terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Tempos de Labacé

O alvorecer com luzes douradas
Pássaros que alegres despertam nas copas...
Não alegram este ser encharcado de cachaça
Nem amenizam o corte sanguíneo da separação.

Jogaste minha confiança junto ao ralo da sordidez.
Enquanto consolidava uma relação,
Seus vícios te levaram a promiscuidade
E apenas me resta lamber o que sobrou de mim.

Ao meio-dia não tenho fome,
Apenas desespero e cachaça,
Psicotrópicos e melancolia,
O fim se deu e outros fins se aproximam.

Ver teus pertences em minha casa
Dá-me enjôo e, nauseante,
Ateio fogo ao que um dia foi nosso.
Saia ao entardecer, não deixe pegada.

Vá-se com teus hábitos de sexo barato,
Que me resto encharcado de cachaça.
Reparos hepáticos são possíveis,
A traição pela traição, não!

Corre daqui, foge!
Pois do fogo que consome o que era nosso
As cinzas são minha herança e desgraça.
Cinza o céu que acima troveja.

Cristiano Melo, 24 de Fevereiro de 2009.

6 comentários:

  1. Em Tempos de Labacé é muito bom que caia uma chuva torrencial e lave e leve tudo. E que não reste nada. Ninguém merece herança desgraçada.
    Belo poema. O céu troveja pra alertar. A água purifica.

    * adorei o verso
    Vá-se com seus hábitos de sexo barato
    Que me resto encharcado de cachaça.

    Gosto assim, também
    Vai, com seus hábitos baratos
    Que me resto encharcado de esperança
    Reparos são possíveis
    O perdão não

    Corre daqui, some!
    Pois do fogo que me aquece para o novo tempo
    A luz é minha seguran~ça
    Azul é o céu depois da chuva

    Foi! Alívio

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  2. Amigo!!!
    E para nós, poetas que acreditamos, nos sobram as palavras...
    nos salvam... nosdão força e alimento....

    Estou por aqui!!!!!
    Abraço!

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  3. tu deveria ter vindo, tu.

    vai ficar me devendo uma visitinha. te adoro. beijos

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