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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Viagens Tortas

Fadas e gnomos dançam à fogueira
Chá quente: cogumelo com zabumba.
Demônios e arcanjos sobre a tumba
Percepção alterada e derradeira.

Desenhos animados coloridos,
Cigarro de maconha bem malhada.
Trismo muscular em dentes moídos,
Pó branco na narina que é sangrada.

Viagens que levam de um certo lugar
Para outro, que não será o mesmo.
Alucinações de mente a viajar.

Tem-se aí a violência dita a esmo,
Vida que não se afeta no jantar!
Indiferente,
o viajante é o mesmo.



terça-feira, 19 de maio de 2009

Carrossel de ilusão

Homem adulto composto de alegrias
Tristezas, ilusões, delusões,
Passado, presente e futuro,
Um homem!

Fantasias de um presente seguro
De um carrossel tranquilo a girar
Com seus altos e baixos, ao futuro,
Passado que lhe leva ao mesmo lugar.

Conhecer o mundo, não deixar raízes
Buscar conhecimento, iluminar-se
Reconhecer fatídico seus matizes
Não se apazigua o ferir-se.

Estacas de pés na pueril consciência...

Pauladas de cinto na carne infantil...

Sorriso de dentes quebrados e corpo roxo...

Adulações humilhantes ao carrasco...

Sonhos transformados em pesadelo!

O telhado era o único refúgio,
E, talvez, nunca tenha decido dele,
Passado que congela o presente,
Futuro interrompido com escárnio.

Carrossel de fantasias ardis
De um mundo além-telhado
De uma vida estragada
Crisálida rompida por pura maldade.

Miséria emocional que atinge
Não só a criança, mas todos ao redor
Dificuldades em ser o homem que é
O mais é pura fantasia em carrossel.

Cristiano Melo, 18 de Maio de 2009.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maria Ninguém

Tua alegria mudou Maria Ninguém,
Por trás da membrana cinzenta de teus olhos,
Dos lábios de cor violácea, disformes,
E corpo emagrecido, com as salientes costelas.

A vida não te sorriu, Maria...
A sociedade te pariu e te desajuntou
Tua realidade é outra, das muitas fomes
A tua é sórdida com suave brilho de estrelas.

Para onde ir, não é Maria?
Aos braços de teu Zé Ninguém?
Para ele espancar tua alma com fórceps?
Enfiar pela tua goela a fumaça maldita?

Onde está o céu, deve ser uma questão,
Quase nunca ou sempre indagada em teu travesseiro.
Não é Maria? Mas mesmo a fome de teus filhos,
Não te aguçam a responder tais perguntas.

Está enferma Maria, muito doente!
E esta doença, é contagiosa e fatal.
Os ricos que te temem só sustentam teus males
E te deixam confusa com sorrisos de predador.

Shangrilá, Céu, Nirvana, Passárgada...
Paraísos fora de tua realidade, ó Maria,
Quais teus sonhos, tuas motivações?

Teu filho quer carinho, mas dá o pouco que tem
Ao Zé que te acorrenta e que devolve na mesma medida
As surras mútuas em teu mundo, Ninguém.

Tenho compaixão de ti e dos teus semelhantes,
Mesmo que tenha me sequestrado, furtado e espancado
Na minha alma maculado um furo.

Queria abraçá-la Maria, em meus braços te contar
Da vida que poderia ser diferente,
Dos sonhos que poderiam existir aos teus filhos.

Mas teu vício jocoso consome voraz
E só tem ouvidos aos Zes e Marias,
Nem a mim nem aos teus pequenos filhos,
Consegue ater-te em qualquer atenção.

Talvez por saber de teu destino:
Mais uma cova rasa!
Jazigo das Marias Ninguéns.

Cristiano Melo, 10 de Maio de 2009.

domingo, 3 de maio de 2009

Mapa da Violência no Brasil


Darei uma pausa na poesia para tratar de um tema que está muito em voga em nossa sociedade brasileira: a violência.


O Brasil é um dos países com o maior número absoluto de homicídios do mundo, ganha até de países em guerra ou que enfrentam ditaduras e, ainda países em extrema pobreza, onde se morre de fome.


