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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A chuva e o olhar



Para Cris Caetano


Lá fora a chuva não para
Aqui no peito o Sol brilha.

Quando meu olhar cruzou o teu
Verde-Castanho
Muito aconteceu.

As águas da chuva, estranho,
Aqueceram o herói adormecido
Tateante pelo ser amado.

De tantas batalhas com dragões
Entrega-se ao verde olhar,
Que brilha imensidões
Sob a chuva a aumentar.

E, a cada gota d’água,
No rosto desses errantes,
Se constroi um amor sem míngua
A estimular os futuros amantes.

Que venha a água da chuva
O suor e o desafio de prever
O sofrimento que não se quer
No Verde-Castanho do lar.



OBS.: na fotografia olho de Diana Melo, minha irmã.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um pouco de romance

Vinho tinto retine
Taça e espada
Ser distinto define
Destino não há como fada.

Encontrar o anônimo
Tornar anímico
Viver o animus
Ânima!

Entrelaços selam
Desejos e fantasias.
Objetiva mente
Não há laços.

Entrelaçados...

Sem prumo
Futuro há?
Vida de sumo
Fruto doce disposto.

Como a fruta
Paraíso no haver
Cheiro novo na fronha.

Cristiano Melo, 19 de Junho de 2009.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Prateleira


Devastado na prateleira de um açougue
A formação romântica distorce a realidade
Busca frenética pra aliviar a solidão
Exposto na boutique de carnes inválidas.

Não se pode ser feliz sem estar entregue
Não se vive solitário, pura vaidade
Sentimentos torpes que não passam pelo coração
E a bunda na janela pra mãos sórdidas.

Inadequado e assustado
Dir-se-ia alma penada

Hipócrita e desleixado
Falar-se-ia carne condenada

Escolhas diversas,
Inúmeras oportunidades,
Humano engarrafado
Pasteurizado na prateleira.

Romper com o marasmo aprendido
De se apaixonar para viver
Pois estar só é o mesmo que morto
Garantir-se-ia um lampejo de consciência.

Escolhido e encolhido
Feliz e fodido...

Ou se enxerga como ser que é,
Ou pereça como carne na prateleira
Coberta de moscas esfomeadas
E o romantismo não lhe salva a alma.

Seja,
Esteja,
Só.

O coração clama
Entregue-se a ele,
Pois ninguém lhe leva flores
Além de você mesmo!
Os românticos são estéreis de sentimento.

Cristiano Melo, 14 de Maio de 2009.
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