Sociedade de porcos com dentes afiados,
Cauda alongada e patas de elefante,
Focinho empinado e pele perfumada,
Boca arregaçada em medonho sorriso.
Escarafuncham na pocilga agitados,
Hora da “xepa” e encontrar um tomate,
Estragado e podre, conservado em calda,
Tanto faz ao suídeo em seu paraíso.
Renovam seus parceiros, em transe, alucinados
Desovam o sentimento descartável do abate
Enquanto, sorrindo, desafiam a estrada.
Por um momento, antes do fio da navalha, caído.
Pensa, sou diferente, não sou porco alienado,
Meus amigos me alimentam quando não tem abacate
Afinal sou de meu gueto camarada
E não posso fugir de minha doente natureza, puído.
Cristiano Melo, 21 de Julho de 2010