhe deixara, ficava às voltas com pensamentos e lágrimas. O apartamento agora um tanto bagunçado, mas mais vazio, lhe trazia a realidade da falta. Falta de Teodora, ou do que ela representava dentro dele, “será que amamos uma pessoa em particular, ou é algo interno que imputa o sentimento a quem quer que ocupe tal local?” divagava pelado andando pelo apartamento em ruínas. “Local... Ruínas... Amor... Te-teodora...” Fincavam os pensamentos como estacas no seu cérebro, mais círculos a mais, rodopios dos demônios-mosquitos em cima da ferida, e refletia um pouco mais: “pensava que a ferida de uma separação seria no coração e não na cabeça, mas estes mosquitos, piolhos, vermes, estão presos é na minha cabeça, será que o coração é a cabeça?”. Zonzo, não pelas espirais de pensares, mas da cachaça mineira que tomava gelada, e que já estava na segunda garrafa, em meio a um remedinho aqui, outro ali, zanzava como os seus pensamentos piolhos, “devo ser um inseto, Teodora me deixou porque sou um inseto!” afirmava isto com o dedo em riste para cima enquanto sentava no sofá verde-água “detesto esta cor de merda, cor fresca, nem a cor de meus móveis pude escolher, era tudo Téo, Téo, Téo... Teooooooooô, volta pra mim, volta, prometo que gosto de verde”, gritava baixinho para não incomodar os vizinhos “Téo!” e nenhuma resposta, nem uma companhia, além dos seres na sua cabeça. “Anjos ou demônios? Mosquitos ou piolhos? Saiam daqui, me deixem parar de pensar, porra, me deixem e quem sabe a Téo volte, vocês é que a assustaram, suas vozes que ficam aqui dentro.”, e se encaminhava para a porta numa tentativa de fugir de si. Quase chegava nela, na porta, depois de tropeçar no resto de móveis do apartamento arruinado, quando ouvira alguém bater à porta: “Téo”? Perguntaram do corredor do outro lado da porta. “Teodora?” repetiram. Téo respondeu com uma voz afeminada: “espera um pouco!”. Voltou pelo mesmo lugar bagunçado, agora tinha mais mobília e já adorava o sofá verde, foi ao quarto, pôs uma peruca negra corte Chanel, um robe de seda com estampa asiática, um par de chinelos em formato de coelho e foi ter à porta. “Quem é?”, perguntou. “Sou eu”, uma voz grave respondeu. “Volte mais tarde, estou ocupada...”, tentando se equilibrar apoiado na parede. “Mas eu te amo!!!”, a voz assumia algo de doçura. “Você sabe matar piolho?”, perguntou Teodora.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Do you believe in God?

A árvore junta sangue da veia
Corpo estirado, pistola fumegante
Sujeito e objeto do verbo matar e morrer,
Grades guardam o sujeito que encontra a Palavra!

A Palavra salva, o sujeito sorri
Não matou nem o objeto morreu
O pastor e o bispo lhe asseguram
Deus é clemente, peça perdão!

O traficante e consumidor
Da dor do crack e merla
Acredita em Deus, "Ele vai me redimir"
Depois da última tragada, a última...

Pedófilos culpam o moralismo
É apenas modismo da sociedade,
Deus está na sua cabeça e vítima
Abuso só o de não crer, Deus é pai!

Sujeitos, objetos e a Palavra,
amálgamas de um moralismo endeusado
Deus é mais, é pai e perdoa tudo!
E você?!
Do you believe in God?


Cristiano Melo, 01 de Outubro de 2009.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma vida mediana




Ao nascer era homem:

Pra descontentamento do pai,

Pra indiferença da mãe.


Aos cinco anos de idade jogava xadrez.

Era orador da turma da alfabetização,

Encenava peças de teatro.


Na adolescencia pendia o primeiro beijo:

Pra descontentamento do pai,

Pra indiferença da mãe.


Aos trinta anos de identidade o mundo lhe era acessível.

Era um dândi crítico baudeleriano,

Amigos e inimigos o rondavam feito moscas ou fadas.


Na maturidade era independente:

Pra descontentamento do pai,

Pra angústia da mãe.


Aos quarenta anos de alteridade a carreira lhe tinha chegado.

Anestesiado na vida que julgava sua,

Sem um afeto real ao seu lado.


Na terceira idade era amigo do sofá:

Pra o jazigo do pai,

Pra loucura da mãe.


A vida mediana o levou ao fim.

Corta a carne, fundo, pra lavar a alma,

Supurada, necrosada desde o nascimento.


E mais um, de vida limítrofe no meio,

Em meio aos seus pares disformes,

Não sabem ascender, e sim, cadente cair em si.


Qual o sentido da vida?

Responde o homem mediano em agonia:

Não tem sentido!


Cristiano Melo, 01 de Outubro de 2009.

Se...

Se, em alguma parte da vida que adentra o caminho,

Encontrar perfumado com pétalas de jasmim,

Corajoso, enfrentar o meu lado escuro devagarinho,

Vetusto, olhar-me pela janela da alma em mim.


Se, em guarida, em guarda, quebrar o pergaminho

Aleijado, compreender-lhe sua parte hostil de mim

Desafogado, lançar-me na direção de um bom vinho

Monstruoso, o peito, a face, o queixume de sim.


Faca corta a artéria da matéria no gargalo

Da lâmpada do genioso gênio teimoso

Refestelado com o desejo não cumprido.


