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domingo, 27 de abril de 2014

Meu poema, minha verdade




Não é que a culpe por ter me deixado triste
a ponto de cortar os pulsos em vão
não

Não é que te telefonar com alegria e entusiasmo
acarrete nas palavras de desestímulo de sempre
nada disso

Da vez que me entupi de barbitúricos
quando não encontrava saída para a dor
infligida na alma e fui parar numa UTI
não teve nenhuma ajuda de tua parte
a tal fim, uma vez que falas apenas a verdade

Não mesmo

A coerência social nos ensina veemente que a escolha
e responsabilidade é única e exclusivamente
de quem escolhe. ser solitário
de morte e nascimento. ninguém é responsável

Muito menos tu que conheço desde meu nascimento
embalando o berço emprestado de alguém
és um anjo que da boca só saem flores,
incentivo, motivação, conforto, solidariedade...

Da vez que o monóxido de carbono apenas me trouxe mazelas
não foram tuas palavras justas e amáveis que me afetaram
já tenho a própria vontade inata de partir
a mim é cabido a responsabilidade, já fora dito

Não é que não saibas escutar e apenas falar
tua fala sem ouvidos levaram-me para todo lado
mazelado
somente o ser que escolhe há de ser responsabilizado

Tiro
A minha própria vida
Tiro

Sou quem escolhe, não é? pois não há do que choramingar
reze ao teu deus misericordioso, reclame
faça o que sabes fazer de melhor, fale, fale, fale, fale...
até cair a língua quando o meu pó já fora varrido a eras

Pedir-te clemência já não há mais sentido
por isso as letras nestes versos 
impelido que fui a escrever
meu último espaço verdadeiro

Meu silêncio é a minha verdade 
as letras o corpo
a inspiração respira...

E, no meu poema
a tua fala é a mentira
transmutada em fumaça inerte
apenas não tem mais poder

Foi ilusão pensar que poderia escapar
de minha sina
um sonho quase tangível
desmanchado por tua porca mente

Neste espaço, sou quem determina as regras
as palavras, a verdade e a mentira
o desconforto e o confronto
da dor que me foi talhada décadas a fio

Aqui eu posso escrever que a mentira é a verdade

Verdade
Mentira

Ilusão que não faz mais sentido algum neste impasse
não desejo algo mais da vida
a verdade é a mentira

Morto não tem sina e a verdade que te anima
o dinheiro
será teu pior pesadelo
quando ficares rica com a minha morte. 



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Fumaça





Coleciono alianças de papel!
Beijo meu espelho de mim
Ludibriado pelo próprio céu.

Fumaça sólida que dura assim
Em meio a névoas de ouropel.
Faz-me dançar dores sem fim.

Elementos ilusórios embrionários
Da realidade verdadeira absoluta,
Que convive em meus brios.

Ordenho leite de pedra bruta!
Alimentos ineptos diários
Devorados por minha alegria venusta.

Se há algo de real na ilusão,
Não há verdade nem mentira,
Apenas a minha falsa visão.

Do mundo que me cerca e vira
Ao avesso numa própria prisão:
Existo apenas na minha razão.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Canção da Repetição

Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados



A repetição, a repetição...
Ativa negação,
Passiva relação e tantos “ãos”
Faz nascer esta canção.

Não, eu não quero seu peito
Sem leite para chupar veneno.

Não, eu não quero seu colo
Com espinhos para furar meu lenho.

Não, eu não quero sua culpa
Disfarçada de remorso cristão.

Repete anda repete
Caminha repele caminha

Choca o ovo da serpente
Aduba a erva daninha.

Acredita, é verdade, de tanto repetir
Que a realidade não vai lhe tocar.

Sim, as escolhas foram feitas
No chapisco do muro de cimento.

Sim, a cama foi desfeita
No momento da brecha pela fechadura.

Repete anda repete
Sem caminho anda e repete

Repete, anda!
E acredita na sua verdade.
Louca e demente realidade,
A mentira é a verdade.

Pura e simples,
Dura e simples.

Duelo da canção
Quem tem razão?
Realidade ou verdade?!
Acredite no que lhe couber.

sábado, 5 de junho de 2010

Realidade

De que adianta averiguar a realidade
Se esta não representa sua análise.
Ora fruto que é da verdade absoluta.
Da relatividade se espreita uma abordagem própria.

Tão pouco afirmar a persistência de inquestionável verdade,
Logra aproximação do observador ao objeto da frase,
Do contrario, não existira a diferença poluta.
A realidade se firma em si pela história.

Se penso que amar é real,
Realidade passa a ser,
Da verdade de um querer.

Entrementes, querer não legitima o ver,
Observar o objeto, no pensamento leal,
Realidades relativas no perceber como tal.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Canção da repetição

A repetição, a repetição...

Ativa negação,

Passiva relação e tantos “ãos”

Faz nascer esta canção.


Não, eu não quero seu peito

Sem leite para chupar veneno.


Não, eu não quero seu colo

Com espinhos para furar meu lenho.


Não, eu não quero sua culpa

Disfarçada de remorso cristão.


Repete anda repete

Caminha repele caminha


Choca o ovo da serpente

Aduba a erva daninha.


Acredita, é verdade, de tanto repetir

Que a realidade não vai lhe tocar.


Sim, as escolhas foram feitas

No chapisco do muro de cimento.


Sim, a cama foi desfeita

No momento da brecha pela fechadura.


Repete anda repete

Sem caminho anda e repete


Repete, anda!

E acredita na sua verdade.

Louca e demente realidade,

A mentira é a verdade.


Pura e simples,

Dura e simples.


Duelo da canção

Quem tem razão?

Realidade ou verdade?!

Acredite no que lhe couber.


Cristiano Melo, 28 de Outubro de 2009.

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