Já tentei exorcizar meus infortúnios com bebida,
Mistura de barbitúrico com nicotina,
Anfetaminas e ansiolíticos de esquina.
Já tentei cortar os pulsos da palavra não-dita,
Enforcar o vexame do escândalo da mentira
Saltar do prédio com as costas na brisa.
Dizem que somos responsáveis pelos nossos atos
A felicidade e o sofrimento dependem de nós.
E a quem responsabilizar pelo fato entreatos?
Responsabilizar-se pelo que se diz e age como algoz
É no mínimo hombridade, mas qual o que de hiato.
O pobre diabo já nasce sem braços pra se quebrar sua noz.
Volto às divagações, meditar sobre as ações
Que eu me responsabilizo, sem óculos pra enxergar
O livro de palavras soltas que é a sua hedionda alegria.
Abra na página da confiança, energúmenas mutações
Do que se diz e como se age, livro sem leitura e com par,
De óculos para apunhalar no alvo que lhe cabia.
Cristiano Melo, 07 de Agosto de 2010