Afoga a parca na poça d’água do falo,

Enforca a codorna no estrumo gostoso,

Apunhala o porco ditoso no seu grito.


Se, em algum momento, este tormento cede, cai.

Vai!



Cristiano Melo, 30 de Setembro de 2009.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Alteridade


O tesouro da idade das referências,
O que seria da ideologia sem a teoria
Ou da identidade sem o seu idioleto!

Espelhar, refletir, autenticar a fria
Afinal é o acaso do ocaso dileto
Ou o ocaso do acaso de dependências?

Ver-se no outro, atado ao fato gutural
Desgrega o verbo em adaga letal
Donde se vem o corte do univitelino.
Soberba falácia fálica grafa tino.

Sim, ou não, moeda de uma face marsupial
O talvez encerra, descerra a vista libertino
Um e outro, de frente e de costas enfrentam dorsal
A mente da alteridade desfeita pelo Destino.

Cristiano Melo, 29 de Setembro de 2009.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O elefante e a dália

Sim, não se sabia o porquê daquilo,

O elefante se escondia atrás de uma dália,

Poder-se-ia dizer que a tromba escondia a genitália,

Talvez, quisesse no seu subconsciente, amostrar o escondido.


Quem passasse por ali veria uma fantasia,

Um ser visível, intentando a invisibilidade.

Desconsertados, não olhavam e o elefante sorria,

Não, ninguém sabe de meu segredo à mostra e finalidade.


Tempo ecoa brisa nas pétalas

Elefante amedrontado

Folhas desonestas.


A tromba, a flor e o segredo ditado

Atado da cegueira de bestas,

Dália despetala de fato.



Cristiano Melo, 24 de Setembro de 2009.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A partida








Sim, sorria para aquele doente,

Levava lata de cerveja, gelada

Os dedos salientes na fronte

A vã recompensa aguardada.


Ébrio, passeava a mão gordurosa

O óleo da fritura do domingo

Na carne da filha dele, gostosa...

Fartas carnes fritas, inimigo.


Não, queria ir embora dali

Criança que era, pura e impoluta

Sujada pelo doente javali.


Talvez, tenha chorado, puta

Quando saltou da cobertura,

E a carne escorria o fel, jaz ali.



Cristiano Melo, 22 de Setembro de 2009.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

As Letras

A letra A, orgulhosa por ser um artigo definido que ao indicar a si mesma, vira uma poesia concreta, dialogava com outra letra que se orgulha por também gerar a mesma situação: O artigo O.

-Tenho certeza que sou mais utilizada, pois defino os substantivos de gênero feminino.

-De que adianta ser mais utilizada se eu defino os substantivos masculinos e, assim, tenho mais poder...

-Poder? Ora, faça-me o favor, isso é machismo...

-Machismo? Não! Sou realista e depois machista é você!

-Você quem disse determinar gêneros primeiro que eu...

-Ah que ladainha mais sem futuro, sou a A, começo do alfabeto e você é só o O!

-Por que sou só o O?

-Porque tá lá no meio do alfabeto...

-Mas nós dois juntos, somos os artigos definidos, você não é melhor que eu.

-Bem, podemos discutir quem é mais importante se quiser, e eu lhe provo.

-Ai que preguiça!

-É sempre assim, chamo para discutir e você foge...

-Não sou casado com você minha filha, deixa de ser chata.

-Casados? Não mesmo. Sou simplesmente melhor que você.

-Ai ai... Como é que uma letra se sente melhor que outra?

-Peraí, não traga os artigos indefinidos pra essa conversa.

-?

-Não sou “uma” letra, sou “A” letra.

-Desisto, sabe... Você é muito egocêntrica, vai lá pro começo do alfabeto vai, que é que tá fazendo por aqui no meio?

-Volto já, só quero que me dê razão?

-Dar-lhe razão? Você é chata, egocêntrica e louca...

-Sou não, ó!

-E não leva meu nome em vão!

-Mas...

-Volte já pro seu canto, o escritor já vai começar a nos agrupar.

-Quem disse que é um escritor e não uma escritora?

-Ai ai, honestamente, você já me tirou do sério, se não fosse do gênero feminino...

-Que iria fazer? Bater-me? Seu gordinho... Sua bolinha!

-Ora, não me provoque, sua pernuda.

-É tenho pernas mesmo e posso lhe esmagar.

-Chega, vou rolar em cima de você.

-Vem, seu gordo!

E a guerra dos sexos entre as letras A e O continuava, e das suas brigas violentas, surgiram manifestações de todo o alfabeto que até então estavam calados e pasmos, houve quem concordasse com A ou com O, e o alfabeto todo começou a brigar. Desta briga surge então mais um escrito, uma estória, que foi contada e recontada ao longo de eras, sobre as letras que iniciaram uma batalha, mas findaram em paz, talhadas num papel, conjugadas com as outras letras e acabou por inspirar um conto ao escritor que a tudo presenciou, na leitura quase audível desta confusão, no seu hábito de ler.

Nesse instante, sua mulher acordou e começou a argumentar que ele não fazia nada além de ler e escrever e que viajava muito no mundo das letras, que precisavam ser mais objetivos para poder viver no mundo real. Começou então uma nova discussão. E a guerra foi ouvida no mundo das letras, saíram então os mediadores, imbuídos de trazer paz a esta estória entre os mundos, literário e humano, as letras F, I e M.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sujeito

O andar apressado galgando metros,
A moça na janela arregaça dentes amarelados,
O cachorro late enforcado na coleira,
O sujeito anda, caminha numa quase carreira.

