Mostrando postagens com marcador paquera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador paquera. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ardilosas paqueras

Fotografia de Alex Melo - todos os direitos reservados



Se promessas te cobrem, ser gratuito;
Gestos enlaçam teus sonhos mais ardis;
Olhos esbugalhados em ti, farto.
Gracejos camaradas de perdiz!

Esperança zaróia da moleza,
Vais ao cadafalso umas dez mil vezes,
Masmorra sem janelas nem beleza,
Ziguezaguear pelas fortes vozes.

Melhor atentar contra si, seu bruto,
Esfolar tua pele no farpado,
Varal de sonhos vãos, seu pobre puto.

Que esvaecer teu córtex desmiolado.
Arranca-te teus olhos, língua e tato;
Não viva, morra bem antes do dardo.


domingo, 17 de outubro de 2010

O reverso do espelho







Aquele rosto recém tirado de enorme sanduíche
Maionese e outros molhos grudados
A guloseima segura com as duas mãos
Num prazer que se traduzia no sorriso dos olhos.

E o olhar apertou-se mais ainda num sorrir encantador.
Aquele conjunto paralisado e eternizado em minha mente
Trazia calafrios junto a inumeráveis desejos imediatistas
Traduzidos no sublime acalento de uma ópera divina.

Segundos se tornaram horas e até dias
Num furacão de química e reflexão.
Existe amor a primeira vista?
A primeira indagação àquela visão.

A maionese, o prazer ao comer, o olhar, as mãos
Aquele universo a desvendar bem à minha frente
A poucos passos, que a cada um, aumentava a aflição
As batidas do coração pareciam vir da boca, estupor.

O medo aparece, junto ao vazio da existência
A carência da solteirice martelando, confuso
Era aquilo realidade, ou meu espelho distorcido?
Não seria carência, e sim completa experiência.

Faltavam poucos passos para a troca de olhares
O suor na testa, a dor no estômago, temperaturas alteradas
E eu na mesma direção com toneladas aos pés,
A insegurança começava a surgir, será que seria reconhecido?

Mais uma abocanhada naquele enorme e gorduroso pão
O rosto mais lambuzado e aquele olhar, sem me ver
Que burilava alegre alheio aos outros, a linda face
Coberta de maionese não se importava, eu sim.

Ficava mais animado, encontraria um ser humano enfim
Tal qual num espelho, os passos mais rápidos e a confiança
De volta numa fração incalculável, eu já sorria
Chego à mesa, nossos olhares são reconhecidos.

Sentei, conversei, não falei da face melada, diamante bruto
O olhar retribuído, os sorrisos também, algo estava para acontecer
E prenunciava alegria corroborada com o profundo olhar
De um no outro. Polaróide urbana, mais um casal na grande cidade.

E pra saber quem reflete quem, espelhos de encontros
Nem o tempo dirá, pois aquele foi o tempo, mágico e real
Dos dois que se amaram em olhar pra dentro de si
E encontrar-se no sorriso do outro, só!

Chegara a minha vez de melar o meu rosto com maionese.



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cortejo

photo by Alex Melo - direitos reservados

Citar belezas ditas em cortejo
Fixar olhares desencontrados
Dedicar poemas adocicados
Suspirar queimadas de sertanejo.

Afagar a mão na face crespa
Beijar a boca com a boca tesa
Seduzir gotas de suor em festa
Reunir o doce com a leveza honesta.

Seria fácil tal feitio
Em teu seio mais bravio
Se este a que vos estende o verbo

Não achasse tudo isto soberbo.
O cortejo natural há de ser plantio
Sem rosas falsas num caminho deserto.

Cristiano Melo, 22 de setembro de 2010.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...