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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Adagas lunares





Ludibriaste-me,
Este empecível
Lunático coração.

Esperei com calma
Perceber tua alma,
Tua essência,
Teu amor!

Encontrei teu desafeto
Tuas penhoras hipócritas
A lua que um dia me deste
Era de papelão

Não quero mais o teu amor!
Não mais.
“Pega o beco”
E a tua lua!

Vá embora!
De onde vieste:
Com esta tua mente
Pululante de mentiras

Quimeras acorrentadas.

Acode a experiência!
Desalmada,
Mostra
O que eu não perdi.

Santa!

Puta!

Despudorada mitômana!

Sai fora e me deixa!
Fico com o sabor do não começo.
Triste sina de um ser amoroso,
Puto emocional que sou.

Saiba! Não é ameaça:
Minhas emoções,
Já estão prontas para outra,
A tal da fila anda.

E a Lua
É dada por insana
Como me demonstra!

Incontestável
Circunstância
De meu coração-favela
Perecível.

Amor que já foi dela.

Adeus formosa lunática!
Fugiste com o dragão
Ao deixar este pulcro cavaleiro prateado.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Fumaça





Coleciono alianças de papel!
Beijo meu espelho de mim
Ludibriado pelo próprio céu.

Fumaça sólida que dura assim
Em meio a névoas de ouropel.
Faz-me dançar dores sem fim.

Elementos ilusórios embrionários
Da realidade verdadeira absoluta,
Que convive em meus brios.

Ordenho leite de pedra bruta!
Alimentos ineptos diários
Devorados por minha alegria venusta.

Se há algo de real na ilusão,
Não há verdade nem mentira,
Apenas a minha falsa visão.

Do mundo que me cerca e vira
Ao avesso numa própria prisão:
Existo apenas na minha razão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estranhos conhecidos

fotografias de Cristiano Melo, todos os direitos reservados






Os sentidos aguçam minha curiosidade
Quem estará por trás de tal máscara?
Melancolias abstratas numa real ansiedade

Palidez fantasiada, a rubra carne devora
Ondas de gozo refrigeram a civilidade
Confusão derrotada pela infâmia tara

Rolam-se os dados pelos dedos grossos
Tempo avassalador de probabilidades
Realidade nua por entre sonhos ditosos

Acedam-se antes que morram temeridades
Momentos lívidos de sexo, no suspense, suspensos
Amor sem meias tiras nem metades

Venha logo!




sábado, 9 de outubro de 2010

Da sacada


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados


Com a participação de Saulo Almeida no último terceto




Da sacada, vejo os transeuntes
Tagarelices e gestos frívolos
Escondem sua solidão antes
Que a morte desperte a foice, tolos!

Adornados com as máscaras duras
Usufruto conseguido da sorte
Couraças presas em perucas
Ricas ou pobres, guardada morte.

Desde o pulo daquela sacada,
Morri para o costumeiro dado
Rolado pelo Tempo sem fada.

Nascimento urge em silêncio tato
Moscas vis-à-vis o nauseabundo
Fantoche cego mundano em vida. 




quinta-feira, 16 de julho de 2009

O caminhar

Compreender que tudo é transitório,
A impermanência impera indiferente.

Tudo que se junta, se separa,
Tudo que se constrói, um dia se destrói,
Tudo que se existe, um dia deixará de existir.

Apegar-se a algo como eterno,
Traz sofrimento.

Meu trabalho, meu amigo,
Meu amor, minha casa,
Minha vida, minha escrita...

A ilusão do pensamento,
Em círculos imateriais
Só lhe confunde.

Deixaria de existir se não pensasse?
É possível parar o pensamento?

O caminho é de cada um,
Ninguém pode fazê-lo em seu lugar.

Melhor talvez, caminhar consciente
Desatar os nós sociais
Ater-se ao ser só em si.

Cristiano Melo, 16 de Julho de 2009.
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