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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Afetos Virtuais


O afeto na rede globalizada
É de rapidez lancinante
Em pouco tempo são feitas e destruídas amizades
Amores insossos com sabores variados.

Paqueras em livrarias, cafés e aeroportos,
Bilhetes de telefone e troca de olhares
São cada vez mais trocados,
Pelas interações em comunidades virtuais.

É a nova geração em comunicação,
Os de outra época tentam acompanhar
Muitos conseguem, outros nem tanto
Mas a ansiedade é a mesma para todos.

Estórias de sorte, meio a miséria emocional
De seres que não saberiam falar no mundo real
Existem e são contadas e encontradas
Quase uma loteria, alguns dizem.

Pode-se discorrer sobre o assunto, discutir, ponderar
Mas é fato, o modo de interagir mudou
E quem tiver olho na terra de cegos
Pode ver algo incômodo, mas sem retorno.

Adaptar-se talvez seja o que há de necessário
Para se viver melhor nessa nova maneira
De troca de afeto, e de comunicar
Que ainda se consiga Amar!

Cristiano Melo, 23 de Abril de 2009.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Existir

Existo em relação ao outro,
Universos tangenciados,
Possibilidades de afeto e desafeto,
Mas assim, existo!
Contrário a isto, só a carcaça
Moribunda de dentes arregaçados!
Pensamentos de cupim e piolho
Nada existe, ou tudo inexiste...

Existo em rede, não em ponto!
Existir se mostra uma insistência,
Experiência, um big bang diário.
Meditar em silêncio e existir
Também é possível,
Mas até aí há a interação:
Intenção de existir e inexistir...

Existo quando as estrelas insensíveis
Brilham indiferentes na sua Natureza!
E a mim, um simples humano,
Cabe a escolha da amarga sina
Existir ou inexistir,
Entregar-me ao vazio inócuo de mim
Ou viver na existência fatídica
Da fantasiosa realidade humana!

Cristiano Melo, 13 de Abril de 2009.
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