segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Breve valsa
CONVITE A DANÇA
Voz suave,
Grave.
Olhar ao longe,
Perto.
Sentido aguçado,
Confuso.
Bater ao telefone,
Choroso.
DANÇA
Gosto de dançar,
Diz-me.
E eu danço!
RETICÊNCIA
Tudo bem, mas...
Diz-me.
E eu dancei!
EXCLAMAÇÃO
Não quero mais dançar!
domingo, 2 de janeiro de 2011
Demência
Larva que vaga lenta e rapidamente
Dentro de tua mente.
Consome paciente e voraz
O pensamento audaz.
Cabeça infestada de bichos
Estimulam teus caprichos.
Escondida e visível secreção
Espalha a doente célula espúria.
Contaminante, cambaleias sem rumo
Esbarras nas mesmas sem prumo.
Tiro, envenenamento e morte
Não é capaz de acabar o martírio.
As larvas consomem
O resto do homem.
Verbos de dor
Querer e desejar:
Palavras que trazem dor,
Verbos de intensa vivacidade,
Que lhe levam à palidejar.
Quero!
Algo,
Alguém
E a dor vem.
Desejo!
Tal,
Coisa qual,
E o desatino surge.
Perdido ou encontrado,
Consumado ou realizado,
O não-equilíbrio
Só lhe torna depreciado,
Assustado
De sofrer
Sem conhecer
O fato
Sua origem,
Embaçado!
Quero e desejo
Não querer nem desejar.
Cansado desse duelo
Interior,
Quedo-me
E sonho:
Há de passar!
Sonhar:
Verbo e palavra de esperança
Que pode aliviar
Ou piorar
Sua fortitude,
Atitude
De continuar na estrada.
Sutilezas
Silêncio na selva
Chuva que o asfalto lava
Folhagens caídas
Ruídos sem pressa
Acordam a ave e a flor
Orvalho molhado
Natureza mista
Adorna de cor a dor
De viver em cinza
Viagens, malas e ar
Malas prontas para viajar
Roupa, utensílios de higiene,
Escova de cabelos e meias.
Levar algo de si, pra outro lugar
Que não sua cidade perene
Mudar de ares, dizem as ideias.
Para alguns é um simples ir
E vir com o tempo sem sentir.
Para outros um desejo ensimesmado:
Outro ar que é o mesmo do outro lado.
As malas lhe acompanham
Confidentes silenciosas
Do mover-se sem sair do lugar
Quem vai, deixa, fica e volta
Toca, apita, conversa e devota
Verbos ao novo ar que é o mesmo.
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