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domingo, 14 de novembro de 2010

Esperança

Num sussurro
Ouço a sua batida
Cada vez mais forte

Regala o fogo do peito
Guarnecido apagado há tempos
Bastou um lampejo, um realejo

Já não se furtava da realidade
Esbaldava-se na solidão de muitos
Corria insone e ansioso sem rumo

Eis que a vida lhe joga no colo
Algo tão forte quanto o que removera
Surge mais uma vez, o anjo da esperança


sábado, 2 de outubro de 2010

Alice




Desde o dia em que Alice caiu
Lá da janela preta de dentro
Pra fora, no doído cimento
Não poderia jamais ser gentil.

Fustigada pela luz do paço
Parecida com cebolas cruas
Incontáveis camadas duras
A descamar algo em percalço.

Alice já caminhava, débil
Por entre outras pasmas liláceas
No caminho de bulbo infértil.

Asas brotam dos ombros às nádegas
Voa moribunda com arredio
Com a alma, enfim, livre pra Atenas.



segunda-feira, 14 de junho de 2010

Carta de Amor

texto para a blogagem coletiva sobre cartas de amor, promovido pelo FIO DE ARIADNE


Bem, eu sinto uma grande necessidade de expor o meu sentimento por você, de esvaziar algumas questões, de preencher lacunas... Mas percebo a sua fuga nesse momento, e devo confessar que doi muito, entristece mesmo, lá num cantinho de dentro do coração, algum lugar próximo do que poderia se chamar de alma. Doi, mas não enraivece.

É a sua escolha no momento, como já foi a minha outra vez.

O que de fato quero com esta carta é reafirmar o meu AMOR por você, e que eu ainda não aprendi a ser seu amigo-confidente, pois pelo que percebi é o que você tem a me oferecer agora, sinto muito, mas não posso, é mais forte do que eu, pelo menos por enquanto. Ao ouvir a sua voz, me vem recordações de um tempo em que eu poderia ter agido de modo diferente e ter sido feliz e ter feito você feliz, e isto me entristece muito, me deixa muito melancólico...

Nesses dias em que nos reaproximamos, eu senti uma ponta de esperança de poder viver de novo ao seu lado com uma nova perspectiva, senti isto de uma maneira muito forte. Nunca me esquecerei da noite que você adormeceu em meus braços na véspera de sua viagem.

Estou envolvido com a minha reaproximação da universidade, o que toma certo tempo. Não tenho interesse em deixar ninguém se aproximar de mim até esvaziar o sentimento que tenho por você, experimentei uma tentativa de aproximação e só serviu para confundir e desperdiçar o meu tempo.

Que essas letras, palavras escritas e frases possam te explicar o que eu não consegui em palavras faladas e gestos, e pelo menos uma vez sinta o meu amor, nem que seja derramado em letras.


Sinceramente


Cristiano Oliveira de Melo

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dorme Amor

Dorme amor, ainda é noite e os pássaros ainda não cantam.
Dorme que o dia não tarda, e seus olhos abrirão
Pois que a noite lhe embala os sonhos que não despertam
Ou traz pesadelos que as nuvens os afastarão.

Medo do que não conheço ainda me fez acordar,
Resto-me no teclado da escrita insone,
Guardo-me na segurança do palavrear,
Quedo-me no temor que um tanto me consome.

Se vais correr para meus braços
Quando o Sol lhe despertar
A dúvida me traz estranhos soluços.

As incertezas da vulneravel entrega podem afagar
E do receio construir couraças em traços
Dorme que o dia não tarda a chegar!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Um romance

O cinismo não fura a parede,

Enredada no final da esperança,

Onde se encontra tal desconfiança.


Bastou o vento soprar nas raias

Das baias, defronte do mar revolto

Que bate, marola, desmancha a parede.


Ares do alarme interno intenso,

Na vaidosa timidez decerto,

O olhar que sopra o vento ao mar.


Acaba por desemparedar esperanças,

Amálgama dos elementos dali,

De cá, de onde surge um romance!


Cristiano Melo, 31 de Maio de 2010

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