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domingo, 9 de novembro de 2014

Letras caídas


Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963)


I
Enquanto tropeço nas palavras
direcionadas 
a mim
deixo todas caírem.


II
Não tenho mais mãos
a segurar letras
tampouco ouso
jogar-me das pedras
fugir
de tão pouco
ao mesmo tempo muito
que me disseste em pouso
em meus ouvidos de sentir
matérias de antemão.


III
És livre para ir
vir
sou livre como as letras
por isso as deixo caírem
não tenho mãos!

IV
Sobrepujada arrogância
do sombrio juiz imaginário
a que me arremessaste quando
as letras caíram
além de meus pés
direto ao inferno dromedário.

V
Fujo
não apenas largo
deixo
corro
frouxo e desembestado
daquelas sentenças
de desavenças ao porvir.

VI
Quero paz
nada mais
nada menos
paz, é o que por mim
procurado.

VII
Que as letras caídas
possam inspirar
qualquer tema
poeta
além de mim
nestas faíscas
que queimam.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

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Era uma alegria
Viver naquele país ____________
Algo se partiu




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cigarros





Apaga a brasa do cigarro
Paga
Pega
Ideias soltas
Pontilhados etéreos
Vida cinzenta
Sem alma enquanto
Por quanto
Entretanto
Fume
Acenda a vida
A morte vem junto
Inseparáveis
Fato da afiada lâmina
Foice querida
Por si
Não apaga
Traga mais
Fumo
Tanto só
Apagado
Obrigado!



sábado, 2 de abril de 2011

Feijão com arroz e letras





Versos saborosos
Dão aquela água na boca
De quem senta, deita e levanta
Para ler.

Versos de rima métrica,
Sem medida,
Pueril.
Esmeril!

Versejar brasilidades
Como misturar
Cultura cerealífera
Com leguminosas.

Amido,
Vitaminas,
Ferro,
Proteínas...

As diferenças entre os aminoácidos,
Garantem a força nutritiva,
Do famoso feijão com arroz,
Entoam técnicos e cientistas.

A população agradece,
A diversidade em duas partes
Unidas como num poema,
Que nutre corpo e alma.

Versos deliciosos,
Nutritivos,
Brasileiros.
Feijão, arroz e letras!





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ruim

Republicação pois cabe no momento presente durante a campanha eleitoral à presidência do Brasil, segundo turno


A discussão entre o bem e o mal,
O ruim e o bom adentram séculos,
Permeia as fantasias que buscam
Comprovar a sua tese.

Dicotomia perigosa e fatal
A levantar guerras por binóculos
E dentro de seu lar que o amedrontam.
Genocídios corroborados em síntese.

Se o bem ou o mal existem de fato,
Pouco importa a quem se afeta.
Se o bom ou o ruim atingem o gato,
Vale ao mesmo saber de sua rabota.

Conjugar verbos de extermínio
O homem sempre soube fazer
Por conta do desrespeito à diferença
Em nome do bem ou do mal.

O soldado é tão obtuso e exímio,
Quanto o general de estrelas a cozer
Como a alma assustada nesta dança
Mórbida que não acompanha gestual.

Paz na Terra, dizem muitos,
E são justamente os que apedrejam
Em suas ideologias ridículas
Pobreza de reflexões realistas.

Um dia a Natureza cobrará seus frutos,
Não importando o lado de onde estejam
Serão todos destruídos como cutículas
Removidas de unhas adoecidas.
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