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sábado, 8 de abril de 2017

Feridas



Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e carrego estas máculas diariamente
de um canto para o outro, pois que
nada nos deixa muito tempo sãos.

Já te disse que ele entra na minha mente
ele deseja que a ferida não seja curada
e vamos, nas feridas, escrever vários
temas de pessoas, muito estranhamente.

Porque de cá, dói o machucado,
mas há alívio em conhecer de fato,
que a loucura existe por dentro
e um tanto assim de um brocado.

Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e nenhuma ideia de onde isso vai dar.
Quero apenas continuar com meus irmãos.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Considerações Finais




O poeta ponderado escreve moderado
Mui diferente de quando está apaixonado;
Triste daquele sem alguém ao lado:
Perde entusiasmo e regurgita quadrado.

Sem a alma no corpo este perambula...
A esmo, para onde se dirige o gado!
Se for para o abismo, vai sem luta,
Anula a velocidade e tão sem retardo.

A inspiração aspira purgações!
Pirados e amalucados; ser destacado.
Felizes e alegres pelas escolhas e ações

Se este é mais um fardo considerado
Para outros é amor, alegria e lições...
Sem últimas considerações d’um soldado.

domingo, 29 de junho de 2014

Só risos




Ler ao som de "Quem me vê sorrindo", do mestre Cartola.



Sou só risos a mostrar
meu bem estar,
a realidade me falta
aos pés.

Imperativo é o desejo de mascarar
a dor, a angústia, o bocejo...
que levariam ao incômodo
dos espinhos da verdade.

Melhor ficar na saudade
fora da realidade
me ver sorrindo em retratinho,
a ter o acinte de meu pranto enquadrado.

Não quero ser o tal,
apenas me amedronta
a pirotecnia a que o humanoide
acostumado está.

Mostro meu sorriso mais largo
não me torres,
não me torres,
não me torres.





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Solidão






Solidão não é
o mesmo que estar só.

O espaço, do vazio ao pleno,
é que aproxima ou distancia
estes estados próprios
de quem está desperto.

Ao que vive entorpecido,
a solidão é insuportável 
e cruel
estar só, impensável!

A completude é a chave mestra,
não seja leviano
consigo
ou com os outros. 

Somos um antes de dois.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pregos


Nem que eu estourasse os teus miolos
Os piolhos sairiam daqui de dentro

Nem que tu estourasses os meus miolos
Teus piolhos sairiam daí de dentro

Suavizar um esmeril com uma pluma
É um bocado de tempo que se precisa

Sonhar algo leve depois de encarar o diabo
É colar com cuspe um vaso de cristal quebrado

Ver além de um muro de lixo
É enxergar com os olhos arrancados

Respirar com uma faca de mentiras entalada
É uma dor que não se pode explicar

O ser depois do “vai-te” misturado ao bolo de pesadelos
É quase uma sina de vingar-se

Não há como matar o que já está morto

quinta-feira, 24 de março de 2011

SMS







És a beleza
Que vejo sempre,
Com a certeza
De teu sorriso alegre.


Teus olhos me fascinam
Oh, menino bonito.
Teus carinhos alegram
Meu/teu peito.





quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poema de Nydia Bonetti




Caros leitores, raramente trago poemas e/ou escritos de outros autores em meu blog, pela proposta dele ser a divulgação/publicação eletrônica de meus próprios poemas e/ou escritos. Este poema abaixo é de autoria de Nydia Bonetti que escreve em seu blogue "Longitudes" poemas de belíssima suavidade, com um raro dom de tratar de temas existencialistas como uma pena solta no ar. Por quanto não modifique o formato e missão do Braços Abertos, manterei na mesma linha de publicar o meu próprio trabalho, mas este poema, em especial, me trouxe inspirações de mudar o formato do blogue, com entrevistas e resenhas de poetas incríveis como Nydia.



"o grande risco do poema
  é que ele é feito de giz

  e não apaga dor"



sábado, 8 de janeiro de 2011

Alma da Informação


*Painel de Escher




Café, barbitúricos, cachaça e nada de sono,
Farofa, frango frito, costela assada,
Nada preenche o buraco da barrigada.
Olheiras amontoam num ser medonho.

