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sábado, 8 de janeiro de 2011

Alma da Informação


*Painel de Escher




Café, barbitúricos, cachaça e nada de sono,
Farofa, frango frito, costela assada,
Nada preenche o buraco da barrigada.
Olheiras amontoam num ser medonho.

O mundo em alta velocidade bruta
Desajustado que não acompanha se frustra
Sencientes em meio a uma revolução
Redes, comunidades, interatividade e comunicação.

O ser humano é desta monta capaz?
De focar em si e não em bruta fruta?

Perdido, atordoado, dormindo acordado
A mudança radical de informação
Não me deixa confortável nem antenado
Apenas disperso, estúpido sem solução.

Saudade dos tempos de criança
Brincadeiras alegres com primos
Na fazenda da bisa, sem balança
Nem insensatas cobranças de arrimos.

Burburinho de brincadeiras de roda
Pega-pega, esconde-esconde, Jo-ajuda
Diretas, não virtuais, reais com ingenuidade
Talvez eu seja um pessimista ou é a idade.

Arregaço curioso meu peito
O coração, pasmo, ainda está lá.
Mas não encontro minha alma acolá
Fugida para algum lugar de respeito!

Para além píncaros.





segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Alma ferida

A alma está ferida,
Dilacerada pela carne,
Cortada pela raiva contida,
Brinquedos de fome.

A essência inconsciente iluminada,
Não dá luz ao boneco manipulado,
Daí o corte se dar na fonte, maculada.
Desejar o bem ao inimigo é um fardo.

Mas se queres uma alma limpa,
Saudável e em expansão,
Há de se ter esta expressão.

Dir-se-ia pura bobagem de tampa,
Perdoar a quem lhe fere o coração,
Sangra então alma, e cria a sua estampa.

Cristiano Melo, 03 de Agosto de 2009.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Prateleira


Devastado na prateleira de um açougue
A formação romântica distorce a realidade
Busca frenética pra aliviar a solidão
Exposto na boutique de carnes inválidas.

Não se pode ser feliz sem estar entregue
Não se vive solitário, pura vaidade
Sentimentos torpes que não passam pelo coração
E a bunda na janela pra mãos sórdidas.

Inadequado e assustado
Dir-se-ia alma penada

Hipócrita e desleixado
Falar-se-ia carne condenada

Escolhas diversas,
Inúmeras oportunidades,
Humano engarrafado
Pasteurizado na prateleira.

Romper com o marasmo aprendido
De se apaixonar para viver
Pois estar só é o mesmo que morto
Garantir-se-ia um lampejo de consciência.

Escolhido e encolhido
Feliz e fodido...

Ou se enxerga como ser que é,
Ou pereça como carne na prateleira
Coberta de moscas esfomeadas
E o romantismo não lhe salva a alma.

Seja,
Esteja,
Só.

O coração clama
Entregue-se a ele,
Pois ninguém lhe leva flores
Além de você mesmo!
Os românticos são estéreis de sentimento.

Cristiano Melo, 14 de Maio de 2009.
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