Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de novembro de 2014

Seres (in)visíveis





Conquiste chegar aos noventa anos de idade
Como brinde terás o abandono do todo!
A invisibilidade trará só saudade.
Em nossa sociedade só se vê o apodo.

Zomba da solidária pessoa que vê,
Tudo o que pode atrasar é aborrecível.
Rejeitados o gordo e o idoso: o invisível
São seres que ninguém quer conhecer.

Ser solidário é sinônimo de burrice.
Ajudar é antônimo de bem estar.
Visitar alguém doente é perder tempo.

Civilidade na desculpa da idiotice.
O ser visível é saudável e pode andar...
Doentes, pobres e idosos são um contratempo.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Considerações Finais




O poeta ponderado escreve moderado
Mui diferente de quando está apaixonado;
Triste daquele sem alguém ao lado:
Perde entusiasmo e regurgita quadrado.

Sem a alma no corpo este perambula...
A esmo, para onde se dirige o gado!
Se for para o abismo, vai sem luta,
Anula a velocidade e tão sem retardo.

A inspiração aspira purgações!
Pirados e amalucados; ser destacado.
Felizes e alegres pelas escolhas e ações

Se este é mais um fardo considerado
Para outros é amor, alegria e lições...
Sem últimas considerações d’um soldado.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Jaula privada




Leão de fogaréu flamejante
Aguarda complacente sua hora.
Presa inerte e passiva ali diante
Rugido algum faria ir embora.

Gazela despelada ainda vê,
Pois os olhos lhe foram preservados,
Não havendo terror ia correr...
Dentes em chamas, na boca, cerrados.

Predador não teria chance alguma
Se o pavor ali não fosse anormal;
Bastaria abrir uma porta, uma!

E a vida voltaria a ser igual
O medo dissipado numa bruma;
No entanto é só um sonho tolo e irreal. 



sábado, 7 de dezembro de 2013

O silêncio do vazio






Abriu a porta, rápido e certeiro.
Empurrou-a por trás de si e a trancou:
Silêncio do vazio, altaneiro!
Ela já não estava lá e chorou.

Colocou sem pensar as roupas na máquina,
Sabão em pó mais um amaciante.
Na panela de barro alguns legumes
Bastante água, temperos e o arroz.

Brincou cansado com a sua cadela
Junto ao espaço da bagagem dela,
Foi deitar na varanda em sua rede.

De lá fitou o mar, os olhos dela.
Tudo ao redor numa saudosa aquarela;
Ouviu um bem-te-vi, sorriu e dormiu. 


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Expectativas



Suspeitou desde cedo não viver.
Ganhar números para ser alguém,
Juntar-se a outros para apreender
A humanidade em códigos, amém.

A vida era sentida sem sentido.
Talvez não fosse Vida, mas sim morte.
Viver morto como um nauseabundo
Junto com vivos-mortos, mesma sorte.

Expectativas que não pertenciam
A ninguém além do que é esperado.
Há de viver, ter; não olhar pro lado!

Alguém tem de morrer para manter
A vida que não é Vida existindo...
Só restam horas para se Morrer.



sábado, 12 de outubro de 2013

Meus amantes




Meus amantes possuem algo em comum:
Ficaram no passado! Olho em frente,
A linha do horizonte tem mais nenhum
O presente te empurra pra adiante.

Momentos em retalhos são mosaicos,
Fragmentos de frágil habilidade.
Passados se transformam paranoicos,
Em grande estupor de felicidade.

Hora de deixar páginas em branco!
Reaver o sentido da esperança
No agora que está bem pelo seu flanco.

Novos amores sem uma lembrança,
Num futuro sem muito solavanco,
Virão pintando com perseverança.




segunda-feira, 29 de julho de 2013

Soneto da carne




Das pessoas, gosto das que voam.
Suas asas fantásticas de fadas,
Serafins ou querubins como queiram;
Disfarçam a ajuda nas escadas.

Das pessoas, prefiro aos ditos loucos.
Varridos ou não de onde vivem poucos
A verdade está por lá, não é fácil,
Encontrar em ambiente tão grácil.

