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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Soneto da carne




Das pessoas, gosto das que voam.
Suas asas fantásticas de fadas,
Serafins ou querubins como queiram;
Disfarçam a ajuda nas escadas.

Das pessoas, prefiro aos ditos loucos.
Varridos ou não de onde vivem poucos
A verdade está por lá, não é fácil,
Encontrar em ambiente tão grácil.

Aprenda a voar por sobre as coisas ditas.
Seja louco varrido da pasmaceira
Que é a vida com reta certeira.

Quiçá encontre afinal o que gostas
Ser com suas próprias abas sem beira e
Sonhar de olhos abertos pelas frestas.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ser ou não...





Na sua cama já nem deita há tempos,
Não que esteja dormindo na de um outro,
Esperando em inércia por passatempos.
Não! Sim, é... Ele transformado nessoutro.

As unhas foram rápidas em cair,
Dentes amarelados bem trincados,
O Sangue pela pele fez-se esvair,
Nem cabelos restaram perfilados.

Guardara esperançoso a alegria
Em recônditos fundos com a idade.
Quem ele ousasse ser e ter podia.

Naufragou em nefasta tempestade,
Não lhe sobrando nada no seu dia,
Moribundo errante em nova cidade.



sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Zebra




Para alguém que gosta de zebras



Naquela velha casa vive a zebra
Vinda de algum lugar muito distante
Sem o vício pedante mostra febra
Ao permitir ser vista como estante.

Não se via o exótico do animal
Fantástico que se era, raridade
Um bicho nunca fora, sentimental
Em sua exuberância na cidade.

As marcas pretas em sua tez branca
Lembrava ainda mais a diferença
Ofensa torpe ver com tal descrença.

Feliz do homem que a visse com querença
E elegante fosse a casa na panca
Deixar o amor fluir sem qualquer tranca.   


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Como trabalhar Sonetos

     No post abaixo eu trouxe um exemplo, na prática, de como fica um poema depois de "adaptado" ao formato de soneto. Reparem que, mesmo alterado, não sofreu muita mudança de palavras e etc. Nos dois exemplos abaixo, do poema "VIDA E MORTE" a mudança é mais visível e mais radical.


     Para lembrar um pouco sobre as regras dos sonetos eles são estruturados em dois quartetos e dois tercetos , este sendo o mais comum, mas ainda há os sonetos estrambotos (três tercetos, muito comum no século XVII) e os sonetos ingleses (três quartetos independentes e um dístico). 


     Só para constar, me atenho mais ao chamado soneto italiano que é o mais comum (e mais fácil) risos.


     Assim, existe a MÉTRICA (Em primeiro lugar, os versos devem possuir a mesma métrica, ou seja, o mesmo número de sílabas poéticas. Uma sílaba poética é bem diferente de uma sílaba comum. Versos com dez sílabas poéticas são chamados decassílabos. Outra forma famosa de escrever são os versos alexandrinos ou dodecassílabos [doze sílabas]); 


     O POSICIONAMENTO DAS RIMAS (entrelaçadas ou opostas - ABBA, alternadas (ABAB), emparelhadas (AABB), sendo que os tercetos são mais flexíveis); 


     E a SONORIDADE: sonetos decassílabos (versos heróicos, onde as sílabas poéticas tônicas são a sexta e a décima e os versos sáficos que as sílabas poéticas tônicas são a quarta, aoitava e a décima sílabas), sonetos dodecassílabos (versos alexandrinos possuem a quarta, a oitava e a décima-segundasílaba poética como sílabas fortes, ou a sexta, a décima e a décima-segunda).


POEMA SEM SER ADAPTADO A UM SONETO DECASSÍLABO DE RIMAS EMPARELHADAS COM SONORIDADE HERÓICA:





Vida e Morte

A bruma densa em que se encobrem os tesouros
Não poderia ter luz mais forte para encontrá-los
Que a própria vida, a existência na insistência
De viver a busca incessante do dourado sagrado.

Não se lhe dá de graça, pela sua graça
Espia por entre a bruma o esperado
Guarda firme o precioso encontrado
Continua a procura de mais da vida esparsa.

Se de cansaço senta e esquece
Diligente esteja para não seres roubado
Pois de vida vivem os vampiros.

Coragem! A mudança não fenece
Mosaico de tua vida untado
A morte te vê por entre os espinhos.


DEPOIS DE TRABALHADO:



A bruma densa que encobre tesouros
Confunde o ser na sua busca por ouros,
Da lida persistente em sua existência:
Para viver há de se ter paciência.

Não se lhe dá de graça como touros
Tateantes por entre a bruma de couros;
Encontrar um tesouro requer ciência
E uma contínua busca com insistência.

Se de cansaço assenta e adormece,
Atento fique para que não veja
A morte que se move e lhe conhece.

Coragem! A mudança não peleja
Destruir sua vida sem nenhuma prece,
Mesmo que a morte lhe brilha e deseja.





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