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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Da metrópole às origens: uma despedida!


Cara São Paulo,


É chegado o momento da despedida.

Agradeço por tudo: toda loucura, todo desespero, todo exagero, toda cultura.


Perdoe-me, mas não sou digna da tua solidão,

Das tuas distâncias,

Das tuas tempestades,

Do teu caos,

Da tua competição.


Minha querida São Paulo,


Meu amor por ti não é forte o bastante para superar o abandono,

O isolamento,

A acomodação,

O medo.


Quero ter liberdade para atravessar a cidade.

Quero sair de casa com mais certeza de que vou voltar com cuidado,

Com conforto, a passos largos e relaxados.
Quero ter colo, solo, mar e amar.

Quero brisa, quero céu azul, quero ar.

Querida São Paulo,

Despeço-me e me despedaço,

Pois tu és parte de mim, mas eu não consigo ser parte de ti.
Adeus amada, confusa, concreta, sonhada metrópole.


Nossa relação não será mais a mesma.

Será efêmera, ligeira, superficial, da forma como exiges.

Será distante, saudosa, inteira, divertida.


Conhecimento, cultura, amigos, amor, trabalho...

Tudo me destes e muito me tirastes.
Sabes muito bem ir da abundância à ausência.

Preenches e esvazias, como as tempestades,

E queres fazer de conta que nada aconteceu.

Pouco se transformastes nesse tempo,

Mas tanto me moldastes e me despertastes.

Contigo descobri o que realmente importa e me alimenta.


E por isso devo partir, pois o que tenho que conquistar não são tuas ruas repletas, teus prédios cinza, teus moradores de concreto, tuas relações restritas. Eu quero mais. Quero a mim mesma. E, apesar do teu tamanho, o meu eu não cabe em ti. É muito leve, colorido, intenso, saudável, verdadeiro e amoroso e não consegue se manifestar no teu ar poluído nem em tuas faces estressadas.

Mas não levo mágoas, não!

Levo paz de dever cumprido, pois que te enfrentei e cheguei ao topo.

Mas o topo é solitário, é frio, é ilusão.


Por isso te amo, porque tu és a minha verdade, o meu espelho, o meu lado sombrio, o meu topo.
E agora que já te conquistei, posso ir em paz. Vou em busca de desafios menos debilitantes, de braços abertos, de conversas à beira-mar.

Mas tu estarás sempre comigo.

Afinal o primeiro topo é inesquecível!


Por Helena Ximenes, Maio de 2009
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