quinta-feira, 5 de março de 2009

A Espera

Espera-lhe ao lado da porta,
Enquanto não vem.

Espera-lhe com o fogo aceso
Do fogão à lenha,
Do seio em brasa.

Cheiros se confundem,
Enquanto não vem.

Os odores
Do sabão de coco,
Da colônia da venda,
Do frango caipira ao molho pardo,
Daquilo guardado.
Quer-lhe ousado!

Gritam acolá
E a face rubra cora
Antes do beijo,
Estupora!

Veio,
Foi!

Espera-lhe com panelas sujas,
Pratos engordurados,
Lençois manchados,
E o filho no ventre.
Grávida,
Enquanto não vem.

Cristiano Melo, 11 de julho de 2008.

3 comentários:

  1. pela pura simplicidade, sem rebuscos sua poesia é infinitamente poética.

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  2. Rabiscos da alma,
    muitíssimo obrigado pelo comentário generoso.
    São comentários como este que nos enriquece e nos dão força para continuar na senda da escrita.
    Forte abraço e obrigado

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