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domingo, 13 de janeiro de 2013

Tudo se partiu


tela de Ialovich, acervo pessoal.




Desde a tua partida aos gritos de pronto
Algo se partiu em mim.

Fragmentos de recordações
Que além de pranto
Arranhou algo em minha alma,
Em sua parte mais fina.

Mas que sina!
Foste embora aos berros
Enquanto fiquei aos prantos
Sem saber dos porquês
Dos motivos e sentido daquilo...

A confusão misturou horror e censura
Autoflagelo e culpa sem conhecimento.

Brotou-se a raiva
Irrompeu o ódio
Explodiu-se o que se morria ali.

Morte sem fala
Ida sem despedida
Mente ferida.

Tristeza que surge ácida
Corroendo sem trégua o estômago
Que já não consegue engolir.

Pois nada desceu ou descerá
Daquilo que nem sei
Entalado na garganta.

Apontando à memória e lembrança
Já sem esperança
Que tudo foi partido.

E eu transmutado em anoréxico
Conduzo os dias depois do bater a porta.

As chaves jogadas ao chão
Lágrimas de desespero em vão;

Sigo num buraco já feito
Por quem não conhecia de fato.

Se tenho algum lampejo de alegria
Esta, fraca, me conduz ao outro dia
Em que não há mais nada
Além da agonia. 




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que bebes?

foto de Alex Melo









O café me dá memória
Esquecido da estória
De não recordar teu rosto.

O vinho traz alegria
Tristeza que não teria
Se, sóbrio, fosse teu gosto.

A cachaça me entorpece
Medo da dor que adormece
A falta de tua mão.

A água me transparece
Enganado pela prece
De sonhar teu coração.

O veneno me liberta
Da gaiola dita certa
Por mim nesta solidão.

Bebida alguma me afeta
Desejos em linha reta;
Pois, o nosso amor é são.



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Poema Triste

Amor à primeira vista existe,
A correspondência é que não!
De dentro puxei um poema triste
E dele fiz uma bela canção.

Ouvi agrados que me deste
Na alegria daquela paixão.
Deixei-me crer inconteste.
Percebi tarde, era pura solidão.

Do amor que poderia cantar,
Do poema triste que virou melodia,
Não sobrou nada para consolar.

Chorava a paixão derretida de dia,
Enxugava as lágrimas com o penar.
Não sobrou nada, além desta triste poesia.

sábado, 30 de outubro de 2010

Sábado Ensolarado




Há dias em que sua cor resplandece
Em meio à indolência da tarde de um sábado;
Mesmo um suave cansaço, me apetece,
Amor que cresce no seco cerrado.

Há dias em que sua cor esmaece;
Larga-se feliz na colcha do amado;
Justa preguiça plácida bem doce
Como orvalho na folia de um sábado.

Vamo-nos, formosura, para o dia
Encantar o gorjear da cotovia,
Amassando de amor nosso lençol.

Apaixonados com a esperança em prol,
No sentimento de novata cria;
Sons agudos no sábado com Sol.

sábado, 23 de outubro de 2010

Paixão


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados


Paixão carpogenética permeia;
Gorjeia o canto farto do rouxinol,
Solta a química grossa do estradiol:
Amálgama confuso serpenteia.

Musa constrangedora presenteia
O ser apaixonado preso ao anzol,
Firme na alma algemada pelo sol;
Um ou dois, dois ou um a paixão freia.

Se é algo puramente biológico;
Somente sutilezas, pobre mente;
Aos dois ou ao um, não é nada lógico.

Conhecer o motivo do descrente
Some a beleza pelo dado histórico;
Resta se entregar, sim, completamente.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Otimismo (?)




Beijo no queixo
Queixo partido

Cicatrizes contem sonhos
Feridas incentivam fantasias

Desde quando te vi
O beijo que trocamos
O sexo latente
O desejo crescente

Muito de sonho e fantasia
Esbarram em cicatrizes e feridas

Desde quando chegaste
E eu te estendi minha mão
Os abraços apertados
Nos braços fartos da paixão.

O Tempo parou acelerado
Enquanto a morte não vem

Pessimismo, otimismo
Cinismo a lembrar
O passado de sempre
Há de ser diferente.

Esperança no Amor
Construído farto!


domingo, 26 de abril de 2009

Sentimento e Fantasia

A fragilidade do ser cria quimeras fáceis
Sonhos que acalentam o solitário ser
Ensimesmado na segurança do cobertor
Escaldado, marinado, assado e cozido!

Encontrar alguém que aparece com anéis
Confunde e encanta o alvorecer
Sentimentos precisam de tempo ou vem a dor
Ou se lançar sem chão ao desconhecido.

Da fantasia que se mostra gentil
A costumeira dificuldade em acreditar
Transformar em realidade sem apego
Acuidade intuitiva juramentada.

Sofrimento gerado pela excitação
Emoções misturadas no cerne do sentimento
Labaredas sólidas que exalam paixão.

Consumar estático o comprometimento
De querer, desejo e imaginação.
Precisa-se para um alicerce vislumbrar qualquer cimento.


Cristiano Melo, 26 de Abril de 2009.
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