O mundo em alta velocidade bruta
Desajustado que não acompanha se frustra
Sencientes em meio a uma revolução
Redes, comunidades, interatividade e comunicação.

O ser humano é desta monta capaz?
De focar em si e não em bruta fruta?

Perdido, atordoado, dormindo acordado
A mudança radical de informação
Não me deixa confortável nem antenado
Apenas disperso, estúpido sem solução.

Saudade dos tempos de criança
Brincadeiras alegres com primos
Na fazenda da bisa, sem balança
Nem insensatas cobranças de arrimos.

Burburinho de brincadeiras de roda
Pega-pega, esconde-esconde, Jo-ajuda
Diretas, não virtuais, reais com ingenuidade
Talvez eu seja um pessimista ou é a idade.

Arregaço curioso meu peito
O coração, pasmo, ainda está lá.
Mas não encontro minha alma acolá
Fugida para algum lugar de respeito!

Para além píncaros.





sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A chuva e o olhar



Para Cris Caetano


Lá fora a chuva não para
Aqui no peito o Sol brilha.

Quando meu olhar cruzou o teu
Verde-Castanho
Muito aconteceu.

As águas da chuva, estranho,
Aqueceram o herói adormecido
Tateante pelo ser amado.

De tantas batalhas com dragões
Entrega-se ao verde olhar,
Que brilha imensidões
Sob a chuva a aumentar.

E, a cada gota d’água,
No rosto desses errantes,
Se constroi um amor sem míngua
A estimular os futuros amantes.

Que venha a água da chuva
O suor e o desafio de prever
O sofrimento que não se quer
No Verde-Castanho do lar.



OBS.: na fotografia olho de Diana Melo, minha irmã.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Homo sapiens

Foi-te ignorante daquela cidade,
Retornou uma gorda de ideias obtusas
Para a verdade questionar.

Estúpida mordaça arregaçada da idade,
Mostra a saliva podre de escusas
Da realidade não questionar.

És burra, idiota, energúmena e acéfala.
Arranca logo estes olhos que não te servem,
Enfia uma faca neste peito sem graça.

E não é que a frívola sorte tola,
Carrega-te ao teu gato de desdém?!
Dois tolos a mosquear na desgraça.

Felizardos os que não vos acompanha
Nesta campanha azeda da realidade humana,
Que são, em fato, quase ninguém.

Pois a humanidade é o próprio espelho desta sanha.
Verdade absoluta não é realidade insana
Mas é ilusão de outrem.

Salvem o Homo sapiens da extinção!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chica Bum






La Chica Bum



Quando entro em casa
O pulo é garantido
Patas que sujam o resto da roupa

Ao tomar banho
Espera fora do banheiro
Pra mais um pulo escorado

Ao fazer o jantar
Não sai de perto
Devora pedaços caídos

Sua vez de jantar
E só come assistida
Afago que dou na querida

Hora da leitura antes de dormir
Vai pra caminha ao meu lado
E ronca antes de mim

Chica Bum é o seu nome
Minha vida mudou com ela
Alegria de vê-la, minha cadela

domingo, 14 de novembro de 2010

Esperança

Num sussurro
Ouço a sua batida
Cada vez mais forte

Regala o fogo do peito
Guarnecido apagado há tempos
Bastou um lampejo, um realejo

Já não se furtava da realidade
Esbaldava-se na solidão de muitos
Corria insone e ansioso sem rumo

Eis que a vida lhe joga no colo
Algo tão forte quanto o que removera
Surge mais uma vez, o anjo da esperança


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estranhos conhecidos

fotografias de Cristiano Melo, todos os direitos reservados






Os sentidos aguçam minha curiosidade
Quem estará por trás de tal máscara?
Melancolias abstratas numa real ansiedade

Palidez fantasiada, a rubra carne devora
Ondas de gozo refrigeram a civilidade
Confusão derrotada pela infâmia tara

Rolam-se os dados pelos dedos grossos
Tempo avassalador de probabilidades
Realidade nua por entre sonhos ditosos

Acedam-se antes que morram temeridades
Momentos lívidos de sexo, no suspense, suspensos
Amor sem meias tiras nem metades

Venha logo!




