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terça-feira, 22 de setembro de 2009

A partida








Sim, sorria para aquele doente,

Levava lata de cerveja, gelada

Os dedos salientes na fronte

A vã recompensa aguardada.


Ébrio, passeava a mão gordurosa

O óleo da fritura do domingo

Na carne da filha dele, gostosa...

Fartas carnes fritas, inimigo.


Não, queria ir embora dali

Criança que era, pura e impoluta

Sujada pelo doente javali.


Talvez, tenha chorado, puta

Quando saltou da cobertura,

E a carne escorria o fel, jaz ali.



Cristiano Melo, 22 de Setembro de 2009.

domingo, 19 de julho de 2009

Album de família


Continuidade e aprendizado.
Começamos no berço familiar,
Continuamos o que foi começado
Muito antes de a memória guardar.

Somos a mesma essência,
Humanos em formação,
Nascimento e morte
Da árvore genealógica.

De cada ramo da tal árvore
Brotam outros ramos
Outros caminhos
E, nas diferenças, pontos de ligação.

Raízes de um povo
Frutos de um cotidiano solitário
Não em solidão,
Da casca que se transforma.

Ser é solidão,
Ter é apego,
Viver é solitário,
Morrer é fato.

No entanto, as pegadas não são apagadas,
Rastros de uma árvore
Broto, galho, tronco
Seja qual o seu caminho, ser é familiar de fato.

Cristiano Melo, 20 de Julho de 2009.
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