Aprenda a voar por sobre as coisas ditas.
Seja louco varrido da pasmaceira
Que é a vida com reta certeira.

Quiçá encontre afinal o que gostas
Ser com suas próprias abas sem beira e
Sonhar de olhos abertos pelas frestas.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ser ou não...





Na sua cama já nem deita há tempos,
Não que esteja dormindo na de um outro,
Esperando em inércia por passatempos.
Não! Sim, é... Ele transformado nessoutro.

As unhas foram rápidas em cair,
Dentes amarelados bem trincados,
O Sangue pela pele fez-se esvair,
Nem cabelos restaram perfilados.

Guardara esperançoso a alegria
Em recônditos fundos com a idade.
Quem ele ousasse ser e ter podia.

Naufragou em nefasta tempestade,
Não lhe sobrando nada no seu dia,
Moribundo errante em nova cidade.



sábado, 18 de agosto de 2012

Soneto da saudade







A melodia com notas agudas
Traz a memória verde inconsequente
Do homem feliz e triste como gente
Musicada que vem d’águas profundas.

O violino corta de repente
Choro entalado de lágrimas dadas
E o amarelo da terra move quente
Saudade em dó maior de suas vidas.

A nau parte, já é hora de tentar
Conhecer outras cores não puídas
Pelas rotinas marrons amarradas.

Sentimentos que dão à partitura
Paletas coloridas da pintura
D’uma melancolia tão salutar



sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Zebra




Para alguém que gosta de zebras



Naquela velha casa vive a zebra
Vinda de algum lugar muito distante
Sem o vício pedante mostra febra
Ao permitir ser vista como estante.

Não se via o exótico do animal
Fantástico que se era, raridade
Um bicho nunca fora, sentimental
Em sua exuberância na cidade.

As marcas pretas em sua tez branca
Lembrava ainda mais a diferença
Ofensa torpe ver com tal descrença.

Feliz do homem que a visse com querença
E elegante fosse a casa na panca
Deixar o amor fluir sem qualquer tranca.   


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

*O pianista




Para Pedro Calhao


De Piazzolla a Chopin, tocas as notas
Harmonia que encanta anjos na terra
Humildade aparece em suas festas
No sorriso que brota, pois não erra.

De VillaLobos a Beethoven vai
Deixar muda a plateia que se cala
A cada nota, do piano sai
Enchendo de amor toda aquela sala.

O pianista do dedo dourado
Toca a alma e faz-se o arrepiado
Do público que aplaude estupefato.

Traz paz, pura beleza com seu tato
O mundo fica mais belo, sem fardo
Pela inspiração que se vem do amado.



* soneto que fará parte do "Da Métrica" do " Da métrica ao caos" a ser publicado pela Editora Novitas

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cortejo*




Citar belezas ditas em cortejo
Fixar olhares de desencontrados
Dedicar mocorós adocicados
Suspirar queimadas de sertanejo.

Afagar a mão na faceta crespa
Beijar a boca com a boca tesa
Seduzir gotas de suor em festa
Somando doces à leveza honesta.

Seria quase fácil tal feitio
Se este a que vos estende teso o verbo
Não quisesse que não fosse soberbo.

Em sua fantasia mais cortês
O cortejo há de ser feito plantio
Sem rosas falsas num talo burguês.


*soneto integrante do livro " Da métrica ao caos" a ser publicado e lançado em breve pela Editora Novitas

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Jaulas



Espaço fechado de valor desvairado
Almejado por tantos deslocados
Não há alojamento para todos
Construção de mais jaulas, mato desmatado.

E olham pelas grades sorridentes
Aqueles donos de sua prisão
Alienados, a zoológicos vão
Ter dó dos bichos presos permanentes.

Não percebem que eles próprios são presos
Em gaiolas de paredes bem decoradas
Conformados com o alto preço, ilesos.

