desenho em giz, lápis e guache em papel canson - autoria de Cristiano Melo em 2007
Poema dedicado à escritora e editora Letícia L Coelho
As formigas caminham ou pateiam?
Com suas funções distintas desde larva
Ajuntam o que é necessário para a sua aldeia
Colméia ou formigueiro, agrupamento social
Das velhas e novas estórias brotam sabedorias
O sol que levanta ao horizonte
É o mesmo que se põe em doze latitudes
Queria ser um tanto mais melancólico
Tecer uma teia como um ser diabólico
Que espreita sua presa mesmo que não apareça
E viver do sonho em que a presa me cairá na rede
Amigos poetas sempre nos inspiram
Escrevem, comentam e falam
Ricas frases que cada uma daria um conto
Retalhos poéticos que constroem um poema
Esquizofrênico em fora de contexto
Lúcido quando contextualizado, tal qual
As formigas imbuídas no que nasceram pra ser
O tic tac do relógio martela alto na cabeça do poeta
A idade avança, só o que se perde é o Tempo
Nada, além disso, é perdido, nem ganhado
Se um dia eu sou feliz, noutro aborrecido
Não me conduz a um estado bipolar
Mas sim a vida que é multipolar
Enquanto é amanhecer para uns, é entardecer para outros
Do alto do píncaro mais íngreme
Grita-se a busca do eco,
Como a aranha que aguarda
Pira, não pira, pira, não pira
Só respira!
Pira, não pira, pira, não pira
Só se atira!
Talvez não haja, finalmente, sentido em escrever
Se não há ninguém pra ler
Ou a formiga se transforma em borboleta
Transformações são um privilégio para loucos
A arte como uma expressão da loucura do ser
Transpira a alma imaculada, por entre poros podres
E pinga suores em letras disformes, poema retalhado.