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sexta-feira, 29 de março de 2013

Fantasia




Pensara em terem me arrancado as asas
No chão atrelado sem conseguir alcanças as nuvens
Pés presos e mãos estendidas, dor nas costas rasas
Tentava escapar como de costume das fuligens

Qual não é o estranho som da solidão
Quando despertas de uma fantasia
Não me cortaram asas nem alegria
Nunca as tivera quando me veio a razão

Não pude mais voar
Engolir fumaça era o que me restara
Se é que havia voado para algum lugar
Imóvel chorando o penar do agora...

A triste razão, se a tenho é porque nunca tive asas
Solitário, hermético, apático, assustado e, no chão!



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fantasias




A fragilidade cria facilmente quimeras,
Sonhos que acalentam o solitário ser
Ensimesmado na segurança do cobertor.
Escaldado, marinado, assado e cozido!

Encontrar alguém que aparece com anéis,
Confunde e encanta novamente o alvorecer.
Sentimentos precisam de tempo ou vem a dor
Como se lançar ao chão sem aparas.

Da fantasia que se mostra gentil,
A costumeira dificuldade em acreditar,
Transformar em realidade sem apego,
Acuidade intuitiva juramentada.

Verdade que lacera a carne do sonho,
Cortes profundos na alma surpresa
De ter se aberto pra um ser, mais um.
Nada além de mais uma morte.



sábado, 2 de outubro de 2010

Alice




Desde o dia em que Alice caiu
Lá da janela preta de dentro
Pra fora, no doído cimento
Não poderia jamais ser gentil.

Fustigada pela luz do paço
Parecida com cebolas cruas
Incontáveis camadas duras
A descamar algo em percalço.

Alice já caminhava, débil
Por entre outras pasmas liláceas
No caminho de bulbo infértil.

Asas brotam dos ombros às nádegas
Voa moribunda com arredio
Com a alma, enfim, livre pra Atenas.



domingo, 19 de setembro de 2010

Esferas

Sou o reflexo do espelho
Do avesso te vejo
Ao olhar para mim mesmo

Dói nascer de novo
Mais que morrer

Existo na imagem de mim
Teus olhos embaçados
Quem conta a estória?

Moi o ventre
Circuito fechado

Deixo o palco demasiado depressa
Escorrendo fantasias e sandálias
Corro até não parar.

Cristiano Melo, 19 de setembro de 2010

domingo, 26 de abril de 2009

Sentimento e Fantasia

A fragilidade do ser cria quimeras fáceis
Sonhos que acalentam o solitário ser
Ensimesmado na segurança do cobertor
Escaldado, marinado, assado e cozido!

Encontrar alguém que aparece com anéis
Confunde e encanta o alvorecer
Sentimentos precisam de tempo ou vem a dor
Ou se lançar sem chão ao desconhecido.

Da fantasia que se mostra gentil
A costumeira dificuldade em acreditar
Transformar em realidade sem apego
Acuidade intuitiva juramentada.

Sofrimento gerado pela excitação
Emoções misturadas no cerne do sentimento
Labaredas sólidas que exalam paixão.

Consumar estático o comprometimento
De querer, desejo e imaginação.
Precisa-se para um alicerce vislumbrar qualquer cimento.


Cristiano Melo, 26 de Abril de 2009.
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