Enjaulam-se como prendem manadas
Proliferam por sobre os indefesos
O homem destrói a natureza a pauladas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Oração





Caminho sinestésico encobre;
Cobrar pela passagem da picega;
Recordação de ser um velho nobre;
Cura sanada como o fim da praga.

Falácia do viril macho com febre;
Conchavo feminino pela adaga;
Casais cospem mentiras sobre a lebre;
Crias perdidas em meio à fadiga.

Que o sol faça fatal seu deltoide,
Sem proteção de nuvens ao seu verme:
O bípede educado e debiloide!

Que o vento varra forte toda a derme
Em retratos mofados, paquiderme
Conhecido infeliz por humanoide. 



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Amores virtuais

Quis, em dado momento, conhecer
Um homem deste espaço virtual.
Namoro que pudesse aparecer,
Desejar o outro como a um igual.

Dos perfis variados e mostrados,
Viam-se informações com seu propósito
De querer ou não buscar namorados.
Troca de mensagens num grande trânsito.

De alguns encontros vieram sensações;
Ambos faziam suas declarações.
Entregas reais em meio a sorrisos.

Hoje sei por viver entre indecisos,
O quão infantis são seres sem brios!
Elogios que não passam de ilusões.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Amor

Das pinturas de amor feitas por mim
Todas tinham seu brilho e desencanto,
Cores sulcadas em tela marfim,
Dores apontavam meu desalento.

Inspiração trazida pelas musas,
Quadros de imagens belas que amedrontam.
Traiçoeiras desculpas por escusas
De amores disfarçados que se mostram.

Jogo fora os pincéis e as aquarelas,
As telas permanecem nas paredes,
Esperança e memória cortam tardes.

Desafio de viver sem flanelas;
Amar esta labuta sem as sedes;
Matar a esperança presa nas redes.



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Perseguição




A ignorância de conhecimento
Pode ser trabalhada com o tempo.
A emanada por um ser letrado
Atinge rude quem é apontado.

Pode-se originar guerras por conta
Desta falta de conta com o outro.
Por desprezo, ciúme e inveja tonta,
Coloca-se no tronco o alvo adentro.

Pura vontade de mostrar poder.
Bicho com polegar opositor
Os dentes arregaça: um terror!

Dissimulado, mata alguns em dor,
Não antes de velar o horror do ser.
Belo sonho: punir e lhe prender!



sábado, 15 de janeiro de 2011

Pós-modernidade





Os olhos realçados como mágica,
Lábios rubros adornam brancos dentes,
Afilado nariz por uma plástica,
Peitos de silicone com correntes.

Modo de viver só, em multidão.
Gente igual em corrida, sem chegada.
Largada para todos, sem visão.
A vida pós-moderna é começada!

Não serve ser humano neste arranjo,
Sociedade do rápido consumo,
Devoradora de seu próprio cosmo.

Deve-se estar em sua baia em rumo,
Não se pode parar para bocejo.
Alma cansada se solta em gracejo.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bolhas de sabão



Bolhas de sabão soltas ao relento
Afinam e estouram no rumo aos céus,
Mirra antes de voar, é um desatento,
Medusas de esvoaçantes e tênues véus.

Arco-íris refletido na sua face,
Ar contido na esfera interior,
Fragilidade estável permanece
Da simples formação exterior.

Sinto-me como uma pequena bolha,
Feito de fantasia, sonho e sabão,
Criado na vida à espera da rolha.

Quando se pisoteia um coração
Papouca-se o desejo sem escolha:
As bolhas de sabão caem ao chão.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nós dois




Se em nós crava a dourada e rica aldrava
Deslocada em balanços fortes de ímpeto
A porta que separa une roto
O traço do tom roxo da escrava.

Exposta e escancarada lá estava
A Caixa de Pandora aberta, fato
Permite o ser amar em veloz jato
Palavra besuntada encorajava...

De tal feita te afundas em meu peito,
Alvissara-te, ó beleza crente,
Hiberna-te acordada em meu ser feito.

Transposto o almejado, sem limite
Esbaldo-me em ter-te ávido e farto
Amemo-nos em nossa bela sorte!








Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...