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domingo, 9 de novembro de 2014

Letras caídas


Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963)


I
Enquanto tropeço nas palavras
direcionadas 
a mim
deixo todas caírem.


II
Não tenho mais mãos
a segurar letras
tampouco ouso
jogar-me das pedras
fugir
de tão pouco
ao mesmo tempo muito
que me disseste em pouso
em meus ouvidos de sentir
matérias de antemão.


III
És livre para ir
vir
sou livre como as letras
por isso as deixo caírem
não tenho mãos!

IV
Sobrepujada arrogância
do sombrio juiz imaginário
a que me arremessaste quando
as letras caíram
além de meus pés
direto ao inferno dromedário.

V
Fujo
não apenas largo
deixo
corro
frouxo e desembestado
daquelas sentenças
de desavenças ao porvir.

VI
Quero paz
nada mais
nada menos
paz, é o que por mim
procurado.

VII
Que as letras caídas
possam inspirar
qualquer tema
poeta
além de mim
nestas faíscas
que queimam.


sábado, 1 de novembro de 2014

A falta de silêncio





Já achincalharam tanto
por pouco
que deste ponto
nada mais faz sentido

O desejo de fazer
prevalecer o douto
saber ignóbil de pranto
traz um crime cometido

Por urbes de um canto
ao outro]
que não para de pronto
esvai massa cefálica
de cérebro derretido

Soçobra nada do ser
tudo por dizer
em silêncio maroto
ouvimos o gritar enlouquecido

Medonha face oposta
que não te reconheces
apesar de preces
sua outra face
salve-os ó santa foice]  

quinta-feira, 13 de março de 2014

Amplitude zero




Deixou a porta aberta para não se esquecer
Era dia de visita e ficara o dia empolgado
Menos triste que o habitual estando enjaulado.

Ela veio falante como de costume sem saber
Ou até poderia saber, bem lá no fundo,
Que não é e nunca foi uma boa ouvinte do ser.

Não importava para ele, pois queria ouvir alguém;
Falar enquanto permanecia preso em sua solidão
Nada além de ouvir qualquer coisa, sem desdém.
No entanto ela estava com pressa de ir-se então.

O recorde de vinte minutos fora quebrado por quinze...
Quinze minutos de entrar, reclamar, tagarelar, não ouvir!
Ninguém poderia lhe tirar o mastro de mártir
Gritou algo desconexo, deixou-o só, e foi-se.



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