Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de outubro de 2018


Minha luta vai até onde
pessoas menos favorecidas
buscam um papelão que esconde
as misérias de suas vidas.



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Sonhos sem rumo

No sonho que se sonha só
Não há imagem além do pó
Que se destila em meio ao calor
Rumo, sem rumo, só dó.
No sonho que se sonha só
Não há paz nem finca audaz
Só a busca incessante pela paz
Sem rumo, titubeantes no escuro.
No sonho que se sonha junto
Se juntam os pequenos
Os deixados pra trás de pronto
Sem rumo, aglutinantes espasmos.
No sonho que se sonha junto
Pode haver sonho, que o sol brilhe
Para afastar essa imundice
Rumo, em fila para a máquina que devora.

sábado, 29 de novembro de 2014

Seres (in)visíveis





Conquiste chegar aos noventa anos de idade
Como brinde terás o abandono do todo!
A invisibilidade trará só saudade.
Em nossa sociedade só se vê o apodo.

Zomba da solidária pessoa que vê,
Tudo o que pode atrasar é aborrecível.
Rejeitados o gordo e o idoso: o invisível
São seres que ninguém quer conhecer.

Ser solidário é sinônimo de burrice.
Ajudar é antônimo de bem estar.
Visitar alguém doente é perder tempo.

Civilidade na desculpa da idiotice.
O ser visível é saudável e pode andar...
Doentes, pobres e idosos são um contratempo.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dias de hoje



Nunca postei nenhum vídeo que eu não houvesse produzido, mas esse merece especial atenção, pois traz reflexôes profundas, explícitas e implícitas do modelo de nossa sociedade.  Assistam ao vídeo "Doll Face" por Andrew Thomas Huang e leiam o soneto abaixo:




Cabelos de poliéster são plantados
Cabeludo careca não aceita
Realidade e presente amofinados:
Calvície de homem a presa espanta.

Pílulas murcham ventres, adipócitos
Espúria na batalha em quem enfeita
Máscara fustigada de propósitos
Fugir da idade com a alma desdita.

Estufa partes sãs com silicone,
Encolhe outras ficando um ser doente,
Consolida a demência num ciclone.

Aceitar-se não é opção mormente.
Viver na fantasia de seu clone:
Produto sai da fábrica, demente.

sábado, 9 de outubro de 2010

Da sacada


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados


Com a participação de Saulo Almeida no último terceto




Da sacada, vejo os transeuntes
Tagarelices e gestos frívolos
Escondem sua solidão antes
Que a morte desperte a foice, tolos!

Adornados com as máscaras duras
Usufruto conseguido da sorte
Couraças presas em perucas
Ricas ou pobres, guardada morte.

Desde o pulo daquela sacada,
Morri para o costumeiro dado
Rolado pelo Tempo sem fada.

Nascimento urge em silêncio tato
Moscas vis-à-vis o nauseabundo
Fantoche cego mundano em vida. 




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Ser pelo Ter


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados



O ser pelo ter
Não se busca mais
A beleza do ser

Quer-se a fantasia do ter
A passageira e momentânea
Aliança forjada

Tenho, logo existo
Em meio a bundas e peitos
De plástico elástico

Músculos, abdomens, coxas
Dinheiro, carro, apartamento
Aparência distorcida que serve

Sem qualquer remorso
Troca-se o ser pelo ter
Vaidades de liquidificador

Insanidades efêmeras em crisálidas
Prontas para mudar com a moda
O descartável em voga

Corra o risco de ser
E será expurgado do meio
Ambiente social apodrecido

Seja decente, honesto, divertido
E ficará sorrindo sozinho
Enquanto a boca de dentes falsos te cospe

Seja franco, aberto, idiossincrásico
E conhecerá o ostracismo
Gruta, jaula que se torna sua casa

Saudades do bicho homem
Que já foi
E hoje não existe


Cristiano Melo, 24 de setembro de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sociedade ou pocilga?


Sociedade de porcos com dentes afiados,

Cauda alongada e patas de elefante,

Focinho empinado e pele perfumada,

Boca arregaçada em medonho sorriso.


Escarafuncham na pocilga agitados,

Hora da “xepa” e encontrar um tomate,

Estragado e podre, conservado em calda,

Tanto faz ao suídeo em seu paraíso.


Renovam seus parceiros, em transe, alucinados

Desovam o sentimento descartável do abate

Enquanto, sorrindo, desafiam a estrada.

Por um momento, antes do fio da navalha, caído.


Pensa, sou diferente, não sou porco alienado,

Meus amigos me alimentam quando não tem abacate

Afinal sou de meu gueto camarada

E não posso fugir de minha doente natureza, puído.


Cristiano Melo, 21 de Julho de 2010



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maria Ninguém

Tua alegria mudou Maria Ninguém,
Por trás da membrana cinzenta de teus olhos,
Dos lábios de cor violácea, disformes,
E corpo emagrecido, com as salientes costelas.

A vida não te sorriu, Maria...
A sociedade te pariu e te desajuntou
Tua realidade é outra, das muitas fomes
A tua é sórdida com suave brilho de estrelas.

Para onde ir, não é Maria?
Aos braços de teu Zé Ninguém?
Para ele espancar tua alma com fórceps?
Enfiar pela tua goela a fumaça maldita?

Onde está o céu, deve ser uma questão,
Quase nunca ou sempre indagada em teu travesseiro.
Não é Maria? Mas mesmo a fome de teus filhos,
Não te aguçam a responder tais perguntas.

Está enferma Maria, muito doente!
E esta doença, é contagiosa e fatal.
Os ricos que te temem só sustentam teus males
E te deixam confusa com sorrisos de predador.

Shangrilá, Céu, Nirvana, Passárgada...
Paraísos fora de tua realidade, ó Maria,
Quais teus sonhos, tuas motivações?

Teu filho quer carinho, mas dá o pouco que tem
Ao Zé que te acorrenta e que devolve na mesma medida
As surras mútuas em teu mundo, Ninguém.

Tenho compaixão de ti e dos teus semelhantes,
Mesmo que tenha me sequestrado, furtado e espancado
Na minha alma maculado um furo.

Queria abraçá-la Maria, em meus braços te contar
Da vida que poderia ser diferente,
Dos sonhos que poderiam existir aos teus filhos.

Mas teu vício jocoso consome voraz
E só tem ouvidos aos Zes e Marias,
Nem a mim nem aos teus pequenos filhos,
Consegue ater-te em qualquer atenção.

Talvez por saber de teu destino:
Mais uma cova rasa!
Jazigo das Marias Ninguéns.

Cristiano Melo, 10 de Maio de 2009.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Brasis

País de distintos contrastes
Ora discreto, ora exasperante
Diferenças advindas da colônia
Consolidadas por relações de poder.

A mistura de raças
De religiões, culturas e economia
Cria-se o que se chama brasileiro
Do solitário ao coletivo formigueiro.

Das raças, as multicores
Das religiões, o sincretismo
Das culturas, uma bagunça
Da economia, um abismo.

Terras continentais a perder de vista
Conhecer o Brasil é tarefa difícil

O pouco que se pode, desvela brasis
Vários povos em um, utopia servil!

Se o povo é brasileiro
As diferenças denunciam o plural
Insistem na mídia: povo feliz e faceiro

Quando das normas vigentes e a moral
Surgirá alguém que grite:
Não somos uma nação!
Quem sabe uma população?!
Não!

Somos diversos brasis
Com aceitações servis
Do hino nacional: “...amor febril...”

Febre, cegueira e pasmaceira
O Brasil é Brasis.


Cristiano Melo, 28 de março de 2009.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...