Não conhece o destino, aonde chegar,
Observa a aquarela de vida ao seu redor,
Não para, continua, sem saber por temor,
Percebe, apenas, que algo virá.

Objetos diretos lhe acenam alegres,
Os indiretos lhe olham enviesado,
Onde andará o verbo entrementes?

A moça fecha a janela em estampido,
O cachorro urina nas sementes,
O sujeito continua calado!

Cristiano Melo, 14 de Setembro de 2009.

domingo, 13 de setembro de 2009

Cuspido

Entre o dente e o lábio inferior,
Há a saliva vinda da parótida.
Misturada com as demais glândulas,
Forma-se o cuspe protetor.

O mesmo cuspe que demonstra desgosto,
Escárnio, repulsa, vergonha e horror,
É o mesmo que lubrifica partes do amor,
Carnal, vá lá, mas não sem pudor deposto.

Cuspa
Cuspa
Cuspa...

Cospe
Cospe
Cospe...

Agora, engole o cuspe salivado,
Escarrado da fétida palavra
No bruto rosto por ti untado.

Glossite carniça a puta letra,
Engolfada úvula detido
Palato mole, sim, mole enfrenta.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sonho e Realidade


O Sol fustigava o rosto do homem nu que respirava, na cama, preservativos usados, calcinhas rasgadas, restos de uma noitada. Ao tocar do telefone, pela sétima vez, o homem de ressaca procurava o aparelho por entre os cobertores, sem abrir os olhos, “tenho algo sério para lhe contar”, falava uma voz embargada do outro lado, que o homem reconhecera ser de sua irmã, “nosso pai faleceu”, e, no silêncio do minuto que se passou, que pareceram anos, o homem não respondeu, desligou o telefone e voltou a dormir e sonhou. Sonhou que, na sua infância, o pai o espancava, era alcoólatra e violento, motivo que o levou a mudar de cidade e ter a vida mundana que encenava: sem compromisso, promíscua, alcoólatra e deprimido. Acordou com um nó na garganta, de tanto cigarro da noite anterior e do sonho real que tivera. A cabeça doía tanto do álcool entornado quanto da notícia, não conseguia refletir, o quarto e a cama giravam e subiam e desciam como numa montanha-russa, vomitou. No vômito, pedaços do resto dos petiscos e da vida que levara e levava. Não parava de vomitar, quando o telefone tocou de novo, dessa vez era a voz de um homem “estou lhe esperando”, era a voz de seu pai, jogou na parede o aparelho e parou de vomitar, olhou pra cabeceira da cama, garrafas vazias, carreiras de cocaína e cartelas de psicotrópicos. Sim, o homem teve certeza, era uma “viagem torta”. Ao se levantar viu o seu corpo, e o seu pai que lhe estendia a mão o aguardava.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Esculacho e Simpatia: E-mail aos senadores

Esculacho e Simpatia: E-mail aos senadores: "©Marcos Pontes
by Marcos Pontes"

Caros leitores e amigos, a mordaça anda solta nos meios de comunicação, bom fazer algo e não apenas reclamar ou assistir o circo "não pegar fogo" ou aplaudir show pirotecnico francobrasileiro... A receita de circo para deixar o povo inerte é mais antiga que construir o Coliseu. Este espaço é dedicado a arte e observar o que se acontece no cenário político de nossa nação, sem fazer nada é não fazer arte. Façamos uso de nossos talentos então. VAMOS FAZER ARTE! NÃO À FALTA DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO!!!!
Leiam o texto do link do Marcos Pontes e tomem suas posições.

Abraços Abertos

Cristiano Melo

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fobia

O desejo vence o cansaço!
Entrementes, o verme, entrevado, continua
Na carne querente de avanço.

O cansaço vence o desejo!
Sobretudo, a carne, passiva e seminua
Deixa-se ao verme em festejo.

Dançar sob a Lua,
Nu em pelo
Só mais um apelo
Sem voz nenhuma.

Correr em pleno dia
Escroto solto balança
Nudez que não avança
Leva preso sociofobia.

Quer descansar e desejar
Talvez agora consiga
No leito atado, drogado,
Apartado do verme que lhe comia.

Cristiano Melo, 03 de Setembro de 2009.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Natureza Viva


banner do filme "Shark Water" de Rob Stewart sobre a extinção dos tubarões



A ave leva no bico o início da letra
Compõe a sonora expressão da natureza
Encerra a sabedoria na pena preta.

A formiga corta o alimento do coletivo
Burburinho no caminho de encontros
Antenas tocam outras num som instintivo.

O pinguim eleva a cabeça e solta o berro
Assusta quem não conhece o tom
Identifica o par que o qualifica terno.

A baleia canta no mar aberto
Óperas de uma enorme diva
Dócil maestria de peito aberto.

Bichos e mais bichos fazem o som
A musicalidade está na natureza
E o bicho homem aperta o botão.

Quem é o animal?

Cristiano Melo, 27 de Agosto de 2009.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ciência cartesiana

Ciência cartesiana,
Do verdadeiro ou falso,
Valida uma hipótese
Torna-se um pressuposto.

