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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nós dois




Se em nós crava a dourada e rica aldrava
Deslocada em balanços fortes de ímpeto
A porta que separa une roto
O traço do tom roxo da escrava.

Exposta e escancarada lá estava
A Caixa de Pandora aberta, fato
Permite o ser amar em veloz jato
Palavra besuntada encorajava...

De tal feita te afundas em meu peito,
Alvissara-te, ó beleza crente,
Hiberna-te acordada em meu ser feito.

Transposto o almejado, sem limite
Esbaldo-me em ter-te ávido e farto
Amemo-nos em nossa bela sorte!








quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dorme Amor

Dorme amor, ainda é noite e os pássaros ainda não cantam.
Dorme que o dia não tarda, e seus olhos abrirão
Pois que a noite lhe embala os sonhos que não despertam
Ou traz pesadelos que as nuvens os afastarão.

Medo do que não conheço ainda me fez acordar,
Resto-me no teclado da escrita insone,
Guardo-me na segurança do palavrear,
Quedo-me no temor que um tanto me consome.

Se vais correr para meus braços
Quando o Sol lhe despertar
A dúvida me traz estranhos soluços.

As incertezas da vulneravel entrega podem afagar
E do receio construir couraças em traços
Dorme que o dia não tarda a chegar!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Um romance

O cinismo não fura a parede,

Enredada no final da esperança,

Onde se encontra tal desconfiança.


Bastou o vento soprar nas raias

Das baias, defronte do mar revolto

Que bate, marola, desmancha a parede.


Ares do alarme interno intenso,

Na vaidosa timidez decerto,

O olhar que sopra o vento ao mar.


Acaba por desemparedar esperanças,

Amálgama dos elementos dali,

De cá, de onde surge um romance!


Cristiano Melo, 31 de Maio de 2010

sábado, 25 de julho de 2009

Os Dois

Inspirado em conto de Caio Fernando Abreu

Falam dali e d’acolá,
Eles deviam se encontrar.
Será?

De uma mesma amiga,
Um saía enquanto o outro chegava
E nunca se encontravam.

Um cuidava do jardim da amiga,
O outro conversava sobre política,
E o desencontro durava década.

Até que um dia, a amiga aniversariou,
E aos dois convidou,
Foi juntar água e água.

Mesmo que dissessem que os dois tinham a ver,
Muitos debocharam do fato
Outros acharam um barato.

Aqueles dois, como uma vez escreveu o Caio,
No seu “morangos mofados”,
Não foram demitidos do trabalho.

E, com o apoio da amiga e de outros,
Tornaram-se amigos amantes
E hoje, são namorados.

Mais uma estória de amor (?)

Cristiano Melo, 25 de Julho de 2009.
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