Leão de fogaréu flamejante
Aguarda complacente sua hora.
Presa inerte e passiva ali diante
Rugido algum faria ir embora.
Gazela despelada ainda vê,
Pois os olhos lhe foram preservados,
Não havendo terror ia correr...
Dentes em chamas, na boca, cerrados.
Predador não teria chance alguma
Se o pavor ali não fosse anormal;
Bastaria abrir uma porta, uma!
E a vida voltaria a ser igual
O medo dissipado numa bruma;
No entanto é só um sonho tolo e irreal.