Não é meu intuito adentrar muito na discussão teórica do que vem a ser violência, quais agentes envolvidos etc. Para isto, me utilizo do chamado “mapa da violência” de autoria de Julio Jacob Waiselfisz, elaborado, editado e distribuído pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura – OEI e tendo o apoio do Ministério da Saúde do Brasil com sua primeira edição datada de 2007. Assim, para os interessados em aprofundar-se na teoria e nos números apresentados recomendo ver o link disponibilizado abaixo:




Meu interesse com este texto é levantar algumas questões que ficaram em minha mente após ler o trabalho em si. Claro que como qualquer dado estatístico, deve-se analisar com um olhar crítico e inseri-lo no contexto em que a pesquisa foi realizada. Nesse sentido, não pude deixar de perceber que no “ranking” dos municípios mais violentos no país, não são encontrados aqueles que costumeiramente aparecem na grande mídia. O que me faz pensar de imediato em manipulação de informação e em como a nossa mídia se atem a fatos sensacionalistas que ocupam semanas e até anos sobre aquela notícia de um caso apenas, enquanto em municípios menores, a violência tem aumentado mais que nas grandes cidades, veja o texto de Julio Jacob, e a notícia que surge é de violências que podem ser “consumidas” pelo público, daí não se ter a devida proporção do que se acontece realmente no país.


O próprio trabalho “mapa da violência” não é objeto de interesse de divulgação da grande mídia, onde turistas, conferencistas, trabalhadores brasileiros e estrangeiros poderiam atentar sobre os dados do município brasileiro a ser visitado. Podendo facilitar, infelizmente, a sua entrada nas estatísticas do próximo levantamento.

É claro que a própria sociedade é responsável, sempre somos. Mas a divulgação das informações pertinentes encontra, a meu ver, um bloqueio criminoso, o da manipulação da informação e o do sensacionalismo para manter a audiência alta, aí entra a responsabilidade também da sociedade que consome estas notícias não de forma crítica, mas mais passivamente e não é comum que se questione, porque não se existem informações mais relevantes ao cidadão, para o seu próprio exercício de cidadania, salvo raríssimas exceções.


Bem, como a violência é um assunto que diz respeito a todos nós cidadãos brasileiros e do mundo, resolvi trazer este assunto com o texto para leitura, como maneira de divulgar algo importante para a sociedade.


Boa leitura e interpretação!

Cristiano Melo, Maio de 2009.

Fonte: Waiselfisz, J. J. .Mapa da violência dos municípios brasileiros. OEI, 1ª edição, Brasília, 2007.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Uma Estória Real

Fui furtado, durante um sequestro sem armas,
Sofri abusos de várias maneiras, enquanto tinha dinheiro.
O limite de meu saque eletrônico e o que tinha em bagagem,
Foi a minha soltura, após dez horas, sem arma aparente.

O que se falava e se mostrava era o que me mantinha,
Grávidas fumando crack, mulheres chorando de medo,
Homens violentos, ameaças verbais,
Um inferno dantesco e eu paralisado, sendo furtado.

Talvez nunca entenda os motivos que me deixaram ficar preso,
Talvez eu quisesse pagar o bilhete para ver o inferno,
Ou simplesmente ser plateia de teatro tão bem encenado
Que pessoas com um pouco de culpa, se deixam ser levados.

Eu fui conduzido por uma morena, ao inferno na terra,
Tive de pagar para sair, não para entrar,
Tive de me aguentar e sorrir, para não apanhar
Assistir à barbárie humana,

E eu que pensava que tinha dias difíceis,
Hoje olho para minhas cicatrizes na pele...
O que se poderia fazer diferente?
Como se pode ajudar àquelas pessoas no inferno?

Síndrome de Estocolmo?
Ou sentimento de culpa pela vida que levo
E que tentaram levar, e não deixei?!
Fui furtado, sequestrado, abusado, mas solto.

E, as marcas de tudo isto, carregarei em silêncio
Com uma pergunta muito simples:
Por que?
(silêncio dos não inocentes)


Cristiano Melo, 03 de Abril de 2009.
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