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Ser pelo Ter


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados



O ser pelo ter
Não se busca mais
A beleza do ser

Quer-se a fantasia do ter
A passageira e momentânea
Aliança forjada

Tenho, logo existo
Em meio a bundas e peitos
De plástico elástico

Músculos, abdomens, coxas
Dinheiro, carro, apartamento
Aparência distorcida que serve

Sem qualquer remorso
Troca-se o ser pelo ter
Vaidades de liquidificador

Insanidades efêmeras em crisálidas
Prontas para mudar com a moda
O descartável em voga

Corra o risco de ser
E será expurgado do meio
Ambiente social apodrecido

Seja decente, honesto, divertido
E ficará sorrindo sozinho
Enquanto a boca de dentes falsos te cospe

Seja franco, aberto, idiossincrásico
E conhecerá o ostracismo
Gruta, jaula que se torna sua casa

Saudades do bicho homem
Que já foi
E hoje não existe


Cristiano Melo, 24 de setembro de 2010

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Poema resultado da atividade de drogas

Poema inspirado em uma traficante/usuária assassinada

MARIA NINGUÉM

Tua alegria mudou Maria Ninguém,
Por trás da membrana cinzenta de teus olhos,
Dos lábios de cor violácea, disformes,
E corpo emagrecido, com as salientes costelas.

A vida não te sorriu, Maria...
A sociedade te pariu e te desajuntou
Tua realidade é outra, das muitas fomes
A tua é sórdida com suave brilho de estrelas.

Para onde ir, não é Maria?
Aos braços de teu Zé Ninguém?
Para ele espancar tua alma com fórceps?
Enfiar pela tua goela a fumaça maldita?

Onde está o céu, deve ser uma questão,
Quase nunca ou sempre indagada em teu travesseiro.
Não é Maria? Mas mesmo a fome de teus filhos,
Não te aguçam a responder tais perguntas.

Está enferma Maria, muito doente!
E esta doença, é contagiosa e fatal.
Os ricos que te temem só sustentam teus males
E te deixam confusa com sorrisos de predador.

Shangrilá, Céu, Nirvana, Passárgada...
Paraísos fora de tua realidade, ó Maria,
Quais teus sonhos, tuas motivações?

Teu filho quer carinho, mas dá o pouco que tem
Ao Zé que te acorrenta e que devolve na mesma medida
As surras mútuas em teu mundo, Ninguém.

Tenho compaixão de ti e dos teus semelhantes,
Mesmo que tenha me sequestrado, furtado e espancado
Na minha alma maculado um furo.

Queria abraçá-la Maria, em meus braços te contar
Da vida que poderia ser diferente,
Dos sonhos que poderiam existir aos teus filhos.

Mas teu vício jocoso consome voraz
E só tem ouvidos aos Zes e Marias,
Nem a mim nem aos teus pequenos filhos,
Consegue te ater em qualquer atenção.

Talvez por saber de teu destino:
Mais uma cova rasa!
Jazigo das Marias Ninguéns.

Cristiano Melo, 10 de Maio de 2009.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maria Ninguém

Tua alegria mudou Maria Ninguém,
Por trás da membrana cinzenta de teus olhos,
Dos lábios de cor violácea, disformes,
E corpo emagrecido, com as salientes costelas.

A vida não te sorriu, Maria...
A sociedade te pariu e te desajuntou
Tua realidade é outra, das muitas fomes
A tua é sórdida com suave brilho de estrelas.

Para onde ir, não é Maria?
Aos braços de teu Zé Ninguém?
Para ele espancar tua alma com fórceps?
Enfiar pela tua goela a fumaça maldita?

Onde está o céu, deve ser uma questão,
Quase nunca ou sempre indagada em teu travesseiro.
Não é Maria? Mas mesmo a fome de teus filhos,
Não te aguçam a responder tais perguntas.

Está enferma Maria, muito doente!
E esta doença, é contagiosa e fatal.
Os ricos que te temem só sustentam teus males
E te deixam confusa com sorrisos de predador.