Métodos e metodologia
Verdades absolutas
Criam o que não existia
Assim se torna ciência.

A racionalidade é o imperador
Do reino acéfalo de uma só mente
Não se pode pensar diferente.

Sim lhe tratam como oráculo, acadêmico sem pudor
Crianças impetuosas, julgadores do somente
O humano aguarda atônito o momento da dor.

Cristiano Melo, 24 de Agosto de 2009.

domingo, 9 de agosto de 2009

Viagens


Fadas e gnomos dançam rituais frente à fogueira
Alucinógeno de cogumelo com zabumba.
Anjos e demônios pairam na tumba
Bebida furta a percepção derradeira.

Desenhos animados brilhantes e coloridos
Baseado de maconha prensada malhada
Trismo em meio a tagarelices, dentes moídos
Pó branco cheirado pela narina sangrada.

Viagens que levam de um lugar
Para outro, que não é o mesmo
Poder-se-ia dizer sem sair e viajar.

A saúde, a violência, o menino morto a esmo,
Não afetam a viagem no jantar
O consumo, indiferente, continua o mesmo.

Cristiano Melo, 09 de Agosto de 2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Jangadeiro


Vela veloz leva o jangadeiro
Verdes mares do nordeste brasileiro
Guaridam suave o seu deslizar
No horizonte o sol a despontar.

Alto-mar, varas, anzóis e tarrafas.
Mar bravio, peixes, lulas e lagostas.
Irmãos, na jangada, algazarram tarefas
Meio de vida, meio de tapa nas costas.

Saem de noite, voltam com as estrelas
O trabalho queima a carne batida
A mulher e o filho aguardam a pescada.

Cultura secular, por antepassados e janelas
Aprende-se a ser jangadeiro na lida
Honra, cachaça, mulher bonita e velas.

Cristiano Melo, 07 de Agosto de 2009.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hóspede

O hóspede a quem acolhe com respeito,
Alegre, lhe dá a própria cama, desprendido,
Acorda da embriaguez para ir ao evento
Divide a comida e a intimidade do cotidiano.

Amigos de décadas, em conversas de bares
Sempre com uma multidão, nunca em dupla.
Descortina-se a fantasia da dentada nos calcanhares,
Da jugular exposta úmida e múltipla.

Hospedar quem acha que conhece
Abrir a casa ao ser que sorri falso
O rancor lhe desfere palavras sem prece.

Dos cacos soçobrados no cadafalso
Jaz atônito o hospedeiro precoce
Pelo ataque torpe do amigo falso.

Cristiano Melo, Julho de 2009.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Demencia e Larvas ou Larvas e Demencia

Larva que vaga lenta e rapidamente
Dentro de tua mente.

Consome paciente e voraz
O pensamento audaz.

Cabeça infestada de bichos
Estimulam teus caprichos.

Escondida e visível secreção
Espalha a doente disseminação.

Contaminante, cambaleias sem rumo
Esbarras nas mesmas sem prumo.

Tiro, envenenamento, suicídio
Não é capaz de acabar o martírio.

As larvas consomem
O resto do homem.

Cristiano Melo, Agosto de 2009.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Você é de...


-Você é de direita!
-Você é de esquerda!
-Claro, eu sou a mão esquerda.
-E eu a mão direita, e o ser é destro.
-O ser é coletivo.
-Não lhe disseram que isso é passado?
-O coletivo não morre.
-Nem o individual e a sua livre iniciativa.
-Sua mão reaça!
-Ora, sua mão esquerdista, terrorista!

A Cabeça:
-Que é isso mãos, parem de brigar
-Foi ela que começou.
-Não foi ela.

As mãos direita e esquerda começaram uma guerra e o corpo não conseguiu separá-las, a cabeça assistiu a tudo sem dizer mais nada, as pernas não iam nem vinham e o ser ficou ali, paralisado, enquanto a direita e a esquerda travaram uma batalha que não levava a lugar algum, só à imobilidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Alma ferida

A alma está ferida,
Dilacerada pela carne,
Cortada pela raiva contida,
Brinquedos de fome.

A essência inconsciente iluminada,
Não dá luz ao boneco manipulado,
Daí o corte se dar na fonte, maculada.
Desejar o bem ao inimigo é um fardo.

Mas se queres uma alma limpa,
Saudável e em expansão,
Há de se ter esta expressão.

Dir-se-ia pura bobagem de tampa,
Perdoar a quem lhe fere o coração,
Sangra então alma, e cria a sua estampa.

Cristiano Melo, 03 de Agosto de 2009.

domingo, 2 de agosto de 2009

SELO - "Esse blog mexe com meus sentidos"


Recebi este selo do James Penido do blog Minha Literatura Agora, o selo "Esse Blog Mexe Com Meus Sentidos".
Regulamento:
1)-Indicar os 10 blogs que mexem com seus sentidos;
2)-Dizer 5 coisas que mexem com seus sentidos nesse momento;
3)-Linkar quem te deu o selo e exibir no blog.
Meus indicados são (em ordem alfabética):
1- "Angélica T. Almstadter" da Angélica
2- "Benny Franklin" do Benny
3- "Compulsão Diária" da Bea
4- "Graça Graúna" da Grauninha
5- "Ivan Cezar" do Ivan
6- "Joe Brazuca" do Joe
7- "Longitudes" da Nydia
8- "Múltiplas Realidades" da Nanda
9- "Olhos de Folha Minha" da Cíntia
10- Para todos os demais blogs que visito diariamente, e os que já foram indicados pelo J.
5 coisas que mexem com meus sentidos nesse momento:
1- alegria;
2- tristeza;
3- confiança;
4- desconfiança;
5- poesia.
Obrigado J.

sábado, 1 de agosto de 2009

Valsa de letras

Não sou
És sim
É talvez.

