Mostrando postagens com marcador grávida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador grávida. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morte

(Interior da Roda da Vida, tanka do budismo tibetano: a serpente, o galo e o porco simbolizando
desejo, falta de controle de si e ignorancia, dando movimento ao ciclo)
 








Desde a fecundação estamos mais próximos da morte.
O medo acompanha o ser desde seus primórdios,
Não há o que fazer da biológica sorte
Alguns sábios a gozam sem remédios.

Há mortes em vida, da mãe que perde sua cria,
Da violenta consciência da ilusão,
Do calvário exposto da mazela social,
Da falta de solidariedade de um beco fraterno.

O ciclo já é fechado em circuito
Nasce e morre, a despeito de seu medo
E angústia, pressão que aumenta sem intuito.

Impressão dissolvida da alma no feudo
Tempo impassível a descolorir o morto,
Jaz a morte para um recomeço estrelado.

Cristiano Melo, 30 de Julho de 2010.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A Espera

Espera-lhe ao lado da porta,
Enquanto não vem.

Espera-lhe com o fogo aceso
Do fogão à lenha,
Do seio em brasa.

Cheiros se confundem,
Enquanto não vem.

Os odores
Do sabão de coco,
Da colônia da venda,
Do frango caipira ao molho pardo,
Daquilo guardado.
Quer-lhe ousado!

Gritam acolá
E a face rubra cora
Antes do beijo,
Estupora!

Veio,
Foi!

Espera-lhe com panelas sujas,
Pratos engordurados,
Lençois manchados,
E o filho no ventre.
Grávida,
Enquanto não vem.

Cristiano Melo, 11 de julho de 2008.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...