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terça-feira, 23 de abril de 2019

Sentir e viver o amor

Sentir a emoção de pensar
de refletir o sentido
do que vem a ser o amor.

Pode vir um pouco de dor
uma vez que há metido
um espinho de querer amar.

Rimas fáceis em versos livres
dão asas à imaginação na escrita
do ser que resolve sentir.

Rola a bola do fluir
grotas de sangue na dita
hora um pouco antes.

Do gozar a pena com o véu
desdito em frases soltas
meditação que afasta temores.

Vê-se a cena do púlpito céu
arrancar aplausos de pontas
destinadas aos amores.

Amar é para os fortes
ousar pensar nisso é duro
mole seria ficar com pudor.

Flechas vêm ao encalço de sortes
para quem insiste em ser puro
de coração aberto ao amor.

domingo, 17 de agosto de 2014

Versos de adeus


===

Sentirei
pouco,
não muito,
como vós
sentireis.

O que tenho a sentir
é a dor,
pouco.

O que tendes a sentir
é a perda,
muito.

===

A luta em diminuir a dor
assola a minh'alma anos a fio

Dói
muito!

===

Aprendi a
disfarçar o indisfarçável.

Nada além
de tentar vos agradar
ou ainda, não perturbar.

Quem tem uma
dor verdadeira
perene
sabe, como eu,
o tanto que
dói
ouvir sobre
uma dor verdadeira.

Por isto descobri como
mascarar
o que não se fala
o que não se diz
o que é inumano...
o melhor que pude!
ainda assim
escaparam-me soluços
que vos assusteis.

[Imagineis não tivesse omitido]

===

Não há nada a culpar
além da dor em si
é o que vos peço.

Simples como o tempo
que me marca
os segundos,
não suporto mais
o insuportável.

[Talvez apenas quem
me leia agora
e entenda do que falo
poderá compreender.]

No entanto espero
de coração
que conseguireis
superar.

===


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Novo Ninho

Criar um ninho envolve dedicação!

Trabalho delicado e atento,

Partes escolhidas para um mosaico

De criação e transformação.


Pedaços, partes,

Gravetos, galhos,

Sementes, grãos...


No bico das aves,

Nas garras das onças-pintadas,

Nas patas dos tatus,

Na pressa relativa das preguiças.


Construir um ninho envolve afeto!

Sentimento interior, instinto,

Relogio biológico,

Vulnerabilidade sustentavel.


Entregas mútuas,

Labores solidarios,

Companheirismo efetivo.


Viver num ninho envolve amor!

Afeto possivel conjunto.

Conjugar os viveres,

Consumar criatividades.


No desejo humano,

Na esperança casada,

Na singela e tenue linha do querer,

No casal que se forma.


Que o ninho criado,

Construído,

E vivo

Seja fertil, fantasia tornada real!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mágoa

Do parcel de mágoa
Partem pólipos ardis
Na direção do peixe.

Ora que deleite!
Blindar-se de infeliz
Ao gritar "me deixe".

Presos ao círculo neurótico
Ora magoa, ora magoado
Conduzem o coral marinho
Para além mar.

Sentimentos não são pórticos,
Enlaçam-se num emaranhado
Finalmente transmutado em carinho
Para quem pode amar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dorme Amor

Dorme amor, ainda é noite e os pássaros ainda não cantam.
Dorme que o dia não tarda, e seus olhos abrirão
Pois que a noite lhe embala os sonhos que não despertam
Ou traz pesadelos que as nuvens os afastarão.

Medo do que não conheço ainda me fez acordar,
Resto-me no teclado da escrita insone,
Guardo-me na segurança do palavrear,
Quedo-me no temor que um tanto me consome.

Se vais correr para meus braços
Quando o Sol lhe despertar
A dúvida me traz estranhos soluços.

As incertezas da vulneravel entrega podem afagar
E do receio construir couraças em traços
Dorme que o dia não tarda a chegar!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Montanha russa


Há dias de acreditar na sorte
Sorrir pro dia
Olhar os pássaros no céu
E ser um forte.

Há dias de descer a fossa
Ficar quieto na cama
Olhar o teto sem alegria
E ser um forte.

Há dias de marasmo e melancolia
Pensar no que se podia
Olhar as crianças brincarem no parque
E ser um adulto.

Há dias de ser sábio
Reunir pensamento, sentimento e sensação
Expressar este amálgama em sinais
E ser um humano.

A percepção como uma montanha-russa
Nos trilhos, um caminho
No carro, um meio
E ao fim, um ser que cansa.

Cristiano Melo, 10 de Junho de 2009.
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