Talvez tenha
Sim, tens
Não tenho.

Ser o ter,
Ter o ser.

Não,
Sim,
Talvez,
Se seja e tenha algo.

Até lá,
Dancemos a valsa do indefinível.

Cristiano Melo 01 de Agosto de 2009.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A carta


Vômito indômito
Jorra de sua arca
Bosta diarréica
Lambuza frêmito.

Invejoso belicoso
Bactéria virulenta
Imbecil jocoso
Carne pútrida.

Inimigo revestido de amigo defeca sua estirpe
A carta mal escrita engolfa minha libido
O cheiro de cada letra afronta meu calibre.

Desejo de devolver, por minha educação, contido
Vontade de esmurrar sua cara pobre,
Ao silêncio combalido, chegará o dia do grito!

Cristiano Melo, 29 de Julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sem sentido



Levantem-se hominídeos, ergam suas taças,
Brindem ébrios ao som das batucadas encaixotadas.
Regozijem-se às vitórias mentirosas contadas,
Ergam alto o braço viril contra as ameaças.

A nação está coesa,
A guerra longe está,
Atarraxa o lenço na presa,
De onde não saiu de lá.

Vertam palavras de ordem
Na alegria dos seus irmãos de arma,
Estuprem a moça de ontem, sem carma.

Ocupem as ruas com suas mãos,
A paz dos números lhes convém...
Fugir da História? Isso não!


Cristiano Melo, 28 de Julho de 2009.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Teodora


Afugentava demônios da cabeça, como quem espanta mosquitos de uma ferida. Há algum tempo, desde que Teodora lhe deixara, ficava às voltas com pensamentos e lágrimas. O apartamento agora um tanto bagunçado, mas mais vazio, lhe trazia a realidade da falta. Falta de Teodora, ou do que ela representava dentro dele, “será que amamos uma pessoa em particular, ou é algo interno que imputa o sentimento a quem quer que ocupe tal local?” divagava pelado andando pelo apartamento em ruínas. “Local... Ruínas... Amor... Te-teodora...” Fincavam os pensamentos como estacas no seu cérebro, mais círculos a mais, rodopios dos demônios-mosquitos em cima da ferida, e refletia um pouco mais: “pensava que a ferida de uma separação seria no coração e não na cabeça, mas estes mosquitos, piolhos, vermes, estão presos é na minha cabeça, será que o coração é a cabeça?”. Zonzo, não pelas espirais de pensares, mas da cachaça mineira que tomava gelada, e que já estava na segunda garrafa, em meio a um remedinho aqui, outro ali, zanzava como os seus pensamentos piolhos, “devo ser um inseto, Teodora me deixou porque sou um inseto!” afirmava isto com o dedo em riste para cima enquanto sentava no sofá verde-água “detesto esta cor de merda, cor fresca, nem a cor de meus móveis pude escolher, era tudo Téo, Téo, Téo... Teooooooooô, volta pra mim, volta, prometo que gosto de verde”, gritava baixinho para não incomodar os vizinhos “Téo!” e nenhuma resposta, nem uma companhia, além dos seres na sua cabeça. “Anjos ou demônios? Mosquitos ou piolhos? Saiam daqui, me deixem parar de pensar, porra, me deixem e quem sabe a Téo volte, vocês é que a assustaram, suas vozes que ficam aqui dentro.”, e se encaminhava para a porta numa tentativa de fugir de si. Quase chegava nela, na porta, depois de tropeçar no resto de móveis do apartamento arruinado, quando ouvira alguém bater à porta: “Téo”? Perguntaram do corredor do outro lado da porta. “Teodora?” repetiram. Téo respondeu com uma voz afeminada: “espera um pouco!”. Voltou pelo mesmo lugar bagunçado, agora tinha mais mobília e já adorava o sofá verde, foi ao quarto, pôs uma peruca negra corte Chanel, um robe de seda com estampa asiática, um par de chinelos em formato de coelho e foi ter à porta. “Quem é?”, perguntou. “Sou eu”, uma voz grave respondeu. “Volte mais tarde, estou ocupada...”, tentando se equilibrar apoiado na parede. “Mas eu te amo!!!”, a voz assumia algo de doçura. “Você sabe matar piolho?”, perguntou Teodora.


Cristiano Melo, Julho de 2009.

domingo, 26 de julho de 2009

Garota da W3

Beatriz M. M.


Poema inspirado em Brasília e na musa B. M. M.

A garota na W3 Sul rebolava,
Com seu terninho preto básico,
Scarpin vermelho contrastava,
Em meio ao passeio público.

De súbito, não acreditei, afobado
Com olhos castanhos, ela me olhava
No seu rebolado mais afetado,
Aliviava a seca que a pele rachava.

Na altura da 9, estávamos quase juntos,
Os olhares parados como de defuntos,
Eu de jeans, tênis e camiseta,
Ela executiva, eu um pessimista.

