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domingo, 5 de agosto de 2018

Solidão


A solidão come pelos pés
estes que já andaram correndo
agora estão imobilizados...

Não se vai sem recusar
Sinto-me só
sinto-me
sinto
sim.
E ela te derruba
não importa o tamanho
a força de seu abraço
é extrema quando se quer.
Aparece porque quer
não porque foi chamada
e fica o quanto quer
resta esperar, para andar!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Solidão



De que me serve a vida
se para respirar penso em você
que não conheço.

Para na penumbra de meu quarto
desenhar pensamentos com você
que não conheço.

Para que a esperança
se até dói a lembrança de você
que não conheço.

Para que viver
se em todo canto lhe vejo sem ter você
que não conheço.

Resta então a morte
essa desvirginada dama da noite
que - ainda - não conheço.
mas a sinto] 



terça-feira, 29 de julho de 2014

Tenho medo de gente




---
Quero me levar
junto
aos meus sonhos
aos meus medos
e anseios;
---
Para longe
ou perto,
não importa!
---
Desde que encontre
meu lugar,
onde possa ser.
---
Nada a mais.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Solidão






Solidão não é
o mesmo que estar só.

O espaço, do vazio ao pleno,
é que aproxima ou distancia
estes estados próprios
de quem está desperto.

Ao que vive entorpecido,
a solidão é insuportável 
e cruel
estar só, impensável!

A completude é a chave mestra,
não seja leviano
consigo
ou com os outros. 

Somos um antes de dois.



quinta-feira, 13 de março de 2014

Amplitude zero




Deixou a porta aberta para não se esquecer
Era dia de visita e ficara o dia empolgado
Menos triste que o habitual estando enjaulado.

Ela veio falante como de costume sem saber
Ou até poderia saber, bem lá no fundo,
Que não é e nunca foi uma boa ouvinte do ser.

Não importava para ele, pois queria ouvir alguém;
Falar enquanto permanecia preso em sua solidão
Nada além de ouvir qualquer coisa, sem desdém.
No entanto ela estava com pressa de ir-se então.

O recorde de vinte minutos fora quebrado por quinze...
Quinze minutos de entrar, reclamar, tagarelar, não ouvir!
Ninguém poderia lhe tirar o mastro de mártir
Gritou algo desconexo, deixou-o só, e foi-se.



sábado, 7 de dezembro de 2013

O silêncio do vazio






Abriu a porta, rápido e certeiro.
Empurrou-a por trás de si e a trancou:
Silêncio do vazio, altaneiro!
Ela já não estava lá e chorou.

Colocou sem pensar as roupas na máquina,
Sabão em pó mais um amaciante.
Na panela de barro alguns legumes
Bastante água, temperos e o arroz.

Brincou cansado com a sua cadela
Junto ao espaço da bagagem dela,
Foi deitar na varanda em sua rede.

De lá fitou o mar, os olhos dela.
Tudo ao redor numa saudosa aquarela;
Ouviu um bem-te-vi, sorriu e dormiu. 


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ânsia solitária


Afogo-me em cigarros
A solidão e a ansiedade
Corroem ácidas
A roupa do rei.

Café, vinho, água, cigarros...
Noite insone
Virada pelo avesso
Nas cobertas do palácio.

Dragões para caçar
Salvar belas donzelas
Dar pão ao povo faminto
Atos heróicos de um narciso rei.

Desconstruo-me dessas fantasias
Não é carnaval, é vida tamponada
Viver na frágil ânsia de ser feliz
Enquanto a morte chega a todo instante.

Pura alergia da solidão,
Não há nada além de desconforto
Se não se aceita como se é
Um ser solitário e humano.

Cristiano Melo, 11 de Junho de 2009.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Afetos Virtuais


O afeto na rede globalizada
É de rapidez lancinante
Em pouco tempo são feitas e destruídas amizades
Amores insossos com sabores variados.

Paqueras em livrarias, cafés e aeroportos,
Bilhetes de telefone e troca de olhares
São cada vez mais trocados,
Pelas interações em comunidades virtuais.

É a nova geração em comunicação,
Os de outra época tentam acompanhar
Muitos conseguem, outros nem tanto
Mas a ansiedade é a mesma para todos.

Estórias de sorte, meio a miséria emocional
De seres que não saberiam falar no mundo real
Existem e são contadas e encontradas
Quase uma loteria, alguns dizem.

Pode-se discorrer sobre o assunto, discutir, ponderar
Mas é fato, o modo de interagir mudou
E quem tiver olho na terra de cegos
Pode ver algo incômodo, mas sem retorno.

Adaptar-se talvez seja o que há de necessário
Para se viver melhor nessa nova maneira
De troca de afeto, e de comunicar
Que ainda se consiga Amar!

Cristiano Melo, 23 de Abril de 2009.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Existir

Existo em relação ao outro,
Universos tangenciados,
Possibilidades de afeto e desafeto,
Mas assim, existo!
Contrário a isto, só a carcaça
Moribunda de dentes arregaçados!
Pensamentos de cupim e piolho
Nada existe, ou tudo inexiste...

Existo em rede, não em ponto!
Existir se mostra uma insistência,
Experiência, um big bang diário.
Meditar em silêncio e existir
Também é possível,
Mas até aí há a interação:
Intenção de existir e inexistir...

Existo quando as estrelas insensíveis
Brilham indiferentes na sua Natureza!
E a mim, um simples humano,
Cabe a escolha da amarga sina
Existir ou inexistir,
Entregar-me ao vazio inócuo de mim
Ou viver na existência fatídica
Da fantasiosa realidade humana!

Cristiano Melo, 13 de Abril de 2009.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Solidão

O pensamento em turbilhão
Energia contida inquieta
Só em meio à multidão
Melancolia instalada e não aceita.

Desfrutar de uma boa conversa
Alivia o ser e a alma
Silenciar, medita ou não acalma
Solidão da existência que não versa.

Interagir quando se quer
Companhia que se aceita
Do amor não consegue esquecer

Solidão, tristeza, escolha desdita
Refletir pode o peito aquecer
E só se continua, egoísta bem-dita.

Cristiano Melo, 27 de Março de 2009.
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