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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Anatomia de uma demência



Começou de súbito num dia ordinário
Estendeu-se por anos a fio
Insidiosa dessa vez
Até explodir novamente em ruído

O medo que veio na primeira vez
Cedido com o tempo e tratamento
Não apenas voltou como já não era mais medo
Era Terror agora, algo mais íntimo

O tempo se foi, junto com os amigos e a família
Não importava mais o que seria, quando da última vez
Agora tornada em primeira após a transformação
Nem pensamento, nem tempo, nem pensamento...

Nem nada, o limbo povoado de anjos e demônios
Que tanto fazia quem era o quê ali
Dor e alegria não tinham sentido, nenhum sentimento
Havia o nada, tudo estava dentro do nada.


Sem tempo nem pensamento.




domingo, 2 de janeiro de 2011

Demência




Larva que vaga lenta e rapidamente
Dentro de tua mente.

Consome paciente e voraz
O pensamento audaz.

Cabeça infestada de bichos
Estimulam teus caprichos.

Escondida e visível secreção
Espalha a doente célula espúria.

Contaminante, cambaleias sem rumo
Esbarras nas mesmas sem prumo.

Tiro, envenenamento e morte
Não é capaz de acabar o martírio.

As larvas consomem
O resto do homem. 



domingo, 3 de outubro de 2010

Mate-se

Com tuas próprias mãos no lenho
Corta a banda podre do lóbulo frontal
Descarrega a eletricidade excêntrica no bordel
Do esgoto pútrido que se tornou a tua tosca mente

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Demencia e Larvas ou Larvas e Demencia

Larva que vaga lenta e rapidamente
Dentro de tua mente.

Consome paciente e voraz
O pensamento audaz.

Cabeça infestada de bichos
Estimulam teus caprichos.

Escondida e visível secreção
Espalha a doente disseminação.

Contaminante, cambaleias sem rumo
Esbarras nas mesmas sem prumo.

Tiro, envenenamento, suicídio
Não é capaz de acabar o martírio.

As larvas consomem
O resto do homem.

Cristiano Melo, Agosto de 2009.
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