Quando, debaixo da marquise,
Os carros soltando fumaça,
Árvores no meio da avenida,
Paramos e ela abriu a boca:

-O senhor está com cocô de pombo na cabeça!

Cristiano Melo, 26 de Julho de 2009.

sábado, 25 de julho de 2009

Os Dois

Inspirado em conto de Caio Fernando Abreu

Falam dali e d’acolá,
Eles deviam se encontrar.
Será?

De uma mesma amiga,
Um saía enquanto o outro chegava
E nunca se encontravam.

Um cuidava do jardim da amiga,
O outro conversava sobre política,
E o desencontro durava década.

Até que um dia, a amiga aniversariou,
E aos dois convidou,
Foi juntar água e água.

Mesmo que dissessem que os dois tinham a ver,
Muitos debocharam do fato
Outros acharam um barato.

Aqueles dois, como uma vez escreveu o Caio,
No seu “morangos mofados”,
Não foram demitidos do trabalho.

E, com o apoio da amiga e de outros,
Tornaram-se amigos amantes
E hoje, são namorados.

Mais uma estória de amor (?)

Cristiano Melo, 25 de Julho de 2009.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Amizade


dedicado a Beatriz M. M.


Há anjos, disfarçados de humanos
Que entram em nossa vida sem alarde
Mas logo se faz amizade
Durante as seqüelas dos anos.

Há demônios, disfarçados de anjos
Que entram em nossa vida com alarde
Insinuam uma amizade de arcanjos
Até apunhalar sua amizade.

Diferenciá-los é complicado,
Como o é aceitar o metal enferrujado
Enterrado até a sua alma,
Enquanto seu real amigo pede calma.

A sorte é aleatória, pode-se contar a estória
Em particular de uma grande amiga
Que me fez acreditar que vale a trajetória
Em tempos imemoriais de tão antiga.

Suas asas de anjo afagam minhas feridas
Sua palavra contundente, doce e amarga
Conduzem-me a um mundo de fadas
Humanas coloridas de uma doce amiga.

Serei seu amigo enquanto me for permitido,
Limitado pelo tempo, ou outra estória...
Mas, com você, sinto-me protegido,
De toda aquela conhecida escória.

Cristiano Melo, 23 de Julho de 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Il y a quelque chose?

Nascer, ter o cordão umbilical cortado,
Sentir a gengiva romper ao dente pontiagudo,
Engatinhar e fazer as concavidades da coluna
Cair e levantar, ereto com hematoma.

Compreender os sinais e seus significados,
Do adulto que ri, do que enfurece, do que bate,
Coletivizar com outros estranhos, produção em série
Aprendizado escolar, confusos alfabetizados.

Os dentes começam a cair e outro mais pontiagudo
Toma o seu lugar, ninguém para explicar
Mas sempre um adulto para lhe humilhar.
Tire seu dente sozinho, é o ensinado.

A adolescência é das mais complicadas,
Não se tem referências, nem paciência
Cabeça na parede, batida pra compreender
O que fazem os adultos além de beber?

Cobranças de seu desempenho escolar,
Não adianta pensar em algo além do vestibular
Que seja algo com status, batem os adultos
Cobertos de razão mesquinha, não solidários.

Dizem que o amor permeia até aí o laço familiar,
Agora, são seus afetos pessoais, suas conquistas,
Profissionais e amorosas, casar e filhos ter,
Refletir criticamente não é encorajado.

Adulto se torna? Com medos e ansiedades
Sem saber de onde vem, nem o que fazer
Além de ficar quieto na rede, com o sorriso estampado:
Sorria, a vida é bela! Dizem...

A mulher, da mesma escola, lhe trai,
O trabalho, não escolhido, lhe adoece,
A vida que dizem, não é a sua.
É o caso de se perguntar: quem sou eu?

E a vitrine de alguém bem sucedido,
Finalmente se parte, doenças surgem
Dinheiro nenhum cura a ferida
E a sua única amiga: a morte.

Esta é a sina do homem mediano,
De classe média, que classe?
Tomar comprimidos para viver,
Ou, finalmente descansar...

Cristiano Melo, Julho de 2009

Finais

Reconhecer a fria noite que chega
Aos olhos da alma andarilha,
Gasta a pele da espinha em calafrios...

O punhal enferrujado
Que em seu peito é enterrado,
Causa-lhe o pavor da intimidade.

Abre o peito, a vida e os anseios
Traz junto ao amor a armadilha
Fartura de recalques de entrega.

O que se era amizade,
Torna-se furtivo o algoz
Daquilo que lhe é mais caro.

Sucumbe embasbacado
Ao golpe nas costas
E a injusta realidade.

Finais são tristes
Recomeços impossíveis
Uma amizade se vai.

Esperança que esvai.

Cristiano Melo, Julho de 2009.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Teia

No emaranhado da rede aracnídea
A aranha tece seu fio indiferente
Pontos de ligação a mantém firme
Prende e solta no convívio social.

Somos insetos presos nessa trama
Alguns poderiam chamar de destino
Outros argumentos religiosos,
Ou ainda a ordem caótica.

Conectados e desconectados,
Incluídos e excluídos,
Não há diferença à aranha
Muito menos à teia que lhe situa.

Possibilidade de liberdade,
Se o inseto é esperto
E se esforça para se libertar,
Ou à rede se entregar.

Não adianta dialogar com a aranha
Nem morder o fio,
Só refletir e se libertar
Se possível for ao inseto.

