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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hora, oras


Já é chegada a hora
De a gente ir embora
Do que já poderia ser
E o que já se foi e não é.

Já fomos, mas não somos
Mais o que seremos
Assim já é hora
De deixar ir embora.

Não temos mais o que éramos
Somos outros apesar de mesmos
Em caminhos separados
Sem olhar para os lados.

Deixe-me ir
Como te deixo
Já tivemos nossa hora
Oras, vamos agora.

Ir embora do que foi
Deixar o novo entrar
Separar já não dói
Apenas vamos embora, sós.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Carta de Amor

texto para a blogagem coletiva sobre cartas de amor, promovido pelo FIO DE ARIADNE


Bem, eu sinto uma grande necessidade de expor o meu sentimento por você, de esvaziar algumas questões, de preencher lacunas... Mas percebo a sua fuga nesse momento, e devo confessar que doi muito, entristece mesmo, lá num cantinho de dentro do coração, algum lugar próximo do que poderia se chamar de alma. Doi, mas não enraivece.

É a sua escolha no momento, como já foi a minha outra vez.

O que de fato quero com esta carta é reafirmar o meu AMOR por você, e que eu ainda não aprendi a ser seu amigo-confidente, pois pelo que percebi é o que você tem a me oferecer agora, sinto muito, mas não posso, é mais forte do que eu, pelo menos por enquanto. Ao ouvir a sua voz, me vem recordações de um tempo em que eu poderia ter agido de modo diferente e ter sido feliz e ter feito você feliz, e isto me entristece muito, me deixa muito melancólico...

Nesses dias em que nos reaproximamos, eu senti uma ponta de esperança de poder viver de novo ao seu lado com uma nova perspectiva, senti isto de uma maneira muito forte. Nunca me esquecerei da noite que você adormeceu em meus braços na véspera de sua viagem.

Estou envolvido com a minha reaproximação da universidade, o que toma certo tempo. Não tenho interesse em deixar ninguém se aproximar de mim até esvaziar o sentimento que tenho por você, experimentei uma tentativa de aproximação e só serviu para confundir e desperdiçar o meu tempo.

Que essas letras, palavras escritas e frases possam te explicar o que eu não consegui em palavras faladas e gestos, e pelo menos uma vez sinta o meu amor, nem que seja derramado em letras.


Sinceramente


Cristiano Oliveira de Melo

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Da metrópole às origens: uma despedida!


Cara São Paulo,


É chegado o momento da despedida.

Agradeço por tudo: toda loucura, todo desespero, todo exagero, toda cultura.


Perdoe-me, mas não sou digna da tua solidão,

Das tuas distâncias,

Das tuas tempestades,

Do teu caos,

Da tua competição.


Minha querida São Paulo,


Meu amor por ti não é forte o bastante para superar o abandono,

O isolamento,

A acomodação,

O medo.


Quero ter liberdade para atravessar a cidade.

Quero sair de casa com mais certeza de que vou voltar com cuidado,

Com conforto, a passos largos e relaxados.
Quero ter colo, solo, mar e amar.

Quero brisa, quero céu azul, quero ar.

Querida São Paulo,

Despeço-me e me despedaço,

Pois tu és parte de mim, mas eu não consigo ser parte de ti.
Adeus amada, confusa, concreta, sonhada metrópole.


Nossa relação não será mais a mesma.

Será efêmera, ligeira, superficial, da forma como exiges.

Será distante, saudosa, inteira, divertida.


Conhecimento, cultura, amigos, amor, trabalho...

Tudo me destes e muito me tirastes.
Sabes muito bem ir da abundância à ausência.

Preenches e esvazias, como as tempestades,

E queres fazer de conta que nada aconteceu.

Pouco se transformastes nesse tempo,

Mas tanto me moldastes e me despertastes.

Contigo descobri o que realmente importa e me alimenta.


E por isso devo partir, pois o que tenho que conquistar não são tuas ruas repletas, teus prédios cinza, teus moradores de concreto, tuas relações restritas. Eu quero mais. Quero a mim mesma. E, apesar do teu tamanho, o meu eu não cabe em ti. É muito leve, colorido, intenso, saudável, verdadeiro e amoroso e não consegue se manifestar no teu ar poluído nem em tuas faces estressadas.

Mas não levo mágoas, não!

Levo paz de dever cumprido, pois que te enfrentei e cheguei ao topo.

Mas o topo é solitário, é frio, é ilusão.


Por isso te amo, porque tu és a minha verdade, o meu espelho, o meu lado sombrio, o meu topo.
E agora que já te conquistei, posso ir em paz. Vou em busca de desafios menos debilitantes, de braços abertos, de conversas à beira-mar.

Mas tu estarás sempre comigo.

Afinal o primeiro topo é inesquecível!


Por Helena Ximenes, Maio de 2009
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