Shangrilá, Céu, Nirvana, Passárgada...
Paraísos fora de tua realidade, ó Maria,
Quais teus sonhos, tuas motivações?

Teu filho quer carinho, mas dá o pouco que tem
Ao Zé que te acorrenta e que devolve na mesma medida
As surras mútuas em teu mundo, Ninguém.

Tenho compaixão de ti e dos teus semelhantes,
Mesmo que tenha me sequestrado, furtado e espancado
Na minha alma maculado um furo.

Queria abraçá-la Maria, em meus braços te contar
Da vida que poderia ser diferente,
Dos sonhos que poderiam existir aos teus filhos.

Mas teu vício jocoso consome voraz
E só tem ouvidos aos Zes e Marias,
Nem a mim nem aos teus pequenos filhos,
Consegue ater-te em qualquer atenção.

Talvez por saber de teu destino:
Mais uma cova rasa!
Jazigo das Marias Ninguéns.

Cristiano Melo, 10 de Maio de 2009.

domingo, 3 de maio de 2009

Conversas Fiadas


Conversas desconexas, fiadas,
Falas frívolas, assoberbadas,
Sorrisos nervosos, complexo,
Barulhos e burburinhos sem nexo.

Aumento no cerne da ansiedade
Associado ao aumento do tom,
Tagarelices com amendoim sem piedade.
Garrafa de água marcada de batom.

As mãos suadas de algum:
Qualquer lampejo de razão?
Gargalhadas infames de cartum.

E a orquestra continua, desafinada sem noção.
Imbuída em seu propósito: nenhum!
Fim do ato introdutório, silêncio, apreensão...

Cristiano Melo, 01 de Novembro de 2008.

domingo, 26 de abril de 2009

Sentimento e Fantasia

A fragilidade do ser cria quimeras fáceis
Sonhos que acalentam o solitário ser
Ensimesmado na segurança do cobertor
Escaldado, marinado, assado e cozido!

Encontrar alguém que aparece com anéis
Confunde e encanta o alvorecer
Sentimentos precisam de tempo ou vem a dor
Ou se lançar sem chão ao desconhecido.

Da fantasia que se mostra gentil
A costumeira dificuldade em acreditar
Transformar em realidade sem apego
Acuidade intuitiva juramentada.

Sofrimento gerado pela excitação
Emoções misturadas no cerne do sentimento
Labaredas sólidas que exalam paixão.

Consumar estático o comprometimento
De querer, desejo e imaginação.
Precisa-se para um alicerce vislumbrar qualquer cimento.


Cristiano Melo, 26 de Abril de 2009.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O vazio


Há um vazio,
Um buraco
Em todos os conscientes
Seres sencientes
Que sofrem e buscam tapá-lo
Com o que veem pela frente.

Bebida,
Droga,
Companhia,
Outra companhia
E outra...

Quanto mais se busca, mais se afasta
Da realidade do vazio
Mais se encontra nada.

Quanto mais se consolida
Os hábitos de procura
Criam-se vícios sóbrios.

O buraco é próprio,
Nada, nem ninguém, pode preenchê-lo
Só o pobre mancebo

Que deve concebê-lo,
Como seu aliado e amigo
O meu buraco vazio!

Cristiano Melo, 15 de Abril de 2009.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Existir

Existo em relação ao outro,
Universos tangenciados,
Possibilidades de afeto e desafeto,
Mas assim, existo!
Contrário a isto, só a carcaça
Moribunda de dentes arregaçados!
Pensamentos de cupim e piolho
Nada existe, ou tudo inexiste...

Existo em rede, não em ponto!
Existir se mostra uma insistência,
Experiência, um big bang diário.
Meditar em silêncio e existir
Também é possível,
Mas até aí há a interação:
Intenção de existir e inexistir...

Existo quando as estrelas insensíveis
Brilham indiferentes na sua Natureza!
E a mim, um simples humano,
Cabe a escolha da amarga sina
Existir ou inexistir,
Entregar-me ao vazio inócuo de mim
Ou viver na existência fatídica
Da fantasiosa realidade humana!

Cristiano Melo, 13 de Abril de 2009.
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