Qual o preço, o valor?
O inseto que sabe
Sem saber...

Sabe?
Seja.
É.

Cristiano Melo, 21 de Julho de 2009.

domingo, 19 de julho de 2009

Album de família


Continuidade e aprendizado.
Começamos no berço familiar,
Continuamos o que foi começado
Muito antes de a memória guardar.

Somos a mesma essência,
Humanos em formação,
Nascimento e morte
Da árvore genealógica.

De cada ramo da tal árvore
Brotam outros ramos
Outros caminhos
E, nas diferenças, pontos de ligação.

Raízes de um povo
Frutos de um cotidiano solitário
Não em solidão,
Da casca que se transforma.

Ser é solidão,
Ter é apego,
Viver é solitário,
Morrer é fato.

No entanto, as pegadas não são apagadas,
Rastros de uma árvore
Broto, galho, tronco
Seja qual o seu caminho, ser é familiar de fato.

Cristiano Melo, 20 de Julho de 2009.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O caminhar

Compreender que tudo é transitório,
A impermanência impera indiferente.

Tudo que se junta, se separa,
Tudo que se constrói, um dia se destrói,
Tudo que se existe, um dia deixará de existir.

Apegar-se a algo como eterno,
Traz sofrimento.

Meu trabalho, meu amigo,
Meu amor, minha casa,
Minha vida, minha escrita...

A ilusão do pensamento,
Em círculos imateriais
Só lhe confunde.

Deixaria de existir se não pensasse?
É possível parar o pensamento?

O caminho é de cada um,
Ninguém pode fazê-lo em seu lugar.

Melhor talvez, caminhar consciente
Desatar os nós sociais
Ater-se ao ser só em si.

Cristiano Melo, 16 de Julho de 2009.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Viturina



Dedicado a Viturina Ozita da Conceição Silva
05/02/1942 a 14/07/2009


Ainda criança, criada por outra família
Da qual se tornou a sua.

Irmã mais velha de onze,
Filha mais velha de Inácia
Fartura, sinônimo dela.

As doenças da idade começavam açoitar,
O corpo e um pouco da mente
Mas ela ainda estava lá,
Com guloseimas para a família inteira.

Ao fogão suas estórias encantavam,
Os filhos de seus irmãos,
A mágica, o encantado e a alegria,
Fantasias para as suas crianças amadas.

Gostava de morar só,
Na sua própria casa,
Querida por seus vizinhos,
Encantava quando passava.

Entre Teresina e Fortaleza,
Construiu sua rede,
E adorava uma rede.

De seu grande corpo,
Um abraço sempre confortava lágrimas
De adotada, passou a adotar.

As dezenas de sobrinhos,
Paparicava como ninguém,
Hábil em alegrar com suas estórias.

Minha tia, amiga, sorridente,
Fica aqui a despedida
Para uma nova aventura.

Seu nome, Viturina.

Cristiano Melo, 15 de Julho de 2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Fortaleza bela?











Hoje darei um tempo da poesia e da prosa para dividir com vocês leitores, o "susto" que tive ao chegar em Fortaleza de férias, logo no primeiro dia. Apesar das fotos falarem por si, escrevi o seguinte texto:








Fortaleza Bela, “slogan” da atual prefeitura de Fortaleza no Ceará, tem trazido algumas melhorias para a cidade, realmente. Para os turistas com certeza, mas estas fotos feitas no cruzamento das ruas Henrique Autran e João Tomé, no bairro do Monte Castelo, na chamada Regional 1, que segundo o site da prefeitura: “A Secretaria Executiva Regional I (SER I) abrange 15 bairros: Vila Velha, Jardim Guanabara, Jardim Iracema, Barra do Ceará, Floresta, Álvaro Weyne, Cristo Redentor, Ellery, São Gerardo, Monte Castelo, Carlito Pamplona, Pirambu, Farias Brito, Jacarecanga e Moura Brasil. Nesta região, moram cerca de 360 mil habitantes. Localizada no extremo Oeste da cidade, foi nesta área que nasceu a nossa Capital. Atender bem à comunidade e minimizar os problemas desta parte da cidade são os objetivos das ações da SER I.” (http://www.fortaleza.ce.gov.br/, informação do dia 13 de Julho de 2009, 08h00minh).

