No pagode na laje do namorado,
Azul-esverdeado como moldura,
Sacode o pouco pano da saia dourada
A mulata apaixonada do morro encantado.
Os amigos nos instrumentos de improviso
Com ajuda das palmas dos presentes,
Enfeitam e alegram a cadência e sorriso
Do orgulho do morro colorido.
O sol realça a pele de belo bronzeado
E o suor que escorre por entre os poros
Aumentam da vista comum a temperatura
Da mulata encantada do pouco vestido.
Assanhados tentam acompanhar os passos,
Desengonçadas arriscam um sapateado,
Divertidas crianças em plena doçura,
Sua família coletiva em alarido.
Frenético ritmo da brasilidade prateada...
Tum, baticum, tum, tum, baticum!
Finda-se o domingo de comilança e bebida:
Dorme tranqüila a mulata do morro encantado.
Cristiano Melo, 08 de Março de 2009.
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domingo, 8 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
A Espera
Espera-lhe ao lado da porta,
Enquanto não vem.
Espera-lhe com o fogo aceso
Do fogão à lenha,
Do seio em brasa.
Cheiros se confundem,
Enquanto não vem.
Os odores
Do sabão de coco,
Da colônia da venda,
Do frango caipira ao molho pardo,
Daquilo guardado.
Quer-lhe ousado!
Gritam acolá
E a face rubra cora
Antes do beijo,
Estupora!
Veio,
Foi!
Espera-lhe com panelas sujas,
Pratos engordurados,
Lençois manchados,
E o filho no ventre.
Grávida,
Enquanto não vem.
Cristiano Melo, 11 de julho de 2008.
Enquanto não vem.
Espera-lhe com o fogo aceso
Do fogão à lenha,
Do seio em brasa.
Cheiros se confundem,
Enquanto não vem.
Os odores
Do sabão de coco,
Da colônia da venda,
Do frango caipira ao molho pardo,
Daquilo guardado.
Quer-lhe ousado!
Gritam acolá
E a face rubra cora
Antes do beijo,
Estupora!
Veio,
Foi!
Espera-lhe com panelas sujas,
Pratos engordurados,
Lençois manchados,
E o filho no ventre.
Grávida,
Enquanto não vem.
Cristiano Melo, 11 de julho de 2008.
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