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terça-feira, 29 de julho de 2014

Tenho medo de gente




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Quero me levar
junto
aos meus sonhos
aos meus medos
e anseios;
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Para longe
ou perto,
não importa!
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Desde que encontre
meu lugar,
onde possa ser.
---
Nada a mais.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Jaula privada




Leão de fogaréu flamejante
Aguarda complacente sua hora.
Presa inerte e passiva ali diante
Rugido algum faria ir embora.

Gazela despelada ainda vê,
Pois os olhos lhe foram preservados,
Não havendo terror ia correr...
Dentes em chamas, na boca, cerrados.

Predador não teria chance alguma
Se o pavor ali não fosse anormal;
Bastaria abrir uma porta, uma!

E a vida voltaria a ser igual
O medo dissipado numa bruma;
No entanto é só um sonho tolo e irreal. 



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Anatomia de uma demência



Começou de súbito num dia ordinário
Estendeu-se por anos a fio
Insidiosa dessa vez
Até explodir novamente em ruído

O medo que veio na primeira vez
Cedido com o tempo e tratamento
Não apenas voltou como já não era mais medo
Era Terror agora, algo mais íntimo

O tempo se foi, junto com os amigos e a família
Não importava mais o que seria, quando da última vez
Agora tornada em primeira após a transformação
Nem pensamento, nem tempo, nem pensamento...

Nem nada, o limbo povoado de anjos e demônios
Que tanto fazia quem era o quê ali
Dor e alegria não tinham sentido, nenhum sentimento
Havia o nada, tudo estava dentro do nada.


Sem tempo nem pensamento.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Depressão








É uma dor pela alma conhecida

Humano algum consegue sua paz
Nem pelo especialista mais perspicaz
Ou pela curandeira mais citada.


Cedro frondoso com raiz intacto
Fenece à trepadeira maliciosa;
Garra dentada que espreita ambiciosa
Via estreita e insólita do fato.

Consome da alma o último suspiro;
Leva os mais fortes ao salto implacável;
Susurra leve ao mais fraco o seu tiro.

Sobra ao são lhe tornar um ser viável,
Curado o louco sem nenhum retiro;
Funcional, não sem dor, hoje saudável.







Para maiores detalhes sobre depressão clique aqui



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Visitas



Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados



Quando tu vieste
Pensei que não fosses
Quando tu saíste
Pensei que não voltasses.

Se um dia me levares
Acorrentado ao meu banco
Não me tragas de volta

Se uma noite não me procuras
Deitado em sono profundo
Não me acordes e me deixes

De tudo que posso ter apreendido
É que não adianta não te querer
Tu vens quando bem quiseres
Fazes o que bem entenderes

E eu, uma marionete em suas mãos sem dedos.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Da dor à morte

A dor irradia do coração
Direto para a alma um tanto assustada;
A energia sutil está alterada
O corpo fica inerte sem tesão.

Resta ao ser jogar-se aos urros no colchão
Enquanto a ignorância estampada
Aponta-lhe a palavra retesada
De visível e triste incompreensão.

Do primeiro sintoma ao derradeiro
Sessões de terapia e comprimidos
Amigos que vão e vem num berreiro.

A dor dá tréguas para os mais contidos
O alívio se apresenta passageiro
A morte surge nos sonhos queridos.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

voo





Os sonhos foram os primeiros
Os fios de marionete os derradeiros

Filme registrado rápido passado
Na frente da mente demente

Até esfacelar suas pulgas no solo
Artrópodes em pensamentos de dolo

Choro não se ouve, grito não se escuta
Dor não se sente, palavra não é injusta

Voo preciso, cérebro retorcido
Neurônios debatendo-se como peixes

Sinapses em diminutos arrotos
Acabam, Tum, Tum, junto com a batida

Vítima da depressão
Ou apenas um vilão?



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dor que não se explica

Poema transformado em soneto com o título "Depressão"




É uma dor na alma desconhecida
Humano algum consegue explicar
Nem o especialista mais perspicaz
Ou a espiritualista mais lida.

Da beirada do penhasco farto
Abismo que espreita como animal,
Cedro frondoso com raízes grato
Fenece à trepadeira bestial.

Consome a alma em derradeiro sopro
Leva o mais forte ao pulo implacável
Ao pote de tóxico o mais fraco.

Robótico lobotomizado
É ser para a sociedade viável
Funcional sem dor hoje saudável.



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