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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Solidão






Solidão não é
o mesmo que estar só.

O espaço, do vazio ao pleno,
é que aproxima ou distancia
estes estados próprios
de quem está desperto.

Ao que vive entorpecido,
a solidão é insuportável 
e cruel
estar só, impensável!

A completude é a chave mestra,
não seja leviano
consigo
ou com os outros. 

Somos um antes de dois.



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Interlúnio

imagem de American Horror Story, FOX 




Coligia chorrilhos de contrição
Lançados aos ladrilhos macambúzios.
Compungir-se de feitos, ora não!
Quebrantar tinos ditosos, ora vazios!

Amedrontado por fantasmas,
Por humanos, por micro-organismos,
Por células, genes, enzimas...
Regozijava-se em pular abismos.

Ciclo ininterrupto da vida é
A raiz de seus infortúnios.
Interrompida fosse, como em interlúnios,
Poder-se-ia caminhar com o próprio pé.

Parar ou continuar, eis aqui um impasse!
Se vais ou não sustentar suas escolhas
Malditas ou não, seria bom que chorasse
Pela sórdida mão estendida cheia de bolhas.

Pudesse fugir, para onde iria?
Vermes acompanham de perto
A hora de refestelar-se com alegria
Daquela alma perdida por certo.

Pudesse gritar, quem ouviria?
A família pronta para te internar?
Ou o cachorro lambendo a virilha?
Nada que faça irá modificar.

Pudesse morrer, morreria.
Sem o tempo no teu calcanhar
Nem a lembrança da selvageria
Que é tentar o outro aceitar.



Passo!


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Ser pelo Ter


Fotografia de Alex Melo, todos os direitos reservados



O ser pelo ter
Não se busca mais
A beleza do ser

Quer-se a fantasia do ter
A passageira e momentânea
Aliança forjada

Tenho, logo existo
Em meio a bundas e peitos
De plástico elástico

Músculos, abdomens, coxas
Dinheiro, carro, apartamento
Aparência distorcida que serve

Sem qualquer remorso
Troca-se o ser pelo ter
Vaidades de liquidificador

Insanidades efêmeras em crisálidas
Prontas para mudar com a moda
O descartável em voga

Corra o risco de ser
E será expurgado do meio
Ambiente social apodrecido

Seja decente, honesto, divertido
E ficará sorrindo sozinho
Enquanto a boca de dentes falsos te cospe

Seja franco, aberto, idiossincrásico
E conhecerá o ostracismo
Gruta, jaula que se torna sua casa

Saudades do bicho homem
Que já foi
E hoje não existe


Cristiano Melo, 24 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Afetos Virtuais


O afeto na rede globalizada
É de rapidez lancinante
Em pouco tempo são feitas e destruídas amizades
Amores insossos com sabores variados.

Paqueras em livrarias, cafés e aeroportos,
Bilhetes de telefone e troca de olhares
São cada vez mais trocados,
Pelas interações em comunidades virtuais.

É a nova geração em comunicação,
Os de outra época tentam acompanhar
Muitos conseguem, outros nem tanto
Mas a ansiedade é a mesma para todos.

Estórias de sorte, meio a miséria emocional
De seres que não saberiam falar no mundo real
Existem e são contadas e encontradas
Quase uma loteria, alguns dizem.

Pode-se discorrer sobre o assunto, discutir, ponderar
Mas é fato, o modo de interagir mudou
E quem tiver olho na terra de cegos
Pode ver algo incômodo, mas sem retorno.

Adaptar-se talvez seja o que há de necessário
Para se viver melhor nessa nova maneira
De troca de afeto, e de comunicar
Que ainda se consiga Amar!

Cristiano Melo, 23 de Abril de 2009.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ser inadequado


Talvez eu não seja o homem mais adequado,
Não seja adequado ao que você procura.

Talvez eu não seja o que se costuma esperar de alguém,
Ou, seja mesmo inadequado.

Mas não consigo imaginar alguém mais real e humano,
O que tenho a oferecer é simples e ao mesmo tempo complexo.

Simples pelo fato de ser o que é,
Complexo pelo mesmo motivo.

O tesouro que tenho é nada mais que o meu próprio ser,
Já não ofereço mais rosas apenas.

Flores são belas, mas perecem,
E o que tenho é imaterial e imperecível,

Talvez por isto mesmo assuma nuances densas e fortes,
Mas são brilhos apenas, nada além disso, brilho.

Brilho devido ao refletir a luz, caso contrário,
Sem reverberação, é fosco, como diamante bruto.

Talvez eu seja mesmo inadequado!

Cristiano Melo, 25 de Dezembro de 2008.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Existir

Existo em relação ao outro,
Universos tangenciados,
Possibilidades de afeto e desafeto,
Mas assim, existo!
Contrário a isto, só a carcaça
Moribunda de dentes arregaçados!
Pensamentos de cupim e piolho
Nada existe, ou tudo inexiste...

Existo em rede, não em ponto!
Existir se mostra uma insistência,
Experiência, um big bang diário.
Meditar em silêncio e existir
Também é possível,
Mas até aí há a interação:
Intenção de existir e inexistir...

Existo quando as estrelas insensíveis
Brilham indiferentes na sua Natureza!
E a mim, um simples humano,
Cabe a escolha da amarga sina
Existir ou inexistir,
Entregar-me ao vazio inócuo de mim
Ou viver na existência fatídica
Da fantasiosa realidade humana!

Cristiano Melo, 13 de Abril de 2009.
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