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quinta-feira, 26 de março de 2009

Amor Vira-lata




O pequeno malhado vira-lata,
Rebola o traseiro à minha frente.
Não confunde a origem de seu nome
Entretido nos sacos repletos de guloseimas.

Hoje mais adequado seria chamá-lo fura-sacos
Ou ainda cata-lixos
Quase não existem mais latas,
Mas muitos vira-latas.

Sinto-me como ele, ao meu redor
Ao procurar amor em latas
E por achar lixo uma tentação.

Os humanos indiferentes passam pelo bicho
Que cata seu alimento no lixão
Como eu não encontro humanos
E, de sobras, vivo a minha paixão.

Se alimentos e amor são comparáveis?
Claramente, a este poeta, sim.
Elementos básicos sobre a vida
Sem eles se morre de inanição.

Se o que não serve para uns
É largado ao meio-fio...
Para outros, torna-se tesouro
Realidades diferentes e mesma sina.

Olho para o vira-lata que me vê,
Reconhecemo-nos por um segundo.
Ele continua com o osso e o rabo que abana
Eu volto a mim, com uma reflexão!

Somos todos apaixonados vira-latas
Que de lixo e restos alimentamos nosso amor
E que assim, largados, sem rumo certo,
Pereceremos com tanta comida estragada.

Cristiano Melo, 26 de Março de 2009.
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