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quarta-feira, 22 de maio de 2019
Viro meu rosto para o crepúsculo,
Naquele último instante de luz...
E percebo que as fases em cruz
Fazem cócegas no facial músculo!
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terça-feira, 9 de abril de 2019
Eu queria que minha felicidade
iluminasse toda a cidade...
Sem isso, estes versos
não tem sentidos calorosos!
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
A noite se desenrola sem grilos
vaga-lumes cortam o escuro
de onde seu coração saiu dos trilhos
pra organizar um local seguro
vaga-lumes cortam o escuro
de onde seu coração saiu dos trilhos
pra organizar um local seguro
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Nos dias de hoje
A pressão de ser
causa uma depressão
aparente ou não
mesmo que não queira crer,
causa uma depressão
aparente ou não
mesmo que não queira crer,
E o tamanho dela
depende do que
se expôs na janela
antes do baque.
depende do que
se expôs na janela
antes do baque.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Fuga de nada
Ah, despudorada aflição
traz a fuga de tanta
emoção
foge
comendo a algibeira
quebranta o magote longe
para ficar sem eira nem beira
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domingo, 17 de novembro de 2013
Não!
Dói mais ter vivido e ser surpreendido
Por doença fatal, que nunca ter conhecido
O que vem a ser alegria e ser alguém ativo.
Não, não há beleza em ter vivido!
E, agora um ser bandido, isolado.
Nossa sociedade não quer doente,
Triste ou moribundo, demente.
Apenas o que se encaixa no quadrado.
Depois de tanto viver, conhecer o mundo;
O desapego se torna tortura ao olhar um conhecido
Com status de amigo que te vê como estorvo,
Ou não vê. Não quer nem pensar em esquecer seu Volvo.
Como fitar a impermanência em uma cadeira de rodas
Quando há pouco nadava em oceano aberto?
Poderia até meditar em suas lembranças amadas
No entanto, os joelhos doem e teu “amigo” desliga o telefone
por certo.
Não! Não há beleza alguma em ser eletrocutado
Contido por drogas inúteis
Internado por motivos fúteis
Fazer quimioterapia até seu óbito.
Se estes versos saúdam a revolta
É o pouco de conforto que se encontra
Nas letras e palavras, não nas pessoas,
Cada vez mais ausentes nas garoas.
Não! Não há uma inteira vida em terapia
Décadas de meditação por um mundo melhor
Compreensão de que o outro só dá o que tem na veia
Que possa alterar a revolta e o estupor, muito menos a dor!
De ter vivido, muito bem. Muito. E de repente
Cabum! Doenças que te remetem a sarjeta
De onde talvez, isso poderia ser um consolo renitente,
Nunca estivera em outra saleta.
Não!
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Interlúnio
imagem de American Horror Story, FOX
Coligia chorrilhos de contrição
Lançados
aos ladrilhos macambúzios.
Compungir-se
de feitos, ora não!
Quebrantar
tinos ditosos, ora vazios!
Amedrontado
por fantasmas,
Por
humanos, por micro-organismos,
Por
células, genes, enzimas...
Regozijava-se
em pular abismos.
Ciclo
ininterrupto da vida é
A raiz de
seus infortúnios.
Interrompida
fosse, como em interlúnios,
Poder-se-ia
caminhar com o próprio pé.
Parar ou
continuar, eis aqui um impasse!
Se vais ou
não sustentar suas escolhas
Malditas
ou não, seria bom que chorasse
Pela
sórdida mão estendida cheia de bolhas.
Pudesse
fugir, para onde iria?
Vermes
acompanham de perto
A hora de refestelar-se
com alegria
Daquela
alma perdida por certo.
Pudesse
gritar, quem ouviria?
A família
pronta para te internar?
Ou o cachorro
lambendo a virilha?
Nada que
faça irá modificar.
Pudesse
morrer, morreria.
Sem o tempo
no teu calcanhar
Nem a
lembrança da selvageria
Que é
tentar o outro aceitar.
Passo!
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Diagnóstico
Algo de estranho começa a acontecer.
As pernas já não te levam para onde queres,
As mãos entortam os dedos quebrados em halteres,
A coluna dói e finda por endurecer.
De súbito, nem sabes como, muito menos quando;
Já estás a receber veneno na veia para melhorar.
Veneno! Este é o tratamento daquilo estranho a lhe dar
Melhora de um lado, piora do outro, um espanto.
Trôpego, tropeçando nas pernas recebe o diagnóstico:
Letras, números e uma doença com nome impronunciável...
E a pergunta na cabeça zonza, de que serve o nomeável?
Alívio ou cura não existem para algo deveras fatídico.
Incurável, grave, autoimune e tens que aprender
A aceitar que terás de tomar veneno o resto da vida.
O que lhe sobra dela, até o anoitecer,
Quando a morte talvez lhe cure a ferida.
Talvez!
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