Em matéria anterior publicada no site colaborativo Overmundo, veja o link: http://www.overmundo.com.br/banco/cultura-do-lixo , datado de Janeiro de 2009, onde questionava os hábitos dos moradores locais, onde se poderia figurar uma espécie de “cultura do lixo”. À época, moradores apontavam o problema, com a visível possibilidade de disseminação de doenças na região pelo acúmulo de lixo. Este cidadão retornou ao mesmo local, seis meses depois, agora em Julho de 2009 e ao entrevistar os mesmos moradores, como o Sr. Inácio Dutra, foi denunciado que a regional colocou um fiscal, e que este fica até o meio-dia. Um caminhão da prefeitura foi mobilizado para retirada do lixo do local, mas não resolveu o problema, uma vez que alguns carroceiros que despejam lixo no local até ameaçam retaliar quem os denunciar.
O Sr. Zulmar, funcionário da EMLURB, que é o atual fiscal da prefeitura, me afirmou que o caminhão vem dia sim dia não, ou ainda, não tem dia certo para passar, no momento da entrevista ligava para o responsável para remover o lixo, sem êxito. O Sr. Antônio, morador do beco logo ao final da Rua Henrique Autran, afirma que não adianta nada, que o caminhão passa e logo jogam o lixo de novo, que jogam até animal morto e que o filho de outro morador, Marcelo, já contraiu a “doença do rato”.
Zulmar ainda aponta que, se o centro de Treinamento Manuel Dias Branco, onde o lixo é despejado, e onde funciona creche, grupos de apoio como NA, AA, etc..., tivesse uma administração mais eficiente poderia ajudar a resolver o problema.
Diante das entrevistas e das fotos, este cidadão que escreve o presente texto faz algumas considerações:
O poder público não pode se isentar de sua responsabilidade perante seus cidadãos, deve buscar políticas públicas que solucionem a situação, e não um “tapa-buracos” para dizer que se faz algo; a população tem sua responsabilidade na sua comunidade daí alguns moradores se mobilizarem para ajudar a administração pública a ver a situação; situações de risco de saúde como esta estão claras e não condizem com o “slogan” da cidade, chega a ser irônico; que o poder público deva ser mobilizado em todas as regionais independente de seu poder financeiro e não concentrar suas ações em áreas turísticas.

domingo, 12 de julho de 2009

A senha


-Pois não, com quem estou falando?

-Comigo!

-Sim, senhora, qual é o seu nome?

-Importa?

-Claro, esta ligação é gravada para a “sua” segurança, qual é o seu nome?

-Arminda.

-OK, e o seu CPF?

-Mas se está sendo gravada como vou deixar meu CPF gravado?

-Pra eu entrar no sistema e ver seus dados.

-Tá, então pega aí, é...

-OK, vejo que a senhora é cliente antiga, no que posso ajudar?

-Antiga? Tá me chamando de velha?

-Não, senhora Arminda, só que tem uma relação com nossa empresa já tem alguns anos.

-OK, OK...

-Mas, então, o que a senhora deseja?

-Na verdade eu desejava o Tonho, mas não vem ao caso.

-...

-É que esqueci a senha, e não consigo entrar na internet.

-Certo, senhora, confirme alguns dados por gentileza.

-Mas não já dei o número de meu CPF?

-Sim, mas a confirmação é para a “sua” segurança.

-Tá, manda.

-Qual seu endereço?

-Alameda tal, número 123, apto 456.

-Nome da sua mãe.

-Maria.

-OK, obrigado pela confirmação.

-Qual sua senha?

-Mas é justamente o que eu quero, temos senha pra tudo e não consigo guardar todas, quer fazer o favor de me dar minha senha, preciso entrar na internet por causa de meu trabalho e...

-Tudo bem senhora, para “sua” segurança estarei gerando um número de protocolo após o atendimento em que estarei lhe passando sua senha.

-Por que tanto gerúndio?

-Gerúndio? Você não quer a sua senha?

-Sim, esquece, por favor, me dá minha senha, não tenho a mínima ideia de qual seja, são tantas...

-Aguarde um momento enquanto busco no sistema.

-Ai que música chata...

APÓS ALGUNS MINUTOS

-Senhora?! Obrigado por aguardar, sua senha é...

-Sim, sim?!

-123456


Cristiano Melo, 12 de Julho de 2009.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Poesia celeste

O céu, sempre o céu
A inspirar beleza em dias melancólicos
Frestas da corrente diabólica.

A Lua, indiferente
Adorna este céu,
Com suas súditas estrelas.

Pobre diabo, o poeta
Que fica a ver poesia,
Em astros celestes.

Enquanto escarnecem sua pele
Sua verve incompreendida
Folha que tenta não cair do galho.

Após a queda,
A Lua e as estrelas descem
E transformam o poeta inerte.

Fugazes lampejos de irreal poesia
Metáforas atávicas impregnadas
De sua mais nobre essência.

Cristiano Melo, 09 de Julho de 2009.

Angústia


Aloprado na indulgência fominha
Farto na ira de ser gente
Umbigo que devora a todos.

Respeitar o outro é quimera zaróia
Não enxerga bem nem sua gola
Tropeça e tropeça e tropeça...

O caminho curvo leva a círculos
Preso no labirinto de si
Não chega a nenhum fim.

Morre cego, nasce sem olho
Humanidade besta sem graça
Joguem logo uma bomba e me esqueça.

Vou ser bicho na próxima...

Cristiano Melo, 09 de Julho de 2009.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ansiedade

Queria lhe por no colo,
Afagar seus cabelos louros
E fazer sumir seus receios.

Queria lhe contar cantigas
Melodias antigas
Ninar seu peito soluçoso.

Queria ser o que queria
Mas não posso
Não posso
Posso?

Impermanência, apego e medo da morte
Mistura da bomba atômica
Que explode em nossos anseios.

Ansiedade não leva a lugar algum
Além de sofrimento
E bum!

Há esperança?

Cristiano Melo, 09 de Julho de 2009.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Gaiola


Do mito da caverna,
Espelho-me agora
Fora da quarentena.

O que me espera lá fora?
A noite serena,
O dia que estopora?

O medo do desconhecido
Entre travesseiros encolhido.

A porta da gaiola foi aberta
A caixa de pandora rebenta.

Dá um colírio, uma máscara
Prenda o fôlego e encara.

A sorte mazelada
Da boca amarelada.

Fico!

Cristiano Melo, 08 de Julho de 2009.
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