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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hora, oras


Já é chegada a hora
De a gente ir embora
Do que já poderia ser
E o que já se foi e não é.

Já fomos, mas não somos
Mais o que seremos
Assim já é hora
De deixar ir embora.

Não temos mais o que éramos
Somos outros apesar de mesmos
Em caminhos separados
Sem olhar para os lados.

Deixe-me ir
Como te deixo
Já tivemos nossa hora
Oras, vamos agora.

Ir embora do que foi
Deixar o novo entrar
Separar já não dói
Apenas vamos embora, sós.


terça-feira, 3 de março de 2009

Pesadelo

O despertar apnéico, trouxe-me de um mundo
Com os olhos vermelhos, o cabelo desfeito
Cigarro acesso e a madrugada, sonolento
Gosto amargo e a insone sina da percepção.

Fantasmas ao redor, em rodopios nauseantes
Nauseabundo sentado sem muito entender
Será que demora a alvorecer?

Trago a fumaça mais fundo
Escorre o olho remelento, não deito
Escandalosos pensamentos em tormento
Confuso atino a separação.

Seres abomináveis como antes
Arregaçam os dentes sem me adormecer
Será que demora o alvorecer?

Apago o cigarro com um pigarro
Escarro o amarelo do interior do peito
Agonia que o barbitúrico só me deixa lento
Sôfrego e bêbado arranco o coração.

Entrego a ti, meu fantasma, pedante
Que sorri uma boca sem esmaecer.
Será que a morte demora a acontecer?

Cristiano Melo, madrugada de